RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA
Tecendo Redes Vivas

Mal adaptado, porque com excessivas garantias, nefasto ao equilíbrio do planeta, será o ser humano, em definitivo, um erro da Natureza?
Avaliam-se em mais de um milhão as espécies vegetais e animais que vivem actualmente na Terra. O total de espécies aparecidas no decurso da evolução biológica atingirá os dez milhões. No entanto, nove em cada dez desapareceram.
Nenhuma espécie é sagrada . Cada uma surge do jogo da Natureza, do acaso das mutações biológicas. Para durar precisa de arranjar um nicho, estabelecer um comportamento de trocas, receber e dar, inserir-se num ecossistema. Caso contrário, a eliminação é inexorável.
Há sessenta e cinco milhões de anos, os dinossauros, os fetos gigantes, os amonites, desaparecem bruscamente da superfície terrestre. Sobre a causa desta catástrofe não dispomos de certezas. Pode ter sido a chegada súbita e importante de materiais extraterrestres (meteorito gigante ou nuvem interestelar). Segundo toda a probabilidade, estes seres não foram responsáveis pelo seu desaparecimento. A Natureza não lhes pediu a opinião. Mas o ser humano, se chegar a sua vez de desaparecer, não poderá senão culpar-se a si próprio. Nada nos ameaça além do que nós provocamos.
A destruição nuclear da Humanidade poderia arrastar a eliminação de uma fracção importante – mesmo a totalidade – das espécies animais e vegetais. Se o arsenal não é ainda suficiente para causar esta hecatombe, não demorará muito a sê-lo. De novo temos de saudar a eficácia da inteligência humana. Importa aqui reconhecer o papel pouco invejável desempenhado pela nossa cultura ocidental. Se o grau de civilização de um grupo humano se mede pela harmonia das suas relações com o meio ambiente, a nossa quota é a mais baixa. Tomo por testemunho estas palavras desgostosas de um velho índio do meu país: «Os brancos riem-se da terra, do gamo ou do urso. Quando nós, índios, os caçamos, comemos toda a carne; quando procuramos raízes, fazemos pequenos buracos; quando queimamos a erva, por causa dos gafanhotos, não arruinamos tudo. Sacudimos as glandes e as pinhas das árvores. Só utilizamos a madeira morta.
Mas o homem branco revira o solo, abate as árvores, destrói tudo. A árvore diz: «Pára, estou ferida, não me faças mal». Mas ele abate-a e corta-a em pranchas. O espírito da terra odeia-o. Ele arranca as árvores e abala-as até às raízes… Ele estoira os rochedos e deixa-os em detritos sobre o solo. A rocha diz: «Pára; tu fazes-me mal». Mas o homem branco não lhe dá atenção. Como poderia o espírito da terra amar o homem branco? Por toda a parte onde toca deixa uma chaga».
No nosso planeta habita um grande número de culturas diferentes, cada uma das quais desenvolveu as suas próprias estratégias de subsistência, o seu modo de vida adaptado ao enquadramento natural. A pesca dos Esquimós difere da de Benin. A agricultura maciça das pradarias canadianas não se assemelha à jardinagem familiar dos camponeses da Índia. Tal como as técnicas de vida, as relações do homem com a Natureza variam largamente de um lugar para outro. Como os índios da América, como muitos hindus, numerosas sociedades tradicionais têm pela Natureza um respeito profundo, com vislumbres de animismo.
A ciência e a tecnologia do poder nasceram no nosso mundo ocidental, precisamente onde a relação mística com a Natureza foi desde há mais tempo posta em causa. E, sem dúvida, isso não aconteceu por acaso. Reencontramos aqui a imagem de Prometeu arrancando o fogo do céu: o «pecado» que, segundo Oppenheimer, os físicos conheceram em Los Alamos.
Se há uma relação entre a rejeição da piedade ancestral e a eclosão da ciência, em que sentido se desenvolve ela? Da impiedade à ciência ou da ciência à impiedade? Com toda a verosimilhança, alternada ou simultaneamente, nos dois sentidos.
O importante para nós é o facto histórico do surgimento da cultura tecnológica ocidental, cuja influência hegemónica se propaga e impõe a todo o planeta.
Os imperativos industriais e comerciais, os meios de comunicação e transporte, interditam o isolamento do passado. No século XIX os Japoneses foram forçados a abrir as portas ao Ocidente. As últimas tribos da Amazónia extinguem-se em Tristes Trópicos, de Lévi-Strauss.
