RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA

Tecendo Redes de Transformações

17/11/2008

Por Moisés Diniz *

Quanto texto, conferência, dissertação, opinião, tinta, tipografia, hemorragia de letras e quanto verbo acerca da necessidade de manter preservada a floresta. Só a quantidade de celulose utilizada em bilhões de páginas de papel, escritas sobre o assunto, reporia 2% da floresta devastada do planeta. E ninguém sugere que olhemos para as nossas origens na floresta, após a nossa longa, fria e tenebrosa passagem pelas águas.

Temos um medo abissal de olhar para as extremidades de nossos dedos e descobrir que, durante quase um século de milhões de anos, resistimos nas árvores. Nossas garras, que depois se transformaram em mãos, guardaram as marcas digitalizadas das cascas das árvores. Quando vamos retirar a nossa carteira de identidade, o nosso polegar denuncia a nossa origem animal e as marcas indeléveis que ficaram do tempo inestimável de nossa vida braquiadora na floresta.

Viemos de uma resistência biológica e ecológica de milhões de anos. Nossos antepassados, esgotado o período de especiação, estão na floresta a nos lembrar que a única coisa que nos separa dos mamíferos inferiores é a palavra e o raciocínio lógico. Isso já basta para entendermos que entre nós e os mamíferos inferiores deve existir uma cumplicidade que não deixa de ser gratidão.

Além de termos vindo de lá, a partir da evolução das espécies, nos alimentamos de sua carne e de seus frutos. Mesmo os animais domesticados um dia viveram na floresta. A partir das florestas ocupamos as planícies, as cavernas. De lá retiramos as nossas primeiras ferramentas, nossos nomes e vestimentas.

À exceção do sal, o que consumimos que não tenha vindo da floresta? Até os combustíveis fósseis são resultados de trilhões de árvores envelhecidas, apodrecidas e soterradas no quase intocável subsolo do planeta.

Tudo o que temos de mais forte e mais precioso em nossa carga biológica, genética e humana foi adquirido e aperfeiçoado na floresta. Nossas mãos retráteis nasceram do contato rústico e dolorido com as cascas das árvores. Nosso esqueleto de alta resistência e formidável elasticidade óssea foi construído entre os galhos, em nosso deslocamento arbóreo. Nossa visão estereoscópica é fruto da vivência entre as folhagens da copa das árvores.

Adquiridas essas ferramentas biológicas e esgotado o alimento em nosso nicho ecológico arbóreo, como uma espécie fugindo da extinção, descendo ao solo das imensas florestas, antes de nos aventurarmos nas planícies. Nas florestas demarcamos os nossos territórios, organizamos as nossas hordas e famílias e iniciamos o manuseio primitivo das primeiras ferramentas.

Antes de nossa espécie ter realizado a curva pré-histórica de supremacia ‘espiritual’ entre si e os animais inferiores, a alma não era exclusividade do homo sapiens. Os animais da floresta, especialmente os mais fortes e os mais inteligentes, eram dotados de espírito, que orientavam ou puniam o homo erectus. O espírito do búfalo, do urso, do leopardo, da águia, da serpente.

No longo período de transição entre o primata e o homem, nós vivíamos numa relação desigual com o meio ambiente e seus recursos naturais poderosos. Sofremos intempéries mortais do tempo glacial, da chuva ácida, do sol escaldante, dos vulcões, das torrentes e das tempestades. As feras da floresta nos dizimavam como formigas e nosso tempo era curto em cada território e caverna.

Então, decidimos nos vingar, nos transformamos numa força geológica.

Entre 1500 e 1800 foi eliminada uma espécie em cada 10 anos. Entre 1800 e 1900 foi eliminada uma espécie a cada ano. Em 2000 desapareceram 10 espécies por dia. Atualmente, cerca de uma espécie está desaparecendo por hora. Entre 1970 e 2000 desapareceram aproximadamente 20% de todas as espécies de vida.

A partir de 1900 perdeu-se a quinta parte da superfície cultivável e das florestas tropicais. De 1970 a 1990 o desmatamento foi de 20 milhões de hectares. Atualmente, cerca de 10 milhões de hectares são desmatados ou degradados por ano, o que representa uma área do tamanho de um campo de futebol a cada dois segundos.

Mais de 70% das florestas originais já foram destruídas e somente 20% das florestas nativas permanecem intactas. Uma árvore é plantada para cada dez que são derrubadas. Nesse ritmo, a floresta tropical restante estará destruída até 2050. O planeta já perdeu metade de sua extensão florestal original, principalmente nos últimos 150 anos.

