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Discussão sobre educação libertária.

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Bakunin

Mikhail Alexandrovich Bakunin (1814–1876)
A emancipação econômica deve ser a mãe de todas as outras; não poderá haver sociedade sem classes enquanto uma minoria elevar-se acima das massas e fizer de seu saber um instrumento de dominação e exploração.
Todos devem instruir-se e todos devem trabalhar. Enquanto a moral cristã vê no trabalho um castigo, uma maldição, uma degradação; a moral anarquista faz dele a condição suprema da felicidade e da dignidade humanas.
Toda educação racional nada mais é, no fundo, do que a imolação progressiva da autoridade em proveito da liberdade, onde esta educação tem como objetivo final formar homens livres, cheios de respeito e de amor pela liberdade alheia. Assim, o primeiro dia da vida escolar – se a escola aceita as crianças na primeira infância, quando elas mal começam a balbuciar algumas palavras – deve ser o de maior autoridade e de uma ausência quase completa de liberdade; mas seu último dia deve ser o de maior liberdade e de abolição absoluta de qualquer vestígio do princípio animal ou divino da autoridade. Portanto, a educação das crianças, tomando por ponto de partida a autoridade, deve sucessivamente resultar na mais completa liberdade”.

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Marco

Charles Fourier

Iniciado por Marco 22. Ago, 2008.

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12 Comentários

Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 6 novembro 2008 às 9:03
Um manifesto anarquista


(Este documento foi originalmente escrito pelo Coletivo Anarquista da Faculdade de Melbourne, em 1989, como um panfleto em formato A4 de dupla face, para expressar nossa versão de uma política anarquista.)

Liberdade sem Socialismo é privilégio; Socialismo sem Liberdade é Tirania.

O anarquismo constituiu-se na mais incompreendida das filosofias políticas, talvez porque ameace tanto a ordem estabelecida quanto aqueles que pretendem tornar-se nossos novos senhores. Os anarquistas são constantemente convocados a negar a imagem que deles é apresentada pela Esquerda e pela Direita. Dominados por essas imagens mentirosas ou sofrendo de seus próprios preconceitos, poucos se dão ao trabalho de investigar a realidade. Com estas preocupações em vista, nós produzimos este anuário do que realmente acreditamos.
Os anarquistas tem como objetivo a ampliação da liberdade para todos. Nós acreditamos que as pessoas devem ser livres a ponto de poderem determinar o seu próprio destino e suas atividades, dentro dos limites exigidos pelo respeito aos iguais direitos dos outros. A liberdade deve ser real, no sentido de existente, e efetiva, no sentido de prática, destituída de quaisquer proibições legais ou constrangimentos materiais, desnecessários.
Os anarquistas combatem a autoridade e a hierarquia. Todas as pessoas devem ser consideradas iguais. Ninguém tem o direito de exigir ou esperar obediência de outros, exceto quando necessário à proteção de iguais direitos.
Os anarquistas lutam contra o patriarcado. Marca coercitiva das relações sociais fundadas na hierarquia de gênero (ou de sexo) o patricardo oprime e cala a mulher, em ações das quais ainda hoje não estamos plenamente conscientes. As estruturas patriarcais devem ser destruídas, onde quer que sejam identificadas.
Os anarquistas não se opõem à organização. A anarquia traz consigo a idéia de organização, entendida como cooperação ente iguais, livre das relações opressivas de poder. Frequentemente, a falta de organização permite a opressão, sem que se a perceba, e oferece simplesmente a vantagem do mais forte sobre o mais fraco. Nós devemos nos organizar, de modo a prevenir isto. Nós nos opomos, todavia, aos tipos de organização fundados na autoridade e na hierarquia, e àquelas que promovem desnecessária arregimentação e subordinação de indivíduos ou estrangulamento da criatividade individual. Nós nos opomos, implacavelmente, à centralização do poder.