Será inevitável a inteligência e a curiosidade conduzirem à eclosão de uma sociedade tecnológica, apoiada no domínio das energias? Esta interrogação, muitas vezes formulada, parece-me inadequada.
Imaginemos um planeta «lambda» onde, como na nossa Terra, uma multidão de culturas diferentes desenvolve em separado as suas relações com a Natureza. Mesmo que a quase totalidade destes grupos mostre apenas um interesse moderado pela ciência e pela tecnologia, basta que esta paixão apareça algures para se impor a todos. A tecnologia é invasora, arrasta a sua própria expansão territorial.
A natureza do escorpião
Na margem arenosa de um grande rio africano um leão dorme. É de tarde, faz calor. Não corre a menor aragem.
Um escorpião aproxima-se: «Levanta-te. Tenho necessidade da tua ajuda», diz ele, dando uma cotovelada ao leão, «preciso de passar para o outro lado do rio. Aqui não há mais ninguém. Põe-me sobre as tuas costas e leva-me a nado».
Surpresa do leão: «Eu, nadar com um escorpião no dorso? Tu vais-me picar e eu morro…». O escorpião defende habilmente a sua causa: «Não sejas estúpido. Se eu te pico, afogamo-nos os dois. Nada te acontecerá». Obstinado, o leão procura argumentos. Mas a agilidade intelectual do escorpião, aliada à lógica insuperável da sua deprecada, acaba por vencer. «Sobe», diz o leão.
A passo lento, o leão, desconfiado, avança na água tépida. Começa a nadar. A meio do rio, uma dor viva paralisa-o. O duo é levado pela corrente.
«Olha bem o que fizeste», diz o leão, «vamos perecer os dois». «Eu sei», responde o escorpião, «lamento muito, mas ninguém escapa à sua natureza».
Os acontecimentos dos últimos decénios dão a esta fábula toda a pertinência. Estará na natureza do homem fabricar, o mais depressa e o mais eficazmente possível, as armas da sua autodestruição? Se tal é o caso, poderemos nós escapar à nossa natureza?
A aposta cósmica
Neste primeiro capítulo esbocei o balanço de uma situação particularmente alarmante: a do futuro do género humano. A acumulação delirante de engenhos termonucleares, a proliferação do armamento atómico, fazem-nos prever o pior.
As armas – a História no-lo ensina – acabam sempre por funcionar. Os pretextos de legítima defesa tornam-se alibis de agressão. Se o passado é a garantia do futuro, quem apostaria no futuro da paz mundial? E, se o tiroteio começa, quem apostará na sobrevivência da espécie humana?
Mas qual o efeito produzido no espaço interestelar por um fogo-de-artifício de bombas atómicas no nosso planeta? Praticamente nenhum… Os habitantes dos sistemas planetários, mesmo os mais vizinhos, serão incapazes de o detectar! Uma peripécia perfeitamente desprezível à escala galáctica e do cosmos. Para que diabo tantas histórias?
E, contudo… Se a vida existe em outros sistemas planetários, à volta de outras estrelas, se neles apareceram civilizações tecnológicas, não correrão elas também o risco, impulsionadas pela «cruel discórdia», de serem confrontadas com o mesmo problema? Quantas populações planetárias chegaram antes de nós à encruzilhada crucial em que nos encontramos neste momento sobre a Terra? Quantas mergulharam no nada por não terem sabido executar a manobra correcta? E quantas souberam passar no exame da coexistência pacífica com o seu próprio poderio?
Um silêncio assustador
Pascal assustava-se com o silêncio dos espaços infinitos. Mas o céu, sabemo-lo hoje, não é para nós um estranho. Lá se elaboram, no centro das estrelas, como nas nebulosas, os núcleos, os átomos e as moléculas, que formarão mais tarde a infra-estrutura da consciência.
Existirá vida fora da Terra, noutros planetas, ao redor de outras estrelas, entre os milhares de milhões de galáxias do nosso universo? Temos excelentes razões para pensar que os escalões da complexidade são vencidos quando as condições físicas o permitem. E que estas condições férteis existem em milhões e milhões de exemplares no cosmos.