Alguns estudiosos afirmam que esta é a maior onda de extinções desde o desaparecimento dos dinossauros há 60 milhões de anos. Mais de 20% dos mamíferos, mais de 10% dos pássaros e cerca de 15% das plantas enfrentam essa ameaça, em grande parte devido à destruição do seu habitat. Somente no Brasil, mais de 80 culturas humanas foram perdidas e, nos próximos 20 anos, o mundo verá a perda de milhares de espécies de plantas e de animais.

A cada ano perdem-se 20 milhões de toneladas de húmus por causa da erosão, salinização e desertificação e, devido à degradação do solo, o planeta perde por ano mais de seis milhões de hectares de terras cultiváveis.

Na última metade do século passado o mundo perdeu 60% de suas reservas de água potável. A quantidade de água potável que está acessível – seja em lagos, rios ou represas – representa menos de 0,25% do total de água doce. Em 1990, 25% da população da América Latina e do Caribe não tinham acesso à água potável. Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas no mundo não tenham acesso à água potável e mais de 4 milhões (um número dez vezes maior que o de mortos em guerras em todo o mundo), crianças na maioria, morram, a cada ano, de doenças causadas por água contaminada que provoca milhões de enfermidades.

A cada ano 500 milhões de toneladas de lixo perigoso são produzidas no mundo. Apenas os Estados Unidos da América são responsáveis por 50% desse lixo. A biodiversidade dos ecossistemas de água doce diminuiu mais de 40% de 1970 até 1990. Já o ecossistema marinho perdeu cerca de 30% de sua biodiversidade nestes mesmos 20 anos. O consumo de fertilizantes aumentou de maneira brutal e inaceitável, saindo de 10 para 60 milhões de toneladas por ano no intervalo de 20 anos.

Desde o ano de 1960 cerca de 500.000 espécies têm desaparecido e cerca de 40.000 estão ameaçadas. O aumento da extinção pode ser agravado pelo altíssimo e desenfreado consumo humano, pela poluição dos recursos naturais, através do aquecimento global e pela elevação do nível do mar.

A nossa vingança se voltou contra nós mesmos e estamos a destruir as últimas reservas de água, floresta e toda a acumulação primitiva de recursos naturais. Estamos matando a nossa galinha dos ovos de ouro e sequer a maioria da população tem acesso aos ovos.

Uma minoria consome os recursos naturais, que se tornam bens sofisticados, enquanto a maioria da população do planeta não sabe o que é beber água potável e alimentar-se três vezes ao dia. Apesar disso, o planeta está se exaurindo e deixando órfãs de seus recursos naturais as gerações do futuro.

No decorrer dos séculos, com o avanço da tecnologia, perdemos a cumplicidade entre o ser humano e o espaço verde que nos criou e nos alimenta. Os homens que dirigem o planeta são os antigos mamíferos que se tornaram lobos do semelhante. Eles cuidam de sua alcatéia, de sua minoria, a controlar e consumir os recursos naturais com cérebro de lobo e estômago de lagarta.

Talvez uma maldição biológica explique a nossa vingança.

Nossos genes são quase iguais aos genes dos ratos. Quanto aos macacos somos mais semelhantes, além dos genes, da herança do esqueleto, da fisiologia, da fisionomia e das digitais. Somos descendentes próximos dos macacos e parentes distantes dos anjos. E ainda temos a ousadia de afirmar que somos filhos de Deus.

Durante setenta milhões de anos vivemos nas florestas. Quanto à vida humana nas cidades ainda não completou meio milhão de anos. E por que tanto desamor aos recursos naturais? Por que tanta indiferença às formas de vida indefesa das florestas e das águas?

Dentre os animais nós somos os únicos capazes de envenenar a própria água que bebemos, de matar um ser vivo sem ter a necessidade de comê-lo para saciar a fome, de escravizar o semelhante, de torturá-lo. Contraditoriamente, somos os únicos que têm alma e, se não bastasse, somos os únicos seres vivos que riem.

A verdade é que toda a nossa ferocidade ancestral e os nossos instintos mais primitivos foram organizados em leis, em códigos canônicos e em sociais convenções. O presídio de hoje é a árvore oposta que abrigava a família de símios que queria roubar os meus frutos. A civilização é uma pele humana que cobre a nossa animalidade ancestral.