Os anarquistas sustentam a necessidade da democracia direta. Onde as divergências entre as pessoas não podem ser resolvidas de forma cooperativa, a vontade da maioria deve ser respeitada. As decisões consensuais sempre serão ideais, mas onde o consenso não puder ser obtido, procedimentos democráticos devem ser adotados. A consideração das pessoas como iguais exige isto. As democracias representativas e parlamentares contituem fraudes que separam o governo do povo, negam-nos o controle sobre nossas próprias vidas e encorajam a apatia dos cidadãos. A democracia real coloca o poder nas mãos do povo, ao fazer com que todas as decisões sejam tomadas por votação nos locais de trabalho e nos conselhos comunitários.
Os anarquistas tem como objetivo a destruição do Estado. O Estado, um poder que se sustenta pela separação do povo e acima deste, será sempre opressor. Ele tem os seus próprios interesses: sua forma natural é a burocracia, e os militares, a polícia e a força de repressão constituem suas armas. O "controle" do Estado é uma ilusão que corrompe muitos revolucionários. Nós não seremos livres enquanto o Estado existir.
Os anarquistas tem como objetivo o fim da propriedade privada. Nossas necessidades nos acorrentam, tnato quanto os nossos inimigos. "Liberdade" sem os meios de exerce-la é uma enorme fraude. Nós não seremos livres para fazer o que podemos porque outros nos negam os recursos. O monopólio capitalista dos meios de produção, o seu controle da riqueza da sociedade nos escraviza tanto quanto um revólver apontado para nossas cabeças. A separação entre o político e o econômico é um mito burguês. A verdadeira igualdade social exige o igual acesso aos meios de produção. Por esta razão, os anarquistas são socialistas (embora nem todos os socialistas sejam anarquistas).
Os anarquistas sustentam a necessidade de uma Revolução total.
Não há um sequer dos inimigos contemporâneos - Capitalismo, Patriarcado e o Estado - que possamos deixar intacto, se tivermos como objetivo construir um mundolivre de opressão. Como o câncer, essas estruturas reaparecerão e destruirão a liberdade, se não forem enfrentadas onde e quando se apresentarem, e destruídas completa e simultaneamente. Considerando que nosso objetivo consite na total destruição da ordem existente, não podemos ter a pretensão de realizá-lo com práticas reformistas dentro dessa ordem.
Os anarquistas recusam a distinção entre meios e fins. Libertação, revolução constituem nossas atividades, não nossas finalidades. Por essa razão, nunca alcançaremos a liberdade através de métodos autoritários nem destruiremos o Estado apoderando-nos de seu controle.
Os anarquistas não seguem líderes. Nimguém pode liderar-nos tomando a responsabilidade sobre nossas próprias vidas. Somente a nós cabe a nossa libertação. A única "liderança" que reconhecemos é a do exemplo.
Os anarquistas desejam um futuro melhor. Concebemos um futuro livre de opressão, com as pessoas vivendo em comunidade, no controle de sua próprias vidas. Imaginamos uma sociedade autogovernada através dos locais de trabalho e dos conselhos comunitários, tomando decisões de forma democrática, cooperando e organizando. Defendemos uma socieade onde as decisões "econômicas" sobre a produção e distribuição, que nos afetam a todos, serão tomadas democraticamente, ao invés de deixadas nas mãos de uns poucos privilegiados. Livres dos destruidores imperativos do capitalismo, seremos capazes de viver em harmonia com o meio ambiente usar a tecnologia em nosso favor, e não em favor dos patrões; e escapar da ameaça de nova guerra, derivada das necessidades do Capital e do Estado de ampliar sua influência. Nós construiremos nosso próprio futuro.
Os anarquistas estão convencidos de que seu modelo social funciona. Nós acumulamos força com os exemplos dos revolucionários anarquistas, sempre à frente dos movimentos progressistas, através da história. Aprendemos com a Guerra Civil na Espanha, onde camponeses e trabalhadores apoderaram-se de grandes áreas de terra e organizaram-se de acordo com os princípios anarquistas. Aprendemos com outras organizações anarquistas e com a nossa própria experiência, à medida que procuramos realizar a teoria anarquista na prática de nossas vidas.



