
Rio+20 sem ciência
Sáb, 16/06/12
Por André Trigueiro |
Depois de cinco dias reunidos na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), 500 cientistas de 75 países – seis deles Prêmios Nobel – produziram um relatório contundente em que resumem a situação do planeta. Entre outras informações, eles dizem que “há evidências científicas convincentes de que o atual modelo de desenvolvimento está minando a capacidade de o planeta responder às agressões do homem”. Manifestam preocupação com o fato de que “os níveis de produção e de consumo poderão causar mudanças irreversíveis e catastróficas para a humanidade”. Mas asseveram que “temos conhecimento e criatividade para construir um novo caminho. Entretanto, é preciso correr contra o tempo”.
O Prêmio Nobel de Química,Yuan Tse Lee, de Taiwan, foi escolhido pelos colegas para uma missão quase impossível: resumir em apenas dois minutos para os chefes de estado no Riocentro o que de mais importante aparece no relatório. Apenas 120 segundos serão suficientes para inspirar nas principais lideranças do mundo o devido senso de urgência? Bom, foi este o tempo definido pelo protocolo da ONU. Perguntei ao dr.Yuan qual seria a mensagem mais importante do relatório.
“Não temos muito mais tempo para transformar a sociedade, torná-la sustentável. Se continuarmos nesse ritmo, vai ficar cada vez pior. Entraremos numa grande enrascada”, disse ele, para em seguida arrematar com um lampejo de confiança no futuro:”Não temos o direito de ficar pessimistas. Estou feliz a de ver tantos jovens no Rio”.
Quem também estava no encontro foi o climatologista Carlos Nobre, que nesta semana teve a honra de escrever o editorial da prestigiada revista científica Science com o sugestivo título de “UNsustainable? (com as iniciais da ONU em maiúsculas no início da palavra “insustentável” em inglês) onde afirmou que o mundo “saiu da zona de segurança”. Perguntei a ele se a classe política está ouvindo os alertas dos cientistas.
“Nós estamos tendo dificuldade de comunicar a todos os tomadores de decisão o senso de urgência. Tempo talvez seja o recurso mais escasso na questão do desenvolvimento sustentável”. Ao ser indagado sobre o que estava em jogo, caso as recomendações dos cientistas não fossem consideradas pelos tomadores de decisão, o atual secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação respondeu com indisfarçável preocupação. “O risco de excedermos alguns limites planetários existe. Os recursos não são infinitos e a capacidade da Terra absorver os choques também não. No caso do clima, por exemplo, provavelmente também já estamos operando fora da margem de segurança”.
Para Carlos Nobre, “a urgência da situação planetária requer decisões também urgentes e ações imediatas. Essa distância entre o que os cientistas percebem como urgente e a as respostas dadas pelo sistema político configura o descompasso”.
Deixei a PUC intrigado não apenas pela contundência de mais um alerta da comunidade científica, mas também pela ausência de jornalistas interessados em cobrir o maior evento paralelo da Rio+20 na área da ciência. Será que nós, profissionais de imprensa, também estamos em descompasso com as informações relevantes descortinadas pela comunidade científica? Será este um assunto restrito às mídias especializadas ou todos os jornalistas e comunicadores deveriam abrir mais espaços, especialmente em tempos de crise, para o que os cientistas estão dizendo? Vale a reflexão. E, sobretudo, a ação.
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Gratidão à Rio-92
Qui, 14/06/12
Por André Trigueiro |
20 anos separam os dois crachás acima. O da esquerda autorizava um jovem repórter da Rádio Jornal do Brasil/AM a cobrir a Rio-92. O da direita foi obtido dias atrás para que o mesmo repórter pudesse cobrir a Rio+20 pela TV Globo. Que o leitor não se engane : a metamorfose mais impressionante não foi de ordem física (o tempo é implacável com a gente, não é mesmo?). A Conferência Internacional da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente marcou de maneira ostensiva as disposições que passaram a reger o meu destino pessoal e profissional nas últimas duas décadas.