Talvez, por isso, não consigamos olhar com fraternidade para as formas de vida que não riem, não torturam, não matam a si mesmas, não rezam, não escravizam. Felizmente, nós somos a única espécie que perdoa.

Por isso a nossa aposta na espécie humana, na sua capacidade de transformar lixo em arte, de recuperar os rios, de reciclar sua urina, de fazer de um grito uma música, de transformar o desejo mais simples em utopia e de, finalmente, perceber a dimensão da dor nas formas de vida que não fazem parte da civilização.

Somente uma nova ordem humana e ecológica e uma nova filosofia de
produção e de consumo serão capazes de deter a barbárie da civilização. Que os antigos espíritos dos animais da terra e das águas nos orientem no rumo ontológico de nossas origens e de nossas utopias coletivas, embebidas no orvalho amazônico da fraternidade e na cura das enfermidades da alma humana, reconstruindo o pacto sócio-ecológico entre o homem e a floresta.


* Moisés Diniz é professor e deputado estadual (PCdoB/Acre)



Fonte: O autor, publicado pelo Portal do Meio Ambiente

Tags: ecologia, profunda

Compartilhar 

Adicione um comentário

Você precisa ser um membro de RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

4 Comentários

Eduardo Sejanes Cezimbra Comentário de Eduardo Sejanes Cezimbra em 25 novembro 2008 às 10:24
E aí está o rebote:
Enchentes em SC 'são reflexo de mudanças na Amazônia', diz 'Clarín'
Sistema de formação de nuvens e chuvas na floresta foi alterado, diz jornal argentino.

- As enchentes em Santa Catarina, que mataram dezenas de pessoas e deixaram milhares desabrigadas, são sinal de que o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia já está tendo um reflexo sobre o clima da América do Sul, diz artigo na edição desta terça-feira do jornal argentino, Clarín.

"Começa então a se cumprir, muito antes do previsto, o que vêm advertindo os cientistas, entre eles os do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. (...) As mudanças na floresta amazônica, em conseqüência do aquecimento global e da ação destrutiva do homem, já começaram a se fazer sentir no Cone Sul", diz o diário.

"As tempestades em Santa Catarina, simultaneamente às fortes secas no Chaco, em Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé e Córdoba" são citados pelo artigo como reflexos de mudanças na Amazônia.

O Clarín ouviu dois especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) para explicar o fenômeno.

Segundo o jornal, "o físico Antônio Ozimar Manzi afirmou: 'Esta zona (que inclui a selva no Brasil e mais outros oito países da região) é a principal fonte de precipitações na região'. E tudo o que acontecer modificará de maneira decisiva o clima no sul e no norte da América do Sul".

Paulo Artaxa, também ouvido pelo jornal argentino, explica que "no céu da Amazônia há um sistema eficaz de aproveitamento do vapor d'água (...) mas a fumaça dos incêndios florestais altera drasticamente este mecanismo: diminui a formação de nuvens e chuvas em algumas regiões e aumenta as tempestades em outras".

O Clarín conclui que "não é de se estranhar fenômenos como as inundações de Santa Cataria quanto a seca no norte, centro e leste da Argentina".

"Não são castigos divinos, mas bem humanos.





Fonte: Estadão Online Ciência / BBC brasil.
Maria Thereza Amaral Comentário de Maria Thereza Amaral em 25 novembro 2008 às 10:18
Viver num lugar destes e ver paulatinamente este lugar ser destruído por idiotas (no real sentido da palavra, não tem capacidade para avaliarem o mal que estão fazendo e quando perceberem, vão se fazer de "idiotas" ...) quase faz viver em São Paulo parecer um "paraíso".
Eduardo Sejanes Cezimbra Comentário de Eduardo Sejanes Cezimbra em 25 novembro 2008 às 8:41
Também achei belíssimo.Tanto pela profecia quanto pela poesia.
E que paradoxo,não?A civilização encontro seu clímax na floresta.
Um ciclo que se completa.
E que bom que vais panfletar,rumo ao milionésimo humano!
Acauã Rodrigues Comentário de Acauã Rodrigues em 25 novembro 2008 às 1:13
.

"Somente uma nova ordem humana e ecológica e uma nova filosofia de
produção e de consumo serão capazes de deter a barbárie da civilização. Que os antigos espíritos dos animais da terra e das águas nos orientem no rumo ontológico de nossas origens e de nossas utopias coletivas, embebidas no orvalho amazônico da fraternidade e na cura das enfermidades da alma humana, reconstruindo o pacto sócio-ecológico entre o homem e a floresta.
"

Edu

Belíssimo texto. Vou panfletar...