Anarquia para o novo Milênio!
Os recentes acontecimentos históricos servem para sublinhar a importância do pensamento anarquista no mundo contemporâneo. O colapso da Rússia e as transformações ocorridas no leste europeu desacreditaram definitavamente o socialismo autoritário. Os males do capitalismo, no entanto, permanecem subsistindo. A agressiva execução das políticas de mercado "livre" em nível mundial (a globalização da economia), através do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e da Organização Mundial do Comércio, tem gerado não apenas um aumento da disparidade entre o rico hemisfério Norte e os povos depauperdos do hemisfério Sul, mas também um profundo abismo entre ricos e pobres em cada um desses hemisférios. O que se exige claramente, portanto, é uma revolução que não pretenda apenas substituir um grupo de patrões por outro. A acelaração da crise ambiental enfrentada pelo planeta é outro indicador da imprestabilidade das atuais estruturas sociais para atender as reais necessidades do povo. Uma socieade em que as decisões políticas/econômicas são tomadas por políticos/patrões indiferentes às consequências de suas decisões jamais viverá em harmonia com o meio ambiente. Somente atribuindo o poder de tomar decisões àqueles que vivem e trabalham em uma área alcançaremos uma comunidade auto-sustentável, de livres e iguais.

A escolha, portanto, está entre os de sempre - a guerra, a pobreza, a injustiça, a destruição ambiental - ou a Anarquia. Nossa escolha é clara.

a-infos de 2 de dezembro de 1996
(tradução livre)

Procurai e encontrareis.
Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 4 novembro 2008 às 22:52
Tibet Livre.
Free Tibet.
Libera Tibet. (esperanto lingvo)
Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 19 outubro 2008 às 0:27
tem q se cadastrar antes de utilizar.
metodologia inicial para conversas na rede ning.
Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 19 outubro 2008 às 0:15
Wagner,

Dê uma olhada nesse slideshow:

http://www.slideshare.net/lalgarra/como-isto-funciona?src=embed#

Como funciona a rd social ning?
Wagner Sant Anna Figueiredo Comentário de Wagner Sant Anna Figueiredo em 15 outubro 2008 às 21:59
Ainda estou aprendendo lidar com as ferramentas da internet.
Marco Comentário de Marco em 6 outubro 2008 às 22:23
Porto Alegre (RS) – Organizações civis fazem novas denúncias de truculência da Brigada Militar, desta vez contra moradores de rua em Porto Alegre (RS). De acordo com o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), pelo menos cinco moradores de rua foram detidos sem motivo por policiais em um quartel na semana passada.

A vice-presidente do Conselho, Iara da Rosa, conta que o órgão recebeu uma ligação na quinta-feira passada denunciando a ação da Brigada Militar. Quando chegou ao quartel foi proibida de falar com os moradores de rua. Ela afirma que além dos cinco que estavam detidos, chegaram outros dentro de uma van, mas ela não conseguiu verificar quantos eram.

Rosa garante que o fato não é um caso isolado. As detenções a moradores de rua vêm ocorrendo de forma sistêmica desde 2006, mas se tornou mais recorrente a partir do ano passado. Ela avalia que a truculência da Brigada Militar é um reflexo da política adotada pelo governo Yeda Crusius.

“O motivo é o preconceito, é o fato de serem moradores de rua, de serem pobres, porque essa tem sido a sistemática da Brigada Militar. Essa ação eles fazem como se estivessem fazendo uma higienização, só que isso é paliativo, não resolve a situação, nós precisamos de políticas públicas. E a culpa é muito da mídia, principalmente da RBS que faz sempre reportagens criminalizando os moradores de rua e enchendo o ego do Comandante Mendes”, diz.

A conselheira afirma desconhecer os motivos das detenções, que prejudicaram os moradores de rua. Segundo Rosa, as pessoas permaneceram detidas por mais de cinco horas, tempo suficiente para que perdessem o horário para entrar nos albergues.

No entanto, o Tenente Coronel Carlos Bondan do 9º BPM (Batalhão da Polícia Militar) nega que a Brigada Militar tenha detido moradores de rua por preconceito. Ele afirma que somente é detido quem estiver praticando atos contra a ordem pública, como uso de drogas, fazendo necessidades fisiológicas nas calçadas ou brigando na via pública.

“Nós não temos ações voltadas contra moradores de rua, deixar bem claro, contra aqueles que estão praticando infrações no leito da vida pública e não interessa quem”, diz.

O Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, vereador Guilherme Barbosa (PT), avalia que a prisão foi ilegal por ter ocorrido na véspera das eleições. O Código Eleitoral determina que cinco dias antes até 48 horas depois do pleito, nenhum eleitor pode ser detido nem preso, com exceção dos casos de flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou desrespeito a salvo-conduto.

“A Brigada não obedece limites, é uma determinação do comandante-geral, Coronel Paulo Mendes. Num debate da RBS, sobre as pessoas que ficam nas esquinas, ele disse que para eles essas pessoas eram lixo. Então, ele não gosta de pobre e trata como se fossem todos delinqüentes, mas não podemos concordar com isso”, diz.

As denúncias serão tratadas na próxima quinta-feira (9) em uma reunião na Câmara dos Vereadores.
Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 30 setembro 2008 às 2:17
Nova Rede Social criada:
http://konspiro.ning.com
A Konspiro tem a finalidade de criar uma pequena conexão de amigos com objetivos em comum com relação à arte visual e ao design da escrita

Sintam-se todos convidados!!!!!
Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 28 setembro 2008 às 12:59
Com relação à design gráfico, tenho condições de dizer que historicamente falando, a tração mediada pela intervenção social teria de ser previlegiada à tração mediada pela técnica, o q significa dizer, hj em dia, design inclusivo, pelo q eu saiba.

abraços.
Divyam Anuragi Comentário de Divyam Anuragi em 28 setembro 2008 às 12:42
texto sobre esse assunto q achei bom:

