RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA

Tecendo Redes de Transformações

Respostas a este tópico

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Dilton

Parece que o tópico é seu, não do seu irmão Ismar, certo ? Se assim for, seria conveniente deletar o que está no nome dele...

Mas não entendi a proposta de discussão " Podemos admitir a possibilidade de vida = Fiat-Lux? " . Dá pra explicar melhor ?

O que me chamou a atenção foi o título " Vida Absoluta ? ", pois um pouco antes de criares este tópico de discussão eu havia postado um trecho de livro que usa exatamente este termo quanto ao surgimento da vida, e ligado à vida nas/das estrelas...
Está no tópico " Ciencia Ficción y/o Ecosocialosmo ", do Oscar Fernandez, mas reproduzo abaixo também:

" ... . Pensem no tempo. Mas não meçam o tempo num sentido pessoal, porque vocês são como borboletas que vivem somente durante uma breve estação. Não pensem no tempo biológico, porque a vida, a simples vida, é passageira. Não pensem no tempo geológico, porque até a existência das rochas nada significa quando comparada à fusão das estrelas.

Pensem no tempo cósmico. Pensem no nascimento da galáxia, nos grandes rodopios de gases que se transformaram em mil, milhões de sóis.

Foi num tempo assim, no tempo que não é tempo, na demorada e poeirenta criação galática que a vida absoluta nasceu... Não começou em nenhum oceano planetário primitivo. Começou a se manifestar como uma chama, nascida dos filhos do fogo, de poderio incandescente, cheio de promessa...

As estrelas vivem, meus filhos. E às vezes sonham... e às vezes dão a luz... "


Trecho da fala dos "Vruvyir"
Em "Cavalo Marinho no Céu", de Edmund Cooper



Interessante a sincronia, não ?

Acauã

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Olá Acauã,
A demora deve-se a alguns fatores, porém o que vale é mais uma vez agradecer a colaboração tão pertinente. Tenho que rever o texto, mas gostaria de enviar-lhe o atual por e-mail.
Abrs,
Dilton.

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Respondi lá em baixo no final

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Olá Acauã,
Comecei a pensar sobre a possibilidade da vida tentar descartar-se de algo em contraposição a teoria da evolução. porém esta visão teleológica, a princípio, foi ganhando outra dimensão, que não se sustenta no paradigma acadêmico, qual seja conceituar a vida absoluta. Fiquei sem subsídios para prosseguir a pesquisa, então percebi que deveria compartilhá-la e vejo que deu resultado. Segue um pequeno trecho que "explica" o tópico:
“Para muitas pessoas, inclusive para mim mesmo, é filosófica e espiritualmente mais satisfatório supor que o cosmo como um todo é vivo, em vez de pensar que a vida na Terra existe dentro de um universo sem vida”, diz Capra.
Poderíamos concluir que não devemos separar o fenômeno da vida orgânica – dos primeiros microorganismos até o homem – do fenômeno da criação do universo. A VIDA começaria no instante mesmo do FIAT-LUX divino ou para onde qualquer metafísica ouse alcançar...
Algo que se situa no dizer das práticas meditativas das mais antigas tradições filosóficas, num encantamento inominável, indizível de comunhão univérsica que só se revela numa experiência mística de completude com o nada que tudo e todos somos. Dentro dessa visão onde só podemos conjecturar, a partir de uma ínfima significância racional, de que um único possível e passível pensamento é de que a VIDA tenta se descartar de um algo, já que também inominável e indizível, ou do esforço inútil de apreendê-lo. Em acordo com o citado páginas acima de que a VIDA já nasceu completa, atentamos para as palavras do Tao de que “todos os vivos nascem e morrem, mas a vida é imortal. No inominável está a origem do universo”.
Agradeço sinceramente e aguardo outras contribuições.
Dilton.

Responder esta

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Dilton

Vou entrar nesta conversa.

Mas por hora, colo abaixo o texto inicial do primeiro Blog que postei aqui no Trans-Ning. Busca lá na minha página o desenrolar desta conversa. Assim que puder, continuo tentando fazer o link com o que propões.



Trechos de “O Fogo Interior” - Carlos Castañeda

"Explicou que o domínio da consciência consistia em internalizar a seqüência total de tais verdades. A primeira verdade, disse, era que nossa familiaridade com o mundo que percebemos compele-nos a acreditar que estamos rodeados de objetos que existem por si próprios e como eles próprios, exatamente como os percebemos, quando, na realidade, não há um mundo de objetos, mas um universo das emanações da Águia.

Disse-me então que antes que pudesse explicar as emanações da Águia, tinha que falar sobre o conhecido, o desconhecido e o incognoscível. A maior parte das verdades sobre a consciência foi descoberta pelos antigos videntes. Mas a ordem na qual estavam arranjadas havia sido elaborada pelos novos videntes. E, sem aquela ordem, essas verdades eram praticamente incompreensíveis.

Explicou que não procurar a ordem foi um dos grandes enganos que os antigos videntes cometeram. Uma conseqüência mortal desse engano foi a presunção de que o desconhecido e o incognoscível eram a mesma coisa. Ficou a cargo dos novos videntes corrigir este erro. Eles traçaram limites e definiram o desconhecido como algo que se apresenta velado para o homem, embalado talvez por um contexto terrificante, mas que, apesar disso, está a seu alcance. O desconhecido torna-se o conhecido em um dado momento. O incognoscível, por outro lado, é o indescritível, o impensável, o inconcebível. É algo que jamais será conhecido por nós, e ainda assim está ali, fascinando e ao mesmo tempo horrorizando em sua vastidão".

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"— A primeira verdade é que o mundo é como parece, e entretanto não é. Não é tão sólido e real como nossa percepção foi levada a crer, mas também não é uma miragem. O mundo é uma ilusão, como tem sido dito; ele é real por um lado, e irreal por outro. Preste muita atenção nisso, pois isso deve ser compreendido, e não simplesmente aceito. Nós percebemos. Isto é um fato concreto. Mas o que percebemos não é um fato concreto, porque aprendemos o que perceber.