Obrigado

Aca

.

Translate this Network

Últimas atividades

Eduardo Sejanes Cezimbra adicionou um vídeo
Este vídeo é um brado de alerta para nos darmos conta do fizemos com a Mãe Terra e seus filhos e filhas.
ontem
josias j nascimento, Bernadedth S. Rocha Simões e DR LUIS M M R SIMPLICIO entraram em RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA
ontem
marina silveira atualizaram seus perfis
ontem
Eduardo Sejanes Cezimbra A escolha é simples:PLANETA X AQUECIMENTO GLOBAL. VOTO PELO PLANETA!!!
quinta-feira
eliani gonçalves bagatoli é agora um membro de RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA
quarta-feira
Ricardo Martins adicionou uma postagem no blog
AMIGOS, REPASSANDO DIVULGAÇÃO LUZ E PAZ, R. grato, Cezimbra Tá cansado de notícia ruim? Pois é... Marcando este 11/11/11, meu blog pessoal, o OutroMundo ( http://ricardomartins1111.blogspot.com ), coloca no ar uma nova editoria, especializada e...
quarta-feira
Eduardo ASAF e Ivanilde Maria foram destacados
quarta-feira
Maria das Graças Papalardo adicionou 10 fotos
quarta-feira
Maravilhoso...adorei, Paz, Om Shanti!
terça-feira
Eduardo Sejanes Cezimbra adicionou um vídeo
Somos Todos UM!
terça-feira
Marco Llobus adicionou uma postagem no blog
DE 12 A 15 DE NOVEMBRO - PINHÕES / SANTA LUZIA - MG PARTICIPAÇÃO DE VÁRIOS MESTRES DA CULTURAL POPULAR MESTRES CONFIRMADOS Dona Divina - Comunidade do Matição (Ação Griout) Dona Edméa - Belo Horizonte (Projeto Cavuco) Dona Helena - Santa Luzia ...
segunda-feira
Um comentário "inconveniente" enviado pelo meu amigo Raymundo Araújo, veterinário homeopata: Amigo Edu Envio prá ti, solicitando que postes na Rede, se achares conveniente. "Não faltam dados nem discussão pra entendermos a desgraceira do agrone...
segunda-feira

Badge

Carregando...

Música

Carregando...

Fórum

Cao Guimaraes

Transplantes e transgênicos 56 respostas 

Transdisciplinaridade, o motivo que nos une nesta Rede, inclui aceitar que um músico fale sobre medicina, um dentista dê lições de ecologia, uma professora de física escreva poesia. Então vamos lá,...

Iniciado por Cao Guimaraes em Não-categorizado. Última resposta de Dhan 3. Nov, 2008.

Dhan

... e quem são vocês? 39 respostas 

Ando cada vez mais curiosa sobre os novos membros que têm como foto pessoal a capa do filme "Quem somos nós"! Então, é um grupo que aprofunda o tema (excelente, por sinal) ou é mera coincidência? C...

Iniciado por Dhan em Não-categorizado. Última resposta de Maria Thereza Amaral 26. Maio, 2008.

Dhan

O que você está lendo? 30 respostas 

Estou sugerindo este tópico para darmos uma ligada geral no coletivo - é uma maneira das pessoas se apresentarem independentemente do aconchego das suas páginas pessoais ou dos sub-grupos temático...

Tag: leitura, contatos, resenhas, integração, trocas

Iniciado por Dhan em Não-categorizado. Última resposta de Miguel Accacio 12 Mar.

Eduardo Sejanes Cezimbra

A mídia só é livre quando a mente é livre 29 respostas 

Evandro Ouriques introduz no I Forum de Mídia Livre a questão da Mente Livre Seiscentas pessoas já confirmaram sua participação no 1º Fórum de Mídia Livre (FML), que acontecerá no Rio de Janeiro n...

Tag: comunicação, consciência, transdisciplinaridade, liberdade, mídia

Iniciado por Eduardo Sejanes Cezimbra em Exemplo de título. Última resposta de Cris 21 Mar.

Eduardo Sejanes Cezimbra

Infanticídio põe em xeque respeito à tradição indígena 15 respostas 

Postado por Acauã na Retrans e-ventos: Caros Taí um exemplo de debate complexo. Respeito (de verdade) às tradições dos povos da floresta, ou impor "nossa" cultura de direitos humanos. Ou nós é que ...