TECNOTOPIA versus TECNOFOBIA.
O MAL-ESTAR NO SÉCULO XXI
Gustavo Lins Ribeiro
Departamento de Antropologia
Universidade de Brasília
“Os homens se orgulham de suas realizações e têm todo o direito de se orgulharem. Contudo,
parecem ter observado que o poder recentemente adquirido sobre o espaço e o tempo, a
subjugação das forças da natureza, consecução de um anseio que remonta a milhares de anos,
não aumentou a quantidade de satisfação prazerosa que poderiam esperar da vida e não os
tornou mais felizes. Reconhecendo esse fato, devemos contentar-nos em concluir que o poder
sobre a natureza não constitui a única pré-condição da felicidade humana, assim como não é o
único objetivo do esforço cultural” (Sigmund Freud, O Mal-Estar da Civilização, 1929)
“Para compreender o papel predominante da técnica na civilização moderna, é preciso, antes de
tudo, (...) explicar não apenas a existência de novos instrumentos mecânicos, mas expor como a
cultura estava pronta para utilizá-los e deles aproveitar-se amplamente. (...) a mecanização e a
arregimentação não são fenômenos novos na história. O que é novo, é o fato que estas funções
tenham sido projetadas e encarnadas em formas organizadas que dominam todos os aspectos de
nossa existência” ( Lewis Mumford, Técnica e Civilização, 1934)
Ciência e tecnologia são herdeiras dos mais poderosos mitos da civilização
ocidental, cavalgando promessas de progresso ilimitado, de organização racional da
vida social, política e econômica, e de subjugação do mundo social e natural aos desejos
e ao planejamento de decision-makers iluminados pelo saber. A formação do par C & T
é resultado de complexos processos históricos que confluíram para uma naturalização
tão intensa sobre seu papel na vida social, cultural, política e econômica que, hoje,
podemos considerar estarmos imersos em uma cultura tecnocientífica. Rótulos como
cibercultura fazem prospecções sobre os novos fantasmas e modalidades de vida de que
estão prenhes as tecnologias de ponta. Para Arturo Escobar (1994: 214), cibercultura
"refere-se especificamente a novas tecnologias em duas áreas: inteligência artificial
(particularmente tecnologias de computação e informação) e biotecnologia". A difusão das
novas tecnologias traz à luz dois regimes de sociabilidade: a tecnosociabilidade e a
biosociabilidade que "encarnam a consciência de que cada vez mais vivemos e nos fazemos
em meios tecnobioculturais estruturados por novas formas de ciência e tecnologia" (idem).
Atualmente, a tecnologia apresenta-se claramente como a ponta final da
pesquisa científica, aquela parte materializada do conhecimento de alta complexidade
que chega ao mercado para a consideração do cidadão-consumidor. Ao mesmo tempo,
defrontamo-nos com uma relação hiper-complexa com a tecnologia. Agora o corpo
pode ser engenheirado, reconstruído, reformatado, reconfigurado. Sonhos de felicidade
instantânea, vida eterna, convivem com temores de perda da memória, identidade,
integridade, agência e poder. A fascinação ambivalente da tecnologia revela-se
inteiramente. Por um lado, o desejo de transcendência. Por outro, o medo da
subjugação, da desumanização.
A tecnologia sempre esteve vinculada a conflitos por poder e a discursos
contraditórios, dada a capacitação que proporciona para a intervenção no real,
potencializando diferenciadamente habilidades de indivíduos e grupos. O controle do conhecimento e da tecnologia tem sido historicamente um trampolim para o acesso a e
exercício de poder. Não por acaso sua história confunde-se fortemente com a história da
guerra ou de elites guerreiras. A relação tecnologia/poder é de diversas formas
tematizada em estórias, mitos e ficção. Basta lembrarmos Caramurú ou filmes de
invasões de tecno-poderosos alienígenas. Já os discursos contraditórios por ela gerados,
freqüentemente expressam as tensões criadas pela distribuição desigual de poder mas
remetem, igualmente, a um jogo de reflexos, de amor e ódio, entre o Bem e o Mal, o
prazer e a dor, que as tecnologias permitem metaforizar.
A dupla face utópica (paradisíaca) e distópica (apocalíptica) da tecnologia é
central para entendermos os dilemas que cada vez mais enfrentaremos. Por um lado,
encontramos formulações utópicas apoiadas na maravilha que se levanta da ampliação
das qualidades e ações humanas. A tecnotopia, caudatária da ideologia do progresso e
de uma visão evolutiva da história da tecnologia (especialmente a partir da Revolução
Industrial), é hegemônica e, neste momento de crises de utopias, é, em larga medida, o
grande metarrelato salvífico do mundo contemporâneo. Por outro lado, estão discursos
distópicos apoiados no terror às forças destrutoras desencadeadas por diversas
invenções (controladas por grupos específicos) ou no temor à punição provocada pela
manipulação radical da natureza. A tecnofobia, marcada pela desigualdade da
distribuição sócio-política-econômica do acesso à tecnologia e por um imaginário onde
cohabitam discursos alternativos ou cosmologias mágico-religiosas com seus
demiurgos, é, em geral, relegada a um segundo plano, mas, ocasionalmente, sobretudo
quando o homem parece querer brincar de Deus, reúne energias com poder normativo e
regulatório. Para entendermos as características da tensão entre tecnotopia (a promessa
salvífica utópica) e tecnofobia (o temor escatológico distópico) temos que montar um
quadro mais amplo.
De quem é este corpo? Adão, Frankenstein e replicantes.
O que é humano? O que é artificial? O que é a vida? As condições cambiantes
da reprodução da vida social e os impactos dos avanços tecnológicos sobre nossas
representações tornaram estas antigas questões mais candentes do que nunca. Sem
dúvida, o papel da tecnologia é crucial neste âmbito já que é uma mediação entre nós
mesmos, o mundo natural e artificial. Nossa espécie está definitivamente presa a um
sistema de retro-alimentação que envolve nossos corpos, o mundo externo e nossa
habilidade de controlá-lo e aperfeiçoá-lo em proveito próprio. O uso de instrumentos,
em uma escala evolutiva, levou a diferenciações orgânicas e anatômicas que foram
determinantes para o surgimento do Homo Sapiens. Somos ao mesmo tempo um
produto da cultura e da biologia (Geertz 1978). Na escala de tempo da evolução da
espécie, embaça-se a linha entre as condições internas e externas ao Homem. No
processo de nos transformarmos em humanos, internalizamos os efeitos de nossa
manipulação do mundo externo. Neste sentido, os seres humanos sempre foram ciborgs.
Mas, nunca o ciborg esteve tão presente como metáfora tecnofóbica ou
tecnotópica. As possibilidades de cruzamento dos avanços científicos e tecnológicos da
informática e da engenharia genética informam, no imaginário tecnológico de nosso
tempo (muitas vezes expresso através da ficção científica e da popularização de
inovações pelos meios de comunicação de massa), visões de próteses tão inteligentes
que, em última instância, apenas o cérebro permanecerá orgânico no sentido hoje
atribuído a esta palavra.
S. de Queiroz Comentário de S. de Queiroz em 24 setembro 2008 às 20:57
O que fazer?
Não tenho a bagagem teórica, que talvez os companheiros desse grupo detenham.
E que talvez se entenda como fundamental para o melhor aproveitamento das discussões.
Entretanto, acredito que possa contribuir assumindo o papel da parte leiga da história que carece de conteúdo para melhor se posicionar.
Educador e educando num revezamento constante dos seus papeis, é o que eu acredito hoje como alternativa ao que aí está.
Seria bem mais fácil torcermos pelo caos, e a partir dele repensar uma nova relação entre aqueles que sobrevivessem, mas até isso não é tão simples assim, não é mesmo pessoal?
Nos contatos que mantenho quase que diariamente com os jovens, percebo o quanto eles estão impregnados de tecnologia, e por outro lado afastados completamente da natureza.
Não consigo conceber hoje nenhuma proposta de educação que passe ao largo do estreitamento dessa distancia.
Tão pouco proponho o aniquilamento das novas mídias, seria contraditório com o que faço aqui.
Todavia, eu como pai de três filhas, fico aqui engasgado com uma mensagem, que não sabe se reforça a quebra dessa mentira – que é o nosso sistema - e propõe uma postura autônoma.
Ou confundo mais ainda a cabeça delas incitando a briga com o sistema, mas ainda assim aceitando as suas regras.
Visto que, para a mais simples forma de vida que se busque ter, necessariamente teremos que ser coniventes com essa mesma mentira.
O que fazer?
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Livros recomendados pelo IPETRANS