À época da Rio-92 eu tinha 26 anos, alguma afinidade com os assuntos ambientais, e uma perplexidade – compartilhada com todos os demais colegas jornalistas que participaram daquela cobertura – com o gigantismo e a variedade de assuntos “complexos” daquela conferência. A ignorância dos jornalistas sobre os temas do encontro era tão evidente que a maioria das redações contratou especialistas para atuarem como consultores, articulistas ou comentaristas. Precisávamos assimilar os jargões, reconhecer o que de relevante havia nos temas da conferência e entender por que o Rio de Janeiro de repente havia se transformado no lugar mais importante do mundo.
Para os padrões de hoje, a logística de cobertura naquele período é digna de piedade. Lembro-me dos poucos privilegiados que circulavam pela cidade com telefones portáteis gigantes chamados de “celulares”. Quem como eu trabalhava em rádio corria para o carro de reportagem para passar os flashes com a ajuda de um equipamento motorola acoplado ao veículo com uma poderosa antena. Se o carro não estivesse disponível, o jeito era apelar para os “orelhões”. Caiu a ficha? Por favor, não ouse falar de internet. Outro privilégio reservado a um número ainda mais reduzido de pessoas. A informação seguia num ritmo muito menos alucinante do que hoje.
Passei a maior parte do tempo cobrindo o Fórum Global, o encontro das Ongs no Aterro do Flamengo. Foi uma experiência marcante. Não poderia supor que representantes da sociedade civil de várias partes do mundo pudessem produzir diagnósticos e construir propostas com tanta competência. Não percebia ser possível alcançar tamanho nível de engajamento na área ambiental mesmo sem ser um ecologista. Não imaginava que este gênero de assunto pudesse perpassar indistintamente todas as áreas do saber e do conhecimento (transversalidade), do engenheiro ao teólogo, do economista ao advogado, do arquiteto a dona de casa. Por fim, não fazia a menor ideia de que a nossa geração estava testemunhando a maior crise ambiental da História de toda a Humanidade ,e que isso deveria inspirar – por razões óbvias – nosso senso de urgência.
Foram 45 “tratados” ( propostas) que orientaram boa parte do movimento social e político espalhado pelo planeta. Recém saído da ditadura, o Brasil de então estranhava aquele formigueiro humano multiétnico e engajado em favor de um novo modelo de desenvolvimento mais justo, inclusivo e sustentável.
Em mais de uma entrevista que fiz com o então Secretário Nacional de Meio Ambiente, José Goldemberg (cargo que equivaleria hoje a ministro de estado) ele revelou como as delegações dos países reunidas no Riocentro desejavam saber detalhes do que estava acontecendo no Aterro do Flamengo. Era algo novo até para eles. Na verdade, tudo o que estava acontecendo no Rio naqueles dias de junho era inédito. O maior encontro já realizado na História até então demarcou o início das negociações do clima e da biodiversidade, a popularização da expressão “desenvolvimento sustentável” e um jeito diferente de enxergar o mundo, já não tão extenso e resiliente, mais frágil e vulnerável à nossa presença.
Guardar o crachá da Rio-92 até hoje revela meu desejo de eternizar a lembrança de um período fecudante de ideias e propósitos existenciais. 20 anos depois, olho para trás e vejo que boa parte de minhas atividades profissionais e pessoais trazem a marca daquela cobertura. Como costuma dizer um dos mais brilhantes jornalistas do Brasil, pioneiro na abordagem dos assuntos ambientais na grande imprensa, Washington Novaes : “Acho que a questão ambiental é ameaçadora para os jornalistas que têm uma vida pessoal muito pouco adequada em termos ambientais”. A afirmação de Washington vale para qualquer pessoa, em qualquer segmento profissional. Simplesmente não é possível aprofundar conhecimentos nessa área sem realizar transformações importantes nos próprios hábitos,comportamentos, estilo de vida e padrão de consumo.
Não foi só o rosto do crachá. Muita coisa mudou em 20 anos.
29 comentários »
Postado por Elizabete Otelac em 16 junho 2012 às 22:30 na Rede da Paz e do Bem.
Car@ Amig@,
Divulgo somente o que eu considero Bom, Belo, Justo... enfim, o BEM.