Algo lá fora afeta nossos sentidos. Esta é a parte que é real. A parte irreal é o que eles dizem estar lá. Tome uma montanha, por exemplo. Nossos sentidos dizem-nos que se trata de um objeto. Ela tem tamanho, corpo, forma. Nós temos até várias categorias de montanhas, extremamente precisas. Não há nada de errado com isso; a falha está simplesmente em que nunca nos ocorreu que nossos sentidos desempenham apenas um papel superficial. Eles percebem do modo como o fazem porque uma qualidade específica de nossa consciência força-os a atuar desse modo.

Comecei a concordar com ele novamente, mas não porque quisesse, pois não havia compreendido seu argumento. Antes, eu estava reagindo a uma situação assustadora. Ele me fez parar.

— Usei o termo "o mundo" — continuou Dom Juan — para significar tudo que nos rodeia. Tenho um termo melhor, naturalmente, mas este seria totalmente incompreensível para você. Os videntes dizem que pensamos que há um mundo de objetos apenas por causa de nossa consciência. Mas o que existe realmente são as emanações da Águia, fluidas, sempre em movimento e, no entanto, inalteráveis, eternas.

Ele me fez parar com um gesto da mão exatamente quando estava por perguntar-lhe o que eram as emanações da Águia. Explicou-me então que um dos legados mais dramáticos que os antigos videntes nos deixaram foi a descoberta de que a razão da existência de todos os seres sencientes é o desenvolvimento da consciência. Dom Juan classificou isso como uma descoberta colossal.
Em um tom meio sério, perguntou-me se sabia de uma resposta melhor para a pergunta que sempre intrigou o homem; a razão de nossa existência. Imediatamente tomei uma posição defensiva e comecei a argumentar sobre a falta de significado da pergunta, pois ela não pode ser logicamente respondida. Disse-lhe que, para discutir o assunto, teríamos de conversar sobre crenças religiosas e transformar tudo isso em matéria de fé.

— Os antigos videntes não estavam falando apenas de fé — disse ele. — Não eram tão práticos como os novos videntes, mas eram práticos o suficiente para saber o que estavam vendo. O que eu tentei demonstrar com essa pergunta que o afetou tão seriamente, é que nossa racionalidade não pode por si só responder sobre a razão de nossa existência. Todas as vezes que tentamos fazê-lo, a resposta transforma-se em matéria de fé. Os antigos videntes tomaram outro caminho, e encontraram uma resposta que não envolve apenas a fé.

Disse que os antigos videntes, arriscando-se a perigos inimagináveis, viam realmente a força indescritível que é a fonte de todos os seres sencientes. Chamaram-na de Águia, porque nos pequenos vislumbres que podiam suportar, viam-na como algo que se parecia com uma águia branca e preta, de tamanho infinito.

Viram que é a Águia que concede consciência. A Águia cria os seres sencientes para que estes vivam e enriqueçam a consciência que ela lhes proporciona com a vida. Eles também viram que é a Águia que devora essa mesma consciência enriquecida, depois de fazer com que os seres sencientes a abandonem no momento da morte.

— Para os antigos videntes — continuou Dom Juan — dizer que a razão da existência é enriquecer a consciência não é uma questão de fé ou de dedução. Eles viram.

"Eles viram que a consciência dos seres sencientes levanta vôo no momento da morte e flutua como um tufo de algodão luminoso diretamente para o bico da Águia, onde é consumida. Para os antigos videntes, esta era a evidência de que os seres sencientes vivem apenas para enriquecer a consciência, que é o alimento da Águia." "

[ ............ ......... ......... ......... ......... ...... ]

"— Mas que tipo de força seria a Águia?

— Eu não sei como responder a isso. A Águia é tão real para os videntes como a gravidade e o tempo são reais para você, e exatamente tão abstrata e incompreensível."

[ ............ ......... ......... ......... ......... ...... ]

"Ele disse que as emanações da Águia são uma coisa-em-si imutável, que engloba tudo que existe, do conhecido ao incognoscível.
— Não há maneira de descrever em palavras o que são realmente as emanações da Águia — continuou Dom Juan. — Um vidente precisa testemunhá-las."

[ ............ ......... ......... ......... ......... ...... ]

"— Mas a Águia não tem nada de visual. O corpo inteiro do vidente sente a Águia. Há alguma coisa em todos nós que pode fazer-nos testemunhar com nosso corpo inteiro. Os videntes explicam o ato de ver a Águia em termos muito simples: o homem é composto das emanações da Águia, e assim precisa apenas reverter aos seus componentes originais. O problema surge com a consciência do homem; é sua consciência que se torna emaranhada e confusa. No momento crucial, no que deveria ser um simples caso de emanações dando conta de si mesmas, a consciência do homem é compelida a interpretar. O resultado é uma visão da Águia e das emanações da Águia. Mas não existe Águia nem emanações. O que existe é algo que nenhuma criatura viva pode compreender".

[ ............ ......... ......... ......... ......... ...... ]

"Acrescentou que há uma certa imprecisão naquela versão, e que pessoalmente não apreciava a idéia de algo que nos devora. Para ele, seria mais correto dizer que existe uma força que atrai nossa consciência, como um ímã atrai limalha de ferro. No momento da morte, todo nosso ser se desintegra sob a atração dessa força imensa."

[ ............ ......... ......... ......... ......... ...... ]

"Dom Juan disse que ver as emanações da Águia é beirar o desastre. Os novos videntes em pouco tempo descobriram as tremendas dificuldades envolvidas, e somente após grandes atribulações em tentar delimitar o desconhecido e separá-lo do incognoscível conseguiram perceber que tudo provém das emanações da Águia. Apenas uma pequena porção daquelas emanações está ao alcance da consciência humana, e essa pequena porção é reduzida ainda mais, a uma fração diminuta, pelas exigências de nossas vidas diárias. Essa fração diminuta das emanações da Águia é o conhecido; a pequena porção ao alcance possível da consciência humana é o desconhecido, e o incalculável restante é o incognoscível.