A vida secreta dos ingredientes - Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)
Entrevista com o AUTOR

Apocalipse Motorizado

Ned Ludd (org.)

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

OS AUTORES
Ivan Illich (1926-2000) foi um dos pensadores mais surpreendentes dos anos 70 e 80. Com precisão e força atacou cada um dos falsos consensos da sociedade ocidental. O texto de Illich neste livro teve imenso impacto no pensamento libertário de hoje.

André Gorz nasceu em Viena, em 1924, é autor de ´Crítica da Divisão de Trabalho´ (Martins Fontes, 1989)

Aufheben é o nome de um grupo autonomista marxista da Inglaterra surgido nos anos 90.

Car Buster é a principal organização ativista internacional do movimento anticarro.

Reclaim The Streets é um dos principais movimentos ativistas de Londres que surgiu em 1991 com o intuito de tornar as ruas um local de convívio entre pessoas e não somente um espaço de passagem.

Ned Ludd é organizador do livro Urgência nas Ruas ­ Coleção Baderna - Conrad, 2002


Ciência precisa de metáforas melhores, diz pesquisador
Livro critica estágio atual da biologia e sugere caminhos para o futuro dessa disciplina

Se a poesia emprega metáforas para despertar o encanto, também a ciência usa esse recurso, para uma melhor compreensão de conceitos abstratos ou complexos. Por isso os cientistas falam, por exemplo, da movimentação do som por meio de "ondas". Porém, se na poesia o mau uso de metáforas resulta apenas em uma obra duvidosa, na ciência a compreensão literal das metáforas leva a perigosos mal-entendidos.

Esse é o eixo central das idéias discutidas por Richard Lewontin, pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), em conferências realizadas em Milão que, com o acréscimo de mais um capítulo, tornaram-se o livro A tripla hélice. Lewontin debate a idéia de que somos pré-determinados pelos genes, aponta incorreções na teoria da evolução de Darwin, discute a visão cartesiana de que o corpo é uma máquina e sugere caminhos para o estudo da biologia.