Ajude a construir a Civilização do Amor, onde a Justiça, a Solidariedade e a Paz sejam vivenciadas intensamente.
A construção da PAZ começa no coração... Que as batidas do coração de cada um de nós vibre PAZ ♥ PAZ ♥ PAZ ♥
A Paz Mundial ocorrerá quando todos estiverem em paz. Ao darem os passos para trazerem a paz a si mesmos, vocês contribuem para a paz mundial. Vocês se tornam um modelo da paz, inspirando outros a fazer a jornada também.
Que Jesus nos envolva na Sua energia Crística e nos estimule a trabalhar na Seara da Paz e do Bem!... Que estejamos em Paz e Harmonia nessa grande Transição Planetária. "Os Sinais do CÉU e da TERRA tornando-se cada vez mais intensos, a cada dia, a cada hora, trará a sua mensagem do ADVENTO DA LUZ". Que nós tenhamos ouvidos de ouvir, olhos de ver e que brilhe nossa LUZ!!!
Desejemos ardentemente que o nosso mundo alcance a Paz, que todos se irmanem pelo Bem. Que somente pessoas honradas, capazes e espiritualmente conscientes ocupem cargos nos governos, bancos, empresas, instituições de ensino, saúde, mídia, produção de alimentos - todos campos que impactam a vida em nosso mundo. Visualizemos, vibremos para que assim seja!!!
A ALEGRIA está no nosso coração. A PAZ está no nosso coração. Vibremos AMOR para Tudo e Todos! Vivenciemos a beleza do Amor Incondicional. O Amor será a Religião do Século XXI.
PAZ e BEM meus companheiros de jornada evolutiva! Fiquem em LUZ! Namastê!
Elizabete Otelac
Agente da Paz
Divulgadora do Bem
Sou ALEGRIA, sou AMOR, sou PAZ, sou LUZ, sou ETERNA, sou o que SOU
Poxa, não está aparecendo as fotos dos crachás….
Cadê os crachás ???
André, parabéns pelo trabalho! Em 92 você parecia mais nervoso. Que diferença faz em sorriso! Abs.
As coisas mudam e nosso presente nos diz o que será o futuro. Mas ainda há um um grande entrave nisto tudo: sustentabilidade ambienta x economia. Como fazer isto funcionar???
O que mudou: ANDRÉ TRIGUEIRO está muito mais gato hoje em dia. Feliz é quem é sua mulher, baby…
é impressionante como nós afetamos nosso arredor, e como ele nos afeta não só fisicamente, como você também definiu. Mas somente o tempo somado a também aquele “olhar atras” percebemos como aquele dia afeto progressivamente o rumo de nossas vidas, né? abraços.
Se me permite, o rosto do crachá, está hoje mais bonito. Reflete a evolução do seu espírito.Quanto à evolução tecnológica, de fato, às vezes me deixa perplexa. Bem mais velha que você, quando nasci na década de 50, nosso país, perto do que temos hoje, estava na idade da pedra. Vamos torcer para que essa evolução se reflita também na alma de nosso povo e que possa cumprir com méritos a sua vocação de celeiro do mundo, sem descaracterizar nosso ecossistema.
Nossa,bom saber que tivemos um representante nosso a 20 anos atrás,e representou cada Cidadão Brasileiro.Fico Feliz em saber,pois na época tinha 08 anos e não sabia o quanto tudo isso era e é importante. Parabéns Ándre. Saudações minhas à Todos aí,tá?!!
Gde André! É incálculável a dimensão do q a sua inclusão ambiental no mundo jornalístico representa! Parabéns pelo seu trabalho.
Concordo. Sem envolvimento real e sincero não é possível atuar nesta área. Ficaria falso qualquer ação protagonizada por alguém que não compartilhe deste sentimento de transformação e de cuidados com todas as formas de vida no planeta, nossa casa. Foi assim comigo também. Bom ver as mudanças destes 20 anos em nossas vidas pessoais. Abs.