Tag: indígenas, relativismo, leis, cultura

Iniciado por Eduardo Sejanes Cezimbra em Não-categorizado. Última resposta de Acauã Rodrigues 1. Jul, 2008.

Cao Guimaraes

As origens do azar 14 respostas 

Você é um excelente motorista, é claro. Mas hoje, só hoje, você foi a uma festa com os amigos, bebeu cerveja, perdeu a hora. Sua filha está na porta do prédio esperando por você. Às pressas pela es...

Iniciado por Cao Guimaraes em Não-categorizado. Última resposta de Dhan 12. Maio, 2008.

DILTON SILVA DE JESUS

VIDA ABSOLUTA? 11 respostas 

Podemos admitir a possibilidade de vida = Fiat-Lux?

Iniciado por DILTON SILVA DE JESUS em Exemplo de título. Última resposta de Acauã Rodrigues 4. Dez, 2008.

Eduardo Sejanes Cezimbra

"O Fim da Comida" 10 respostas 

Entrevista com Paul Roberts Em 2050, seremos todos vegetarianos. Comer menos carne é o único meio de alimentar 10 bilhões de humanos, diz o autor de "O Fim da Comida" Peter Moon Data: 16/06/20...

Iniciado por Eduardo Sejanes Cezimbra em Exemplo de título. Última resposta de Cris 25. Ago, 2008.

Acauã Rodrigues

Macacos Conscientes do Ponto Azul e Emanações da Coisa 9 respostas 

. Caros Assistir o vídeo "O Pálido Ponto Azul" e em seguida o "Dancem Macacos, Dancem" é uma experiência. Dá uma sensação de um certo descolamento do mundo cotidiano, e talvez um princípio de visl...

Iniciado por Acauã Rodrigues em Não-categorizado. Última resposta de Laerte Willmann 12. Maio, 2008.

Eduardo Sejanes Cezimbra

Entrevista com Edgar Morin:O desafio da complexidade e da transdisciplinaridade. 9 respostas 

O desafio da complexidade e da transdisciplinaridade. Entrevista com Edgar Morin Se há um intelectual francês para quem a expressão ‘mestre’ ainda tem um sentido, este é Edgar Morin. Um mestre do...

Tag: interdisciplinaridade, complexidade, transdisciplinaridade

Iniciado por Eduardo Sejanes Cezimbra em Não-categorizado. Última resposta de João Beauclair 31 Maio.

Livros recomendados pelo IPETRANS

A vida secreta dos ingredientes - Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)
Entrevista com o AUTOR

Apocalipse Motorizado

Ned Ludd (org.)

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

OS AUTORES
Ivan Illich (1926-2000) foi um dos pensadores mais surpreendentes dos anos 70 e 80. Com precisão e força atacou cada um dos falsos consensos da sociedade ocidental. O texto de Illich neste livro teve imenso impacto no pensamento libertário de hoje.

André Gorz nasceu em Viena, em 1924, é autor de ´Crítica da Divisão de Trabalho´ (Martins Fontes, 1989)

Aufheben é o nome de um grupo autonomista marxista da Inglaterra surgido nos anos 90.

Car Buster é a principal organização ativista internacional do movimento anticarro.

Reclaim The Streets é um dos principais movimentos ativistas de Londres que surgiu em 1991 com o intuito de tornar as ruas um local de convívio entre pessoas e não somente um espaço de passagem.

Ned Ludd é organizador do livro Urgência nas Ruas ­ Coleção Baderna - Conrad, 2002


Ciência precisa de metáforas melhores, diz pesquisador
Livro critica estágio atual da biologia e sugere caminhos para o futuro dessa disciplina

Se a poesia emprega metáforas para despertar o encanto, também a ciência usa esse recurso, para uma melhor compreensão de conceitos abstratos ou complexos. Por isso os cientistas falam, por exemplo, da movimentação do som por meio de "ondas". Porém, se na poesia o mau uso de metáforas resulta apenas em uma obra duvidosa, na ciência a compreensão literal das metáforas leva a perigosos mal-entendidos.

Esse é o eixo central das idéias discutidas por Richard Lewontin, pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), em conferências realizadas em Milão que, com o acréscimo de mais um capítulo, tornaram-se o livro A tripla hélice. Lewontin debate a idéia de que somos pré-determinados pelos genes, aponta incorreções na teoria da evolução de Darwin, discute a visão cartesiana de que o corpo é uma máquina e sugere caminhos para o estudo da biologia.