Continuou dizendo que os novos videntes, pragmaticamente orientados, tornaram-se imediatamente conhecedores do poder compulsório das emanações. Perceberam que todas as criaturas vivas são forçadas a empregar as emanações da Águia sem sequer saber o que são. Perceberam também que os organismos são construídos de modo a captar certas faixas dessas emanações, e que cada espécie tem uma faixa definida. As emanações exercem grandes pressões sobre os organismos, e através dessa pressão eles constroem seu mundo perceptível.

— Em nosso caso, como seres humanos — disse Dom Juan —, empregamos essas emanações, que interpretamos como realidade. Mas o que o homem percebe é uma porção tão pequena das emanações da Águia que é ridículo confiar muito em nossas percepções. Entretanto, não podemos ignorar nossas percepções. Os novos videntes descobriram isso pelo caminho difícil... após passarem perto de perigos tremendos."

[ ............ ......... ......... ......... ......... ...... ]

"Ele disse então que os antigos videntes é que eram os pensadores abstratos. Construíram edifícios monumentais de abstrações próprios para eles e para seu tempo. E, exatamente como os filósofos de hoje, não tinham qualquer controle sobre suas concatenações. Os novos videntes, por outro lado, imbuídos de uma natureza prática, foram capazes de ver um fluxo de emanações e ver como o homem e os outros seres vivos utilizam-nas para construir seu mundo perceptível.

— Como são essas emanações utilizadas pelo homem, Dom Juan?

— Ê tão simples que parece idiotice. Para um vidente, os homens são seres luminosos. Nossa luminosidade é feita daquela porção das emanações da Águia que está englobada em nosso casulo ovóide. Essa porção particular, essa porção de emanações que está englobada, é o que nos torna homens. Percebê-lo é compatibilizar as emanações contidas dentro de nosso casulo com as que se encontram do lado de fora.
"Os videntes podem ver, por exemplo, as emanações no interior de qualquer criatura viva e podem dizer qual das emanações externas irá compatibilizar- se com elas."

— As emanações são como raios de luz?

— Não. De forma alguma. Isto seria simples demais. São algo indescritível. Entretanto, meu comentário pessoal seria dizer que são como filamentos de luz. O que é incompreensível à consciência normal é que os filamentos têm consciência. Não posso dizer-lhe o que isso significa, porque não sei o que estou dizendo. Tudo que posso afirmar-lhe com meus comentários pessoais é que os filamentos têm consciência de si mesmos, são vivos e vibram, que existem tantos deles que o número não tem qualquer significado e que cada um deles é uma eternidade em si mesmo.

Continuou explicando que um estado de consciência intensificada é visto não apenas como um brilho que aparece numa região mais profunda da forma ovóide dos seres humanos, mas também como um brilho mais intenso na superfície do casulo. Embora não seja nada em comparação com o brilho produzido em estados de consciência total, visto como uma explosão de incandescência no ovo luminoso inteiro. É uma explosão de luz de tal magnitude que os limites da concha ficam difusos e as emanações do interior estendem-se além de qualquer coisa imaginável.

— São casos especiais, Dom Juan?

— É claro. Acontecem apenas com videntes. Nenhum outro homem ou nenhuma outra criatura vivente se ilumina dessa maneira. Videntes que atingem deliberadamente a consciência total são uma visão para se guardar. Esse é o momento em que queimam de dentro para fora. O fogo do interior os consome. Em consciência total, fundem-se com as emanações livres, e deslizam para a eternidade".

......... ......... ..//\\.. ......... .........



Tem "link", não ?
Particularmente, acho extremamente impressionante.

Um abraço


Acauã

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Responder esta

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Bom, Dilton, fiquei meio intrigado com o termo "Vida Absoluta", embora vc tenha já dado uma certa pincelada no assunto. Não captei a questão que colocas de a " vida tentar descartar-se de algo em contraposição a teoria da evolução " (??), mas a discussão do Capra é parte de muita coisa já elaborada.
Tem muita coisa do Budismo nesta linha, mas não só.

Como esta proposição de discussão me avivou o interesse no tema, colo abaixo dois trechos de um texto da Biosofia.

"
[..................................]

Segundo as concepções do Panteísmo, Deus não se distingue do Cosmos mas é, sim, o próprio Todo Universal. É o Ser, a Vida e a Substância do Universo. Só existe, pois, uma única substância ou natureza: o Ser por si existente, absoluto, eterno, infinito e impessoal. Todos as coisas e seres são modos de manifestação do Absoluto.
Encontramos esta noção de Divino na Vedanta, pelo menos na Vedanta Advaitista, e, portanto, nos Upanishades. Encontramo-la, por exemplo, nos grandes filósofos neoplatónicos, nomeadamente Plotino e Porfírio. Encontramo-la em Dionísio Pseudo Aeropagita ou em John Scotus. Encontramo-la, mais tarde e mais próximo de nós, em Spinoza, que afirmava “só há uma Substância, Deus ou a Natureza” e “Deus é o Ente Absolutamente infinito, isto é, uma Substância que consta de infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita” (desses atributos só dois nos são conhecidos: Pensamento ou Ideação, e Matéria ou Extensão). Encontramo-la em Hegel, com a sua formulação da Ideia Absoluta que se vai realizando através de um longo devir ou em Fichte e Schelling com as suas filosofias de Identidade Sujeito / Objecto ou Espírito / Natureza.

Diz-se, por vezes, que, para o Panteísmo, Deus está em tudo. Na verdade, mais esclarecidamente, dir-se-ia antes que tudo está em Deus, como uma imagem (que é Maya, para os advaitistas). Como veremos, se se considerar Deus como a Vida Una, fora da qual nada existe, então, a Sabedoria Oculta pode subscrever esta concepção.

Outras vezes, impropriamente e para o denegrir, identifica-se o Panteísmo com uma espécie de animismo primário, segundo o qual cada ser ou objecto, por exemplo uma pedra ou uma palavra, seria Deus. Desta ideia, a que falta a dignidade de uma noção de unidade, certamente está distante o Esoterismo.

O Panteísmo é uma concepção nobre e elevada e que, claramente, desde logo por ser evolucionista e não criacionista, resiste melhor à mentalidade e à lógica científica do que o Teísmo. Não gera as contradições insolúveis do Teísmo. No entanto, ainda assim, só por si, não resolve, ou melhor, não considera todas as questões.