Prezado André, Parabéns pelo seu trabalho, principalmente por ter persistido no assunto Meio Ambiente. Confesso que quando o Gabeira retornou ao Brasil, depois de um amargo exílio, com a sua sunga de tricô roxa, em Ipanema, falando de partido verde, de sustentabilidade… achei que aquilo era conversa fiada e que estas ideias não iriam prosperar no nosso país. Ainda bem que gente como você, o Novaes e tantos outros deram repercussão ao assunto ambientalismo e hoje vivemos outra realidade, muito melhor, de respeito à Natureza e ao futuro de nossos filhos, netos e bisneto. Continue a sua luta que é também de todos nós. Abraços, Francisco Cripa BH/MG
Não sou especialista em gestão ambiental, mas pergunto: 20 anos e tivemos poucos avanços, é a minha opinião. Por exemplo: a questão simples da coleta seletiva – muitos municípios ainda não fazem e os que tem atingem parte da população. Aqui em Brasília, capital do país, a coleta seletiva chega a poucos habitantes. E para muitas pessoas ainda falta a consciência do simples hábito de separar o lixo. E essas muitas pessoas, muitas vezes, tem amplo acesso à educação e à informação – servidores públicos federais, estudantes universitários, profissionais liberais com bom status social e econômico. Esses passados 20 anos, continuamos muito na papelada e quantas árvores foram necessárias para essa papelada? É a minha opinião.
Muito Bom! Concordo quando disse” Simplesmente não é possível aprofundar conhecimentos nessa área sem realizar transformações importantes nos próprios hábitos,comportamentos, estilo de vida e padrão de consumo”. Se todos entendessem isso, parabens pelo trabalho que voce faz.
Sou professora e quero fazer um trabalho social na minha cidade em defesa do meio ambiente, um trabalho com mais ação daquele que é feito e estudado nas escolas. São tantos os encontros e nomenclaturas ditas sobre um mesmo assunto e pouca ou nenhuma ação ou medida que de fato comprove que estamos realmente fazendo algo real para cuidar do maior bem precioso que ainda temos. quero assumir o compromisso de fazer algo que possa dar resultados, O projeto Manuelzão é um dos trabalhos que não vemos mais por aqui em Minas. sugiro convite aos professores para participar deste grande projeto uma vez que é na escola que se começa uma boa discussão sobre o assunto.
Que excelente reflexão! E olha que nem cita, talvez, o principal resultado do seu engajamento, que tem feito muita gente mudar hábitos. Alunos seus e plateias diversas, que você conquista com impressionante habilidade e ainda entretém com seu discurso envolvente, incontestável e absolutamente crível. Se pelo menos uma parte dos jornalistas tivessem o mesmo compromisso revolucionaríamos o mundo.
muito bom Andre tb tava no aterro pela Rádio JB o interessante que que naquela epoca não tinha internet , nem celular e maquina de fotografia digital … tempos de Mario Negueiros ,Genilson Araújo , Nicolai Maranini e um monte de feras sucesso Andre
Em 1992, bigodinho vida loka
Estive na Eco 92 como vc e agora vejo as suas entrevistas,podemos dizer que há muitas diferenças mas vc só surpreende como jornalista ambiental,desenvolvendo o seu trabalho com muita responsabilidade e sua opinião com firmeza. Parabéns e continue trilhando o seu caminho de sucesso. SOU DE PORTO VELHO RONDONIA E TBÉM ESTOU NA RIO +20 DEFENDENDO O NOSSO PLANETA,
Ser ambientalista a 20 anos atrás eu até que concordo, mas hoje com todas as informações que temos da farsa que é o aquecimento global por ação humana…Inacreditável….