O autor critica o uso do termo desenvolvimento para sintetizar as alterações por que passamos do nascimento à morte. Lewontin afirma que o "termo traz a idéia de algo que se desenrola a partir de algo já presente". Segundo esse conceito, as características dos seres vivos seriam a mera expressão do seu material genético e nunca dependeriam da influência do ambiente (como se verifica, nos humanos, no caso da língua que cada indivíduo fala).

Lewontin também discute a atualidade da teoria da evolução. O termo criticado dessa vez é a adaptação -- "o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma existência preexistente". Segundo esse conceito, a diversidade das espécies resultaria da existência de "diferentes tipos de ambientes aos quais os seres vivos se compatibilizaram mediante a seleção natural". O autor condena a separação entre ambiente e organismo. As formigas, por exemplo, fazem ninhos, as plantas consomem gás carbônico do ambiente e produzem o oxigênio a ser usado pelos animais. Organismos e ambiente agem um sobre o outro em um processo constante de transformação.

Mais uma metáfora combatida é a comparação de seres vivos a máquinas. Para estudar um organismo, a biologia divide-o em partes, como se fosse possível separá-lo em funções e em seguida "determinar um todo claro e de anatomia óbvia". É impossível estudar como alguém segura um objeto analisando apenas os movimentos da mão. Ele precisa dos olhos para ver, os músculos se contraem a partir do encurtamento das fibras musculares, que por sua vez depende da química das proteínas actisina e miosina.

Embora admita que as técnicas de que a ciência dispõe já bastam para que avanços sejam feitos, Lewontin esclarece que as respostas que a biologia elabora dependem das perguntas que faz. Se o estudo dos seres vivos está permeado de noções equivocadas, as perguntas serão mal-formuladas e as respostas não esclarecerão o que realmente interessa.

A tripla hélice é um livro atual e envolvente. Em uma linguagem simples, porém de raciocínios complexos, permite uma leitura surpreendente a quem quer que tenha domínio razoável de biologia e genética.


A tripla hélice - gene, organismo e ambiente
Richard Lewontin (trad.: José Viegas Filho)
São Paulo, 2002, Companhia das Letras
138 páginas - R$ 25

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
03/09/02

Notas

Porque NÃO!

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago 2009 at 13:13. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago.

Hora do Planeta


" Veja o seu mundo sob uma Luz totalmente diferente "

28/março : 20:30h horário local - desligar a eletricidade por 1 hora em sintonia com vários países - cada vez mais pessoas aderem a esta causa !
Participe e divulgue !!!

Em 2007 - esta idéia começa e toma conta da Austrália

Em 2008 - 35 países se unem, mais de 50 milhões de pessoas cadastradas que fizeram a diferença apagando
a Luz por uma hora e deixando a Mãe Terra respirar ...

Participem

Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar 2009 at 11:00. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar.

Fotos dos membros da RETRANS

O slideshow da RETRANS, na página principal, comporta o nº máximo de 100 fotos.
As demais fotos (mais de mil fotos!) publicadas pelos membros seguem arquivadas em suas páginas pessoais ou nas páginas de FOTOS.Portanto, para quem quiser ver ou rever mais fotos basta clicar no link Fotos( parte superior da página principal) ou nas páginas pessoais de cada membro.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 21 Jun 2008 at 10:44. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 23 Mar.

Objeções de consciência

Reservista israelense se nega a invadir Gaza

Um reservista escalado para invadir a faixa de Gaza se recusou a entrar no território como protesto contra a morte de centenas de palestinos, muitos deles civis, na Faixa de Gaza.

O militar, de 35 anos, integrante de uma unidade de engenheiros, foi condenado a 14 dias de prisão por insubordinação, informou em um comunicado a organização Ometz Lesarev, que apóia soldados que não concordam co… Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar 2009 at 10:50. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar.

Homenagem a Pierre Weil na Feira do Livro de Poa/RS


Encontro de autores da RETRANS na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Em Busca da Paz

© Antônio Dayrell

(À memória de Pierre Weil*)

Pela paz soltaram as pombas do cativeiro,
um ano foi especialmente dedicado.

Pela paz construíram as armas,
homens perderam suas vidas,
famílias se viram destruídas.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 25 Nov 2008 at 16:06. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 5 Mar.

© 2009   Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Entrar no bate-papo