Em primeiro lugar, o Panteísmo comum não trata da questão da hierarquia no Ser: este é integrado por miríades de seres mas eles têm uma hierarquia entre si. Há uma distância entre uma planta e um homem, como há uma distância entre um homem comum e um Buda ou um Cristo. Depois, não costuma considerar o problema da pluralidade das vontades e das forças criadoras, tantas vezes até contraditórias, e do seu lugar no Todo Universal, nem esclarece a natureza peculiar dos Seres que são a base ontológica e o dinamismo de cada uma das Leis Universais. De facto, a “ordem implica inteligência. As leis, que a ciência se esforça por desvelar e formular de modo compreensivo, implicam inteligência. Ora bem, onde há inteligência, tem de haver algo ou alguém que seja inteligente; onde há ordem, tem de haver algo ou alguém que disponha, garanta e mantenha a ordem. Se essa ordem inteligente existe no Cosmos (também) do lado de lá da nossa subjectividade, então, quem ou o quê a detém, sustenta, É? Qual a realidade ontológica desse Algo ou Alguém – seja singular ou plural – que é inteligente, extraordinariamente inteligente a ponto de dar ordem a um Cosmos tão imenso e prodigioso? Na Natureza ou na Matéria, vemos tantas Inteligências, ordens e forças paralelas, relativamente autónomas e com domínios circunscritos – mas tantas vezes cruzando-se e chocando-se –, que uma tal afirmação é redutora e simplista, passando por cima da questão: Quem ou o Quê opera na Matéria, na Natureza, no Universo, conferindo-lhe ordem, inteligência, relações fenoménicas que podemos compreender como Leis? Quem ou o Quê é o(s) sujeito(s) ou agentes legisladores?” 5. "

[..................................]

Face ao exposto, perguntar-se-á então: e qual é o Ensinamento Esotérico quanto a esta temática?

O Ocultismo defende uma forma de Hilozoísmo. O que se entende por Hilozoísmo? A etimologia pode dar-nos uma primeira e importante achega. A palavra resulta da junção de dois étimos: Hyle, que significa Matéria ou Substância e Zoe, que significa Vida. Quer dizer, (toda) a substância, (toda) a Matéria, é dotada de vida; (todo) o Universo é vivo; o Cosmos é um organismo vivo. Mesmo nos minerais há vida: para o ocultista, a Vida é Movimento (ou o Movimento é Vida) – e, nos átomos de um mineral, não existe movimento incessante? Esse movimento ou, por exemplo, as combinações atómicas e de elementos, mostram que o mesmo númeno da Vida que se manifesta nos Reinos Vegetal, Animal, etc. está também presente no Reino Mineral. A Matéria é inseparável da Vida.

Por outras palavras: tudo é Vida e cada átomo, cada unidade de Ser, é uma Vida. Há uma só Vida, a Vida Única Universal, que integra incontáveis Vidas, cada uma ocupando o seu próprio lugar na Hierarquia do Ser e desempenhando a sua função na economia universal. É assim em todos os níveis do Cosmos, conforme o princípio: “Tudo quanto existe, tem o seu ser num ser maior”. Há seres dentro de seres, vidas dentro de vidas – partículas dentro de átomos, átomos dentro de organismos como o corpo dos seres humanos, seres humanos dentro de planetas, planetas dentro de sistemas solares, sistemas solares dentro de galáxias, galáxias dentro do cosmos total, o cosmos total dentro do espaço que tudo contém.

De acordo com o Hilozoísmo ocultista, o Ser é uma Unidade que é simultaneamente – e sempre – Vida, Consciência 6 e Substância. O Ser é substancial – como base ontológica – e a Substância é viva e inteligente. Nos Cosmos manifestados, Espírito e Matéria estão sempre interligados, indissociavelmente 7 – não há Espírito que não se expresse numa base material nem matéria que não esteja vivificada pelo Espírito 8 –, embora existam muitos diferentes níveis de materialidade, ou, por outras palavras, de relação entre o Espírito e a Matéria. O mundo físico é apenas um dos Planos do Cosmos septenário. O Hilozoísmo traduz-se na universalidade da presença da vida e do espírito como elemento intrínseco à mesma matéria.

Conforme afirmou o Mahatma Koot-Hoomi, “… Deus é, assim, a Vida Una, que não só penetra mas é a essência de cada átomo da matéria” 1; portanto, a vida tem os númenos de todas as propriedades da matéria: é a própria Matéria.” Afirmou também o mesmo Mestre: “A existência da matéria é um facto; a existência do movimento, outro facto; a eternidade de ambos, outro facto” 1. Quer dizer: a Matéria é infinita e indestrutível; (mas) é não existente sem o Espírito que, nela, é Vida, Movimento. O Movimento é eterno, porque o Espírito é Eterno. Entretanto, nenhum modo de Movimento pode ser concebido, excepto em conexão com a Matéria. E, assim, conclui ainda o Mahatama Koot-Hoomi: “A Matéria e o seu Movimento incessante, que é Vida, é a única divindade perpétua” 1.

Desenvolvendo mais o conceito, escreveu Helena P. Blavatsky: “O Hylozoísmo requer um Pensamento Divino absoluto que impregna as inumeráveis Forças Criadoras, Entidades que são movidas por aquele Pensamento Divino e existem nele, por ele e em virtude dele” 3. Da mesma forma como o Sol, insciente dos seus Raios, está, no entanto, em todos eles, assim a Vida Absoluta, a (In)Consciência Absoluta, o Ser Absoluto impregnam todas as vidas, todas as consciências, todos os seres.

A Vida Única Universal, o (Não) Ser Absoluto é Parabrahman, com o seu véu ilimitado, que é Mulaprakriti (Etimologicamente “a Raiz da Matéria”). Na Vida-Substância ilimitada, ou Parabrahman-Mulaprakriti, vão-se diferenciado vidas e seres substanciais que, porém, estão sempre imersos nessa Vida-Ser que tudo permeia, que em que tudo está.