Prezado André, Há muito tempo acompanhamos seu trabalho e o parabenizo por ter percebido a importância de se trabalhar com o tema “meio ambiente” mesmo antes de sua relevância ter sido perceptivel aos demais cidadãos e profissionais. Tambem li seu livro “Meio Ambiente no século 21 – 21 especialistas falm sobre a questão ambiental nas suas áreas de conhecimento”, publicado em 2003 . Recomendei o livro a várias pessoas que compartilham a mesma opinião. Espero que voce se inspire na conferencia Rio+20 para realizar outra obra de igual importância. Sei que sua agenda está lotada nos ultimos dias mas, se tiver como, não deixe de ler o livro “Estoques de Carbono e Emissões de Gases de Efeito Estufa na Agropecuária Brasileira” (http://www.cnpma.embrapa.br/nova/mostra2.php3?id=925 ), que foi realizado a partir de pesquisas brasileiras realizadas ao longo das ultimas duas décadas tambem. Abraço Conceição
te acompanho ha muitos anos via tv, e posso dizer como nos mudamos,em tudo principalmemente na conciecia espiritua enatural, parabens que voce esteja nao so nesta mas em todas as conferencias do mundo. abs
Desculpe a sinceridade, o senhor está mais bonito depois de 20 anos! :}
Meu amigo, sucesso em mais uma cobertura de sustentabilidade!
Que as próximas sejam para comemorar o sucesso das negociações dessa, e não para correrem atrás do que não foi resolvido!
Bom trabalho do seu colega de profissão
Luis Corvini
Manifesto RIO+20 (Na oportunidade da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável)
Convergir para iluminar consciências perdidas nas sombras do mundo, é dar asas ao fogo que Prometheo furtou dos deuses para aplacar o sofrimento da humanidade, refém da penúria e da ignorância.
De então para hoje, mudaram as armas ― mas a matança continua; a ciência propiciou inventos e comodidades e a filosofia, conhecimento e alternativas ideológicas ― mas as guerras e a miséria centradas na ganância, no egoísmo e no preconceito continuam.
A extraordinária competência dos modernos recursos apoiados nos avanços da informática, que permitiriam a humanidade descolar da insanidade e da arrogância, estão servindo para incrementar a alienação de mentalidades, conduzindo-as para o abismo das vaidades, das futilidades e do gozo fácil e superficial da vida, quase nada somando ao crescimento interior e à expansão da consciência. O enorme poder de transformar alcançado, está a revelar um homem pueril e deslumbrado, incapaz de elevar-se e construir um mundo sereno e saudável.
QUEM AMA, LIBERTA — QUEM LIBERTA, PACIFICA.
Talvez, não haja parâmetro mais rigoroso do que este para revelar a distinção entre a face humana egocêntrica e destrutiva e a face desprendida e construtiva.
Realizar a transição do estágio de predador para o de protetor, segundo diretivas de evolução da dinâmica universal, deve ser o propósito de nossa presença neste canto do cosmos, onde a liberdade constitui um exercício de arbítrio, que vale tanto para os que buscam as alturas celestes, quanto para os que se inclinam às profundezas infernais.
Entretanto, desta injunção resulta corolário fatal: pode-se optar ao plantar, mas não, na hora de colher. Logo, tudo depende de escolhas e do empenho aplicado, pois, invariavelmente, gera-se consequências que interagem na estrutura das causas. Elementar ― mas quase sempre se bate na porta do ensaio e erro ― porque na hora de ser, estar, querer, ter e fazer não se empresta tempo à reflexão.
Aplainar jornadas, restringindo possibilidades de opção, ante a multiplicidade de formas, modos e inúmeras alternativas de ser, estar e fazer que a vida proporciona, mediante imposição de idéias, padrões e modelos para ordenar vontades, soa absurdo, pois a diversidade naturalmente estabelecida está sempre a reclamar um quantum de liberdade para viabilizar o ajustamento e a harmonização das contradições geradas pela interação dos sistemas em desenvolvimento.
Portanto, tentativas de nivelar a história futura, como as investidas globalizantes em curso, buscando eliminar diferenças qualitativas, ofendem o princípio natural de diversidade observado em todos os domínios da vida e, aceleram as crises que se abatem sobre o ecológico e o econômico, evidenciando suas contradições.
Senão, como explicar os esforços de preservação da diversidade biológica natural, construída sob o influxo de poder e inteligência que se quer suspeitamos, quando se ameaça seu equilíbrio com a dispersão de organismos com genética modificada pela ganância, pequenez e arrogância de alguns aventureiros?
Como vislumbrar decência ante a interferência gananciosa, que elimina a diversidade de sistemas de produção, consumos e organização que populações inteiras desenvolveram ao longo de sua experiência histórica, para promover o consumo de bens prescindíveis?