O autor critica o uso do termo desenvolvimento para sintetizar as alterações por que passamos do nascimento à morte. Lewontin afirma que o "termo traz a idéia de algo que se desenrola a partir de algo já presente". Segundo esse conceito, as características dos seres vivos seriam a mera expressão do seu material genético e nunca dependeriam da influência do ambiente (como se verifica, nos humanos, no caso da língua que cada indivíduo fala).

Lewontin também discute a atualidade da teoria da evolução. O termo criticado dessa vez é a adaptação -- "o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma existência preexistente". Segundo esse conceito, a diversidade das espécies resultaria da existência de "diferentes tipos de ambientes aos quais os seres vivos se compatibilizaram mediante a seleção natural". O autor condena a separação entre ambiente e organismo. As formigas, por exemplo, fazem ninhos, as plantas consomem gás carbônico do ambiente e produzem o oxigênio a ser usado pelos animais. Organismos e ambiente agem um sobre o outro em um processo constante de transformação.

Mais uma metáfora combatida é a comparação de seres vivos a máquinas. Para estudar um organismo, a biologia divide-o em partes, como se fosse possível separá-lo em funções e em seguida "determinar um todo claro e de anatomia óbvia". É impossível estudar como alguém segura um objeto analisando apenas os movimentos da mão. Ele precisa dos olhos para ver, os músculos se contraem a partir do encurtamento das fibras musculares, que por sua vez depende da química das proteínas actisina e miosina.

Embora admita que as técnicas de que a ciência dispõe já bastam para que avanços sejam feitos, Lewontin esclarece que as respostas que a biologia elabora dependem das perguntas que faz. Se o estudo dos seres vivos está permeado de noções equivocadas, as perguntas serão mal-formuladas e as respostas não esclarecerão o que realmente interessa.

A tripla hélice é um livro atual e envolvente. Em uma linguagem simples, porém de raciocínios complexos, permite uma leitura surpreendente a quem quer que tenha domínio razoável de biologia e genética.


A tripla hélice - gene, organismo e ambiente
Richard Lewontin (trad.: José Viegas Filho)
São Paulo, 2002, Companhia das Letras
138 páginas - R$ 25

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
03/09/02

Notas

Porque NÃO!

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago 2009 at 13:13. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago.

Hora do Planeta


" Veja o seu mundo sob uma Luz totalmente diferente "

28/março : 20:30h horário local - desligar a eletricidade por 1 hora em sintonia com vários países - cada vez mais pessoas aderem a esta causa !
Participe e divulgue !!!

Em 2007 - esta idéia começa e toma conta da Austrália

Em 2008 - 35 países se unem, mais de 50 milhões de pessoas cadastradas que fizeram a diferença apagando
a Luz por uma hora e deixando a Mãe Terra respirar ...

Participem

Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar 2009 at 11:00. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar.

Fotos dos membros da RETRANS

O slideshow da RETRANS, na página principal, comporta o nº máximo de 100 fotos.
As demais fotos (mais de mil fotos!) publicadas pelos membros seguem arquivadas em suas páginas pessoais ou nas páginas de FOTOS.Portanto, para quem quiser ver ou rever mais fotos basta clicar no link Fotos( parte superior da página principal) ou nas páginas pessoais de cada membro.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 21 Jun 2008 at 10:44. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 23 Mar.

Objeções de consciência

Reservista israelense se nega a invadir Gaza

Um reservista escalado para invadir a faixa de Gaza se recusou a entrar no território como protesto contra a morte de centenas de palestinos, muitos deles civis, na Faixa de Gaza.

O militar, de 35 anos, integrante de uma unidade de engenheiros, foi condenado a 14 dias de prisão por insubordinação, informou em um comunicado a organização Ometz Lesarev, que apóia soldados que não concordam co… Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar 2009 at 10:50. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar.

Homenagem a Pierre Weil na Feira do Livro de Poa/RS


Encontro de autores da RETRANS na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Em Busca da Paz

© Antônio Dayrell

(À memória de Pierre Weil*)

Pela paz soltaram as pombas do cativeiro,
um ano foi especialmente dedicado.

Pela paz construíram as armas,
homens perderam suas vidas,
famílias se viram destruídas.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 25 Nov 2008 at 16:06. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 5 Mar.

 

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