Mesmo durante um Pralaya, ou seja, durante um período de repouso universal ou noite cósmica, de não manifestação objectiva, a Vida impregna a substância, então, amorfa, e o Movimento continua a existir. Voltamos a citar as palavras do Mestre Koot-Hoomi: “Nós dizemos e afirmamos que aquele movimento – o movimento universal perpétuo que nunca cessa, nunca diminui nem aumenta a sua velocidade, nem mesmo durante os intervalos, os pralayas ou ´noites de Brahma’, mas continua como um moinho que se movimenta haja ou não algo para moer (porque o pralaya implica a perda temporária de toda a forma, mas não, absolutamente, a destruição da matéria cósmica, que é eterna) – dizemos que este movimento é a única Divindade perpétua e não-criada que somos capazes de reconhecer”; “O movimento (…) é a vida imperecível (consciente ou inconsciente, conforme o caso) da matéria, mesmo durante o Pralaya (…) Quando Chyang, ou a omnisciência, e Chyang-mi-shi-khon, a ignorância, ambas dormem, esta vida latente inconsciente ainda mantém a matéria que ela anima em movimento incessante e sem sono” 1. Note-se que o mesmo Mahatma, a ter de admitir a existência de Deus, o veria como “a própria essência e natureza desta matéria eterna e ilimitada, a sua energia e o seu movimento”, como a “Vida Una”.

Um excerto de um texto de Helena P. Blavatsky, embora versando directamente sobre outra temática, ajuda a esclarecer melhor o Hilozoísmo: “Os Ocultistas sustentam que a concepção filosófica do espírito e a concepção da matéria devem ter uma mesma e única base de fenómenos, acrescentando que Força e Matéria, Espírito e Matéria, ou Divindade e Matéria, embora possam ser vistos como pólos opostos nas suas respectivas manifestações, são em essência e em verdade apenas um; e que a vida está presente tanto num corpo morto com num corpo vivo, na matéria orgânica como na matéria inorgânica. É por isso que, enquanto a ciência ainda está pesquisando e pode continuar pesquisando eternamente para resolver o problema do que é a vida, o Ocultista pode deixar de lado a questão, já que ele alega, com razões tão boas quanto as possíveis razões contrárias, que a Vida, seja na sua forma latente ou dinâmica, está em todo o lugar; que ela é tão infinita e indestrutível como a própria matéria, já que nenhuma das duas pode existir sem a outra, e que a electricidade é a verdadeira essência e origem da própria vida” 9 10.

Face ao exposto, julgamos que fica claro que, das posições anteriormente referidas, o Panteísmo é a mais próxima do Hilozoísmo. Na verdade, e em rigor, como escreveu Helena Blavatsky, “filosoficamente, o hilozoísmo é o mais elevado aspecto do Panteísmo. É a única escapatória possível do absurdo ateísmo baseado na materialidade letal e das ainda mais absurdas concepções antropomórficas dos monoteístas. Entre um e outras, encontra-se no seu próprio terreno completamente neutro” 11 12. Tal como no Panteísmo, o Divino de que falam os ocultistas, é o Todo, a Vida Una, Ser Ilimitado – e não uma Pessoa ou um ser individualizado e distinto do Universo.

Não obstante, além do Panteísmo, o Hilozoísmo une superiormente algumas características do Ateísmo, visto que reconhece a eternidade da matéria e, na acepção do Ocultismo, é nâstika, rejeitando toda a ideia de um Deus antropomórfico; do Teísmo, porque consente a ideia de força(s) criadora(s), embora não de um Criador pessoal, e apresenta a Lei do Karma, correspondente superior e impessoal de um governo “moral” do Universo; do Politeísmo, já que se refere à Vida Una ou ao Ser Uno mas afirmando que aí estão englobados incontáveis Seres ou Vidas, cada um deles sendo, minimamente que seja, co-criador do Universo; finalmente, do Monoteísmo, posto afirmar que há um Ser-Vida-Substância-Consciência Una e aludir a Parabrahman (mais uma vez nas palavras do Mahatma Koot-Hoomi) como “a Lei Una Imutável”.

Esta é, de resto, uma das mais extraordinárias virtudes decorrentes da superioridade da Sabedoria Oculta: com a sua visão ampla e de perspectiva, consegue conciliar teorias diferentes e contraditórias, eliminar os seus erros parciais e suprir as suas limitações, chegando, deste modo, a uma síntese onde todas se subsumem.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

Notas:

1 In “Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett”, Ed. Teosófica, 2001, Brasília.
2 Não obstante, tristemente, vive-se na ST em pleno agnosticismo krishnamurtiano, conforme expusemos no nosso artigo “O Valor do Conhecimento Espiritual”, publicado no nº 23 da Biosofia.
3 In “A Doutrina Secreta”, Ed. Pensamento, S. Paulo, 1973.
4 Sobre Fohat, cfr. o nosso artigo publicado no nº 23 da Biosofia.

5 José Manuel Anacleto, “Ordem e Inteligência no Cosmos”, Biosofia nº 10.

6 Nos domínios do Imanifestado, Consciência Absoluta, que, do nosso ponto de vista relativo, é Inconsciência Absolta (de qualquer coisa em particular).

7 E, portanto, há somente um princípio na natureza – espírito-matéria ou matéria-espírito, já que, em última instância, os dois são um só (uma unidade bipolar), sendo apenas diferentes nas suas manifestações.

8 “Despojado de Prakriti [Substância, Matéria], Purusha (Espírito) é incapaz de manifestar-se e, portanto, deixa de existir, torna-se nada. Sem espírito ou Força, mesmo aquilo que a ciência descreve como matéria ‘sem vida’ (…) jamais poderia ter assumido formas”. In “Cartas dos Mahatmas pra A. P. Sinnett”.

9 In “Blavatsky Collected Writing, Vol. IV”, Theosophical Publishing House, Wheaton, 1969. Chamamos também a atenção para os nossos artigos sobre “A Matéria”, publicados na secção “Entre o Céu e a Terra” dos nºs 15 e 16 da Biosofia.