Qual o salto qualitativo que advém de transformar seres humanos em consumidores de automóveis e celulares?
Além de consumidor, predador, gerador de lixo e pagador de impostos, que outras perspectivas oferece o estado moderno para a construção do homem futuro?
Se para seduzir os primitivos indígenas das Américas, os conquistadores ofereciam quinquilharias de vidro, agora, para seduzir populações do mundo inteiro, oferecem celulares e automóveis. Em que difere o ingênuo indígena do letrado cidadão? A um ilude o brilho de cacos de vidro, a outro, os refinados recursos que a cada dia renovam os celulares – aqui, símbolo de muitas estratégias de escravização.
Para superar tantas e dissimuladas formas de sujeição, o indivíduo precisa alcançar uma certa dimensão de liberdade, que lhe permita devassar o horizonte além do banal propósito de ganhar dinheiro para desfrutar a vida, pois certamente, algo mais importante o espera, e digno de dó será, se não puder antever.
Para se ingressar em tal dimensão de liberdade, torna-se necessário o exercício de atitude racional pragmática, capaz de rever comportamentos, dogmas, e noções implantadas desde a ingênua infância, de sorte que ao indivíduo se permita controlar e construir o próprio entendimento, rejeitando a manipulação sutil que se aproveita do púlpito dos templos, das tribunas, dos meios de comunicação e de onde quer que se erga alguma bandeira ou esteja em disputa o poder.
Que seja regra – tudo submeter ao crivo da consciência, repelindo a manipulação oculta no fervor dos arautos.
J PINOLI
Não foi só você que mudou sua vida pessoal e profissional, meu amigo… Eu também! Não somente os jornalistas, mas muitos profissionais de diversas áreas estão caindo em si… E o mundo está mais informado! Graças aos cientistas, às tecnologias, às mídias e aos profissionais e cidadãos como você! Que essa energia e senso de urgência se espalhem! E viva a Rio 92 e a Rio +20!!!
Andre, parabéns pelo trabalho. Vc sabe utilizar com maestria a sua habilidade de influenciar pessoas ao bem. Sua abordagem sobre Ecologia vai muito além de \’\'vamos cuidar do planeta para os nossos filhos e netos\’\’. É uma imensa vontade de fazer com que entendamos que nesse mundo somos apenas comodatários, Falando da foto do crachá acho que para vc em especial os anos têm sido bem generosos, pois hoje seu semblante é de um homem realizado. A 1a foto é de um jovem em busca de sonhos. Abraços fraternos
Vida longa parceiro, para que no auge da sua Terceira Idade possa, mais uma vez, voltar a nos falar sobre o que estamos decidindo sobre nosso prestimoso planeta. E desta vez, que traga relatos contendo muito mais avanços e perspectivas menos nebulosas para o mundo! Particularmente não acredito que o homem vai fazer esta transformação!
Amigo, Porque seus cientistas sustentáveis não dizem que de 92 até hoje não houve qualquer aumento de CO2 ou mesmo afetou o “buraco na camada de ozônio”, aliás, onde se encontra o buraco??? Porque não dizem que os oceanos continuam, acredite, no mesmo nível! Será que não sabem que 72% da terra é coberta de oceanos??? Não sabem que o sol é o maior causador de alterações climáticas (normais e ciclicas) a quem interessa a catástrofe que nunca virá? Assista “A mentira do aquecimento Global” que esta disponível no Youtube, lá estão cientistas renomados e sérios, e não politicos e ambientalistas governamentais.
André..admiro seu trabalho, sua postura ética e dedicação à Causa…Você tem sido um servidor…e esta prece pode estar em seus lábios: \"Amorável Jesus, Senhor da Excelsa Vinha/ da Verdade e da Luz/ deixa, por fim, que eu seja/no ideal de servir a que me elevas/ um pobre e diminuto pirilampo/ MAS QUE EU VIVA E TRABALHE NO TEU CAMPO/ PERSISTINDO EM LUTAR CONTRA A FORÇA DAS TREVAS!!1\"m dOLORES/f C xAVIER