10 Em pleno Século XXI, é perfeitamente normal, em termos científicos, dizer-se que a electricidade está na origem da vida; mas de modo algum era assim no século XIX, quando Helena Blavatsky escreveu aquelas palavras.

11 In “Glossário Teosófico”, Ed. Ground, S. Paulo.

12 Encontramos, na história, diversos pensadores hilozoístas, mais ou menos próximos da – sempre mais completa – concepção ocultista. É o caso, na Grécia Antiga, dos filósofos da chamada Escola Jónica, nomeadamente Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, e, inclusive, Heráclito. Todos eles procuravam encontrar a substância última das coisas – o elemento primordial eterno – numa matéria única, e defendiam que nessa matéria estava imanente uma força activa, de que derivariam precisamente a variedade, a multiplicidade, a sucessão dos fenómenos na substância una. "

Em: http://biosofia.net/2005/06/21/esoterismo-de-a-a-z/


Pra mim, continua fazendo o mesmo link descrito pelo Castanêda...

Abs


Acauã

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Responder esta

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Bem, Dilton

Após estes 2 textos que postei, que penso ser muito ligados à conversa que propuseste, me encaminharia para a tentativa de linkar esta discussão justamente com algumas questões levantadas na Física.
Ainda não entendi sua colocação " vida tentar descartar-se de algo em contraposição a teoria da evolução ", ficas me devendo esta.
Mas eu continuar agora seria um monólogo.

Percebi no seu texto forte ligação com o viez oriental, por isso tentei contribuir com 2 textos de outros caminhos. Um Xamânico e um Esotérico.

Agora, pois, em homenagem à sua última frase ( "No inominável está a origem do universo" ), colo abaixo a origem dela.



O uno e o verso do Universo


O insondável (Tao) que se pode sondar

Não é o verdadeiro Insondável.

O Inconcebível que se pode conceber

Não indica o Inconcebível.

No Inominável está a origem do Universo.

O que é Nominável constitui a mãe de todos os seres.

O Ser indigita a fonte Incognoscível.

O Existir nos leva pelos canais cognoscíveis.

Ser e Existir são a Realidade total.

A diferença entre Ser e Existir

São apenas nomes

Misterioso é o fundo

Da sua unidade.

Eis em que consiste a sabedoria suprema.


livro Tao Te Ching
de Lao-Tsé


Até mais


Acauã

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Responder esta

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Dilton

To respondendo na sequência das msg pra não ficar confuso (em vez de clicar no "responder esta" abaixo de uma das MSGs, vou sempre no "responder esta" do alto de tudo, onde já tem o quadro em branco p escrever...).

Bem, não sei se teria muito mais a contribuir do que o que já coloquei, pois não tenho muita formação filosófica. Sou bem franco-atirador.
Mas vai lá:
acauars@yahoo.com.br

Abs

Acauã

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Olá Acauã, boa sorte!
Só tenho acesso à internet periodicamente, desta forma, só agora posso tentar atendê-lo. Transcrevo mais um trecho do texto que ensaio(em constante revisão):
...Assim, tentemos considerar a possibilidade de transgressão numa analogia simplória, qual seja: justapor vida univérsica / vida organímica( que denominaremos VIDA) e adentrar esses mares estranhos à lógica cartesiana e ao momento histórico – filosófico. E, justificados ou não, pressupormos que a VIDA quer se descartar do tempo, que circunstancialmente a ela se apôs, como necessidade do homem em percebê-la pela lógica de um pensamento e linguagem que a possa conceituar biológica e historicamente. Uma visão totalmente descompromissada com qualquer método científico. Uma percepção em conformidade com um novo paradigma que não pode ser atravessado pela linguagem, senão derivando para um sentido puramente místico, tal a proposição da noção da VIDA absoluta.
E, seguindo esse caminho, podemos ainda, de forma um tanto açodada, considerar VIDA como equivalente à existência, considerando também sua equivalência ao tempo enquanto eternidade. Aqui nos detendo para introduzir a possibilidade de percepção da VIDA como consciência transcendente, princípio criador de tudo. O divino que nos cerca e nos confunde e submete a racionalidade. Algo entrevisto no dizer de Goswami quando afirma que “somos o significado do universo enquanto resultado de observação de um ser senciente que provoca um colapso do evento quântico transformando uma possibilidade transcendente em espaço-tempo imanente”...Conforme Capra, “as bactérias tinham de aprisionar energia, água e alimentos a fim de manter sua integridade e permanecer vivas. Cada crise deve ter eliminado grandes porções dos primeiros pedaços de vida sobre o planeta, e por certo as teria extinguido totalmente não fosse por dois traços vitais – a capacidade do ADN bacteriano para replicar com fidelidade e a capacidade para fazê-lo com velocidade extraordinária”
A vida parece carregar o “estigma” de que tem que dar certo, se aperfeiçoar a cada momento, transformando-se por aglutinação de conhecimento – no mínimo – posto que, de simples elemento, viajamos para a “complexidade” de forma acelerada. E a cada ciclo podemos perceber que o avanço é medido em termos de aquisição de habilidades / potencialidades adquiridas e nunca por se desfazer de um algo primordialmente a ela engajado, o que, não só para Prygogine, escaparia às possibilidades da nossa linguagem e imaginação.
Abrs,
Dilton.

Responder esta

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Dilton

Como disse, minha formação e linguagem no campo da Filosofia é ínfimo, se se pode dizer existente.
Percebo que estás a trabalhar em um texto bastante longo, mais que um artigo. E que estes são pedaços mais específicos.

Assim continuemos com fragmentos...

Bom, primeiramente fico contente de perceber que os dois textos que coloquei realmente estão dentro do campo da sua busca. Olha só dois parágrafos do texto sobre "Hilozoísmo":

" O Ocultismo defende uma forma de Hilozoísmo. O que se entende por Hilozoísmo? A etimologia pode dar-nos uma primeira e importante achega. A palavra resulta da junção de dois étimos: Hyle, que significa Matéria ou Substância e Zoe, que significa Vida. Quer dizer, (toda) a substância, (toda) a Matéria, é dotada de vida; (todo) o Universo é vivo; o Cosmos é um organismo vivo. Mesmo nos minerais há vida: para o ocultista, a Vida é Movimento (ou o Movimento é Vida) – e, nos átomos de um mineral, não existe movimento incessante? Esse movimento ou, por exemplo, as combinações atómicas e de elementos, mostram que o mesmo númeno da Vida que se manifesta nos Reinos Vegetal, Animal, etc. está também presente no Reino Mineral. A Matéria é inseparável da Vida.

Por outras palavras: tudo é Vida e cada átomo, cada unidade de Ser, é uma Vida. Há uma só Vida, a Vida Única Universal, que integra incontáveis Vidas, cada uma ocupando o seu próprio lugar na Hierarquia do Ser e desempenhando a sua função na economia universal. É assim em todos os níveis do Cosmos, conforme o princípio: “Tudo quanto existe, tem o seu ser num ser maior”. Há seres dentro de seres, vidas dentro de vidas – partículas dentro de átomos, átomos dentro de organismos como o corpo dos seres humanos, seres humanos dentro de planetas, planetas dentro de sistemas solares, sistemas solares dentro de galáxias, galáxias dentro do cosmos total, o cosmos total dentro do espaço que tudo contém
. "

Bate muito com o que entendi da sua proposta.

O texto do Castañeda talvez seja mais hermético, mas me parece um exemplo de como a consciência humana pode perceber as várias manifestações de "matéria/energia" "espaço/tempo" ou sei lá o que seja, os indícios do incognoscível...
Continuo achando extremamente harmônico com a discussão. Até mesmo uma convalidação de dupla mão !

Bem, do pouco que tenho visto por aí, realmente vais numa direção que muito me tem fascinado. O Amit Goswami tem um texto que fala sobra " A Causalidade Descendente ", acho até que o título é este. Estamos mesmo muito nesta linha.

Não tenho muito o que fazer em termos de crítica ao seu texto, tanto pq são fragmentos como pq tendo a ir nesta linha. A única coisa que muda muito são as linguagens para dizer o mesmo.

Mas ainda encasqueto (do verbo "encasquetar"...rsrs...) com a colocação agora mais explicada " ... pressupormos que a VIDA quer se descartar do tempo, que circunstancialmente a ela se apôs, como necessidade do homem em percebê-la pela lógica de um pensamento e linguagem que a possa conceituar biológica e historicamente ". Não peguei. Definiste antes que "VIDA" se referia à vida orgânica (porquê 'organímica' ?? ), é isto ?

Bem, se assim for, a VIDA é uma continuidade de expressão da "vida univérsica", em direção talvez à possibilidade de auto-conhecimento desta "vida univérsica", ao desenvolvimento da famosa "Consciência Cósmica". Ou seja, a "vida univérsica" quer se ver, se perceber, se conhecer, se entender, e evoluir.

Para isso serve o desenvolvimento da vida orgânica, pois possibilita isso, através do surgimento da Percepção (que todos os seres vivos tem, desde uma bactéria, uma alface, e... ) e da Cosciência, que seria uma forma talvez superior ou além da Percepção, pois que percebe e Produz modelos de explicação para o que percebe.

Sim, como dizes, lógico que estamos num rumo que se pode chamar de místico. Como distinguir esta vida univérsica da idéia de deus ?
Mas a direção que estou colocando, e até hoje não vi nada sobre isto, é que nós (humanos), os seres com níveis elevados e complexos de Consciência (devem haver milhões de espécies assim no universo...), podemos estar engendrando deus...

Bem, na verdade a minha discussão sai um pouquinho de "Vida" e vai pra "Consciência", enquanto foco principal. Pra mim, este é o Mistério...

Agora não dá, depois falo um pouquinho sobre vida e entropia (tempo), nesta linha.

Abs


Acauã

.

Responder esta

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Então, continuando.

Outra coisa que já vi alguma referência, e me fascina como a possibilidade de um caminho para entender a relação vida("orgânica") / universo("inorgânico"), diz respeito à Entropia.

Até onde entendo, Entropia é a tendência de desorganização dos sistemas. Qualquer sistema, e o Universo é o maior, precisa de energia para se manter. Precisa então de diferenciais de energia, organização/hierarquização desta energia. O sistema solar depende da energia do sol para manter as reações físico-químicas nos planetas, entre elas a manutenção de vida na Terra. Mas estamos num processo de entropia, o sol vai se esvair e apagar, e os planetas não terão este imput de energia.

O Tempo é uma relação de Entropia. O Universo está em expansão (parece que irreversível, ao que se sabe, não haverá outro Big-Bang...), as estrelas estão jorrando sua energia para o espaço. Embora haja fenômenos de formação de novas estrelas, o fato é que a entropia acontece. A tendência é tudo se apagar, não haver mais centros produtores de energia, e esta energia se homogeneizar num universo apagado e sem qualquer troca de energia.
Portanto, sem Vida !

No Fim, tudo será Trevas. Caminhará o Espírito de Deus sobre estas Trevas ?


Acontece que o fenômeno vida(orgânica) é uma forma de organizar energia. A vida organiza e complexiza a energia. A própria Consciência é uma forma altamente complexa de energia.

A Vida avança contrariamente à Entropia.

A Consciência, que é o ápice da evolução da Vida, procura entender o Universo, agir no Universo.
Parece que são duas forças, com a Vida correndo para não ser dissolvida pela Entropia.

(Será que é este o link com o que dizes de " a VIDA quer se descartar do tempo " ??)



Talvez a vida(orgânica) seja não só uma tentativa daquilo que chamas "vida univérsica" ( a Águia ) de se conhecer a si própria, através da Percepção e da Consciência ( que são o alimento da Águia ), mas também uma forma, uma tentativa, de reverter a Entropia e... sobreviver !!!

Talvez estejamos a engendrar o Espírito de Deus, que caminhará sobre as Trevas, e dirá: FIAT LUX !!!

Talvez seja esta a origem e intento dos Vruvyir...


Abraço


Acauã

.

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Entrevista com o AUTOR

Apocalipse Motorizado

Ned Ludd (org.)

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

OS AUTORES
Ivan Illich (1926-2000) foi um dos pensadores mais surpreendentes dos anos 70 e 80. Com precisão e força atacou cada um dos falsos consensos da sociedade ocidental. O texto de Illich neste livro teve imenso impacto no pensamento libertário de hoje.

André Gorz nasceu em Viena, em 1924, é autor de ´Crítica da Divisão de Trabalho´ (Martins Fontes, 1989)

Aufheben é o nome de um grupo autonomista marxista da Inglaterra surgido nos anos 90.

Car Buster é a principal organização ativista internacional do movimento anticarro.

Reclaim The Streets é um dos principais movimentos ativistas de Londres que surgiu em 1991 com o intuito de tornar as ruas um local de convívio entre pessoas e não somente um espaço de passagem.

Ned Ludd é organizador do livro Urgência nas Ruas ­ Coleção Baderna - Conrad, 2002


Ciência precisa de metáforas melhores, diz pesquisador
Livro critica estágio atual da biologia e sugere caminhos para o futuro dessa disciplina

Se a poesia emprega metáforas para despertar o encanto, também a ciência usa esse recurso, para uma melhor compreensão de conceitos abstratos ou complexos. Por isso os cientistas falam, por exemplo, da movimentação do som por meio de "ondas". Porém, se na poesia o mau uso de metáforas resulta apenas em uma obra duvidosa, na ciência a compreensão literal das metáforas leva a perigosos mal-entendidos.

Esse é o eixo central das idéias discutidas por Richard Lewontin, pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), em conferências realizadas em Milão que, com o acréscimo de mais um capítulo, tornaram-se o livro A tripla hélice. Lewontin debate a idéia de que somos pré-determinados pelos genes, aponta incorreções na teoria da evolução de Darwin, discute a visão cartesiana de que o corpo é uma máquina e sugere caminhos para o estudo da biologia.

O autor critica o uso do termo desenvolvimento para sintetizar as alterações por que passamos do nascimento à morte. Lewontin afirma que o "termo traz a idéia de algo que se desenrola a partir de algo já presente". Segundo esse conceito, as características dos seres vivos seriam a mera expressão do seu material genético e nunca dependeriam da influência do ambiente (como se verifica, nos humanos, no caso da língua que cada indivíduo fala).

Lewontin também discute a atualidade da teoria da evolução. O termo criticado dessa vez é a adaptação -- "o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma existência preexistente". Segundo esse conceito, a diversidade das espécies resultaria da existência de "diferentes tipos de ambientes aos quais os seres vivos se compatibilizaram mediante a seleção natural". O autor condena a separação entre ambiente e organismo. As formigas, por exemplo, fazem ninhos, as plantas consomem gás carbônico do ambiente e produzem o oxigênio a ser usado pelos animais. Organismos e ambiente agem um sobre o outro em um processo constante de transformação.

Mais uma metáfora combatida é a comparação de seres vivos a máquinas. Para estudar um organismo, a biologia divide-o em partes, como se fosse possível separá-lo em funções e em seguida "determinar um todo claro e de anatomia óbvia". É impossível estudar como alguém segura um objeto analisando apenas os movimentos da mão. Ele precisa dos olhos para ver, os músculos se contraem a partir do encurtamento das fibras musculares, que por sua vez depende da química das proteínas actisina e miosina.

Embora admita que as técnicas de que a ciência dispõe já bastam para que avanços sejam feitos, Lewontin esclarece que as respostas que a biologia elabora dependem das perguntas que faz. Se o estudo dos seres vivos está permeado de noções equivocadas, as perguntas serão mal-formuladas e as respostas não esclarecerão o que realmente interessa.

A tripla hélice é um livro atual e envolvente. Em uma linguagem simples, porém de raciocínios complexos, permite uma leitura surpreendente a quem quer que tenha domínio razoável de biologia e genética.


A tripla hélice - gene, organismo e ambiente
Richard Lewontin (trad.: José Viegas Filho)
São Paulo, 2002, Companhia das Letras
138 páginas - R$ 25

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
03/09/02

Notas

Porque NÃO!

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago 2009 at 13:13. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago.

Hora do Planeta


" Veja o seu mundo sob uma Luz totalmente diferente "

28/março : 20:30h horário local - desligar a eletricidade por 1 hora em sintonia com vários países - cada vez mais pessoas aderem a esta causa !
Participe e divulgue !!!

Em 2007 - esta idéia começa e toma conta da Austrália

Em 2008 - 35 países se unem, mais de 50 milhões de pessoas cadastradas que fizeram a diferença apagando
a Luz por uma hora e deixando a Mãe Terra respirar ...

Participem

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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar 2009 at 11:00. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar.

Fotos dos membros da RETRANS

O slideshow da RETRANS, na página principal, comporta o nº máximo de 100 fotos.
As demais fotos (mais de mil fotos!) publicadas pelos membros seguem arquivadas em suas páginas pessoais ou nas páginas de FOTOS.Portanto, para quem quiser ver ou rever mais fotos basta clicar no link Fotos( parte superior da página principal) ou nas páginas pessoais de cada membro.
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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 21 Jun 2008 at 10:44. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 23 Mar.

Objeções de consciência

Reservista israelense se nega a invadir Gaza

Um reservista escalado para invadir a faixa de Gaza se recusou a entrar no território como protesto contra a morte de centenas de palestinos, muitos deles civis, na Faixa de Gaza.

O militar, de 35 anos, integrante de uma unidade de engenheiros, foi condenado a 14 dias de prisão por insubordinação, informou em um comunicado a organização Ometz Lesarev, que apóia soldados que não concordam co… Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar 2009 at 10:50. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar.

Homenagem a Pierre Weil na Feira do Livro de Poa/RS


Encontro de autores da RETRANS na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Em Busca da Paz

© Antônio Dayrell

(À memória de Pierre Weil*)

Pela paz soltaram as pombas do cativeiro,
um ano foi especialmente dedicado.

Pela paz construíram as armas,
homens perderam suas vidas,
famílias se viram destruídas.
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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 25 Nov 2008 at 16:06. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 5 Mar.

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