Porquê então nunca recebemos mensagens, radiofónicas ou de outro género, provenientes do céu? Há várias respostas. Examinemos, sucessivamente, quatro delas:
1 Contrariamente à opinião apresentada acima, estamos sós. A vida não se desenvolveu em qualquer outro lugar. É possível, mas, considerando os conhecimentos actuais, esta explicação é difícil de aceitar;
2 As civilizações extraterrestres comunicam por métodos de transmissão que escapam ainda à nossa tecnologia. Não se pode refutar esta hipótese;
3 Os nossos mais próximos vizinhos estão demasiado longe para os nossos receptores actuais, por exemplo, se habitam na galáxia de Andrómeda. As próximas gerações de radiotelescópios poderão então reservar-nos algumas surpresas;
4 Incapazes de gerir a sua agressividade, as civilizações tecnológicas exterminam-se logo que disso se tornam capazes.
Se a boa resposta é a última, o «silêncio dos espaços infinitos» tem um significado assustador muito diferente do que tinha para Pascal.
Hubert Reeves
A hora do deslumbramento. Terá o universo um sentido?
Lisboa, Ed. Gradiva, 1991
Excertos adaptados
Fonte: Planeta Eclipse
Tags: Terra, antropoceno, ciência, crise, ecologia, erro, extinção, mística, natureza, pegada, Mais...planeta, tecnologia
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Elizabete Otelac comentou a postagem no blog Papa condena 'cultura do desperdício' em Dia do Meio Ambiente de Elizabete Otelac
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Posts no blog por Elizabete OtelacIniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título 4 Jun. 0 Respostas 0 Curtiram isto
A desestruturação de comportamento em relação com o mundo e consigo mesmo, que ocorre já a partir da pré-adolescência, culminando na juventude, sendo reincidente em fases da vida adulta é o mal necessário para o amadurecimento do ser a partir de sua luta interna que leva ao autoconhecimento. A reestruturação de forma amadurecida exige uma vivência legítima que passa pelo desconforto da desestruturação que vem através de estados psíquicos e físicos…Continuar
Iniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título. Última resposta de CARLOS ALVES 2 Jun. 1 Resposta 1 Curtiu isto
A sorte ou o azar de pessoas, sem aparente causa, principalmente em acidentes fatais ou naqueles que mutilam; a cura ou a morte por doenças graves de pessoas sem o aparente merecimento relacionado à fé inspiram frases como: “Foi a vontade de Deus!” (para os que sentem a perda) e “ Graças a Deus se livrou (ou se curou)!” (para quem sente o alívio). No entanto, aqueles que veem a perda de seu parente ou amigo ou ainda da pessoa amada, vendo na mesma situação o livramento ou a cura de outro, pode…Continuar
Iniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título 1 Jun. 0 Respostas 0 Curtiram isto
A medicina milenar hindu-chinesa, nascida dos conhecimentos da antiga ciência dos mestres orientais encontra nos dias atuais, com sua forma original e adaptada e interligada a novos conhecimentos, um vasto emprego na prevenção e cura de doenças psíquicas e físicas através de técnicas diversas entre elas a medicina Ayurvédica, a acupuntura, aroma terapia, cromo terapia, cura através dos fitoterápicos, homeopatia e produtos naturais, bem como diagnósticos através da iridologia entre outros…Continuar
Iniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título 1 Jun. 0 Respostas 0 Curtiram isto
“Bem aventurados os que são perseguidos pela Justiça (Justiça Divina).”Devemos, nas palavras do Mestre dos mestres, entender com um entendimento Superior, mais abrangente, tendo em vista que Jesus não veio falar das coisas deste mundo, mas dos mundos espirituais. Assim é óbvio que Jesus fala da Justiça Divina, que somente através da reencarnação, aqueles que não pagaram na mesma vida em que erraram quando foram perseguidores, são agora nesta encarnação os perseguidos. Os seus cobradores,…Continuar
Iniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título. Última resposta de Striquer ~ Retransmitindo 1 Jun. 2 Respostas 1 Curtiu isto
Por vezes no dia-a-dia parecemos máquinas pré-programadas. Em tudo que aprendi através do conhecimento que busquei, porque queria respostas mais convincentes e que tivessem bom senso quanto ao sentido da vida, me levou a estar convicto que não somos uma máquina do acaso físico nem mesmo almas de primeiro nascimento colocadas a mercê da boa ou má sorte em seu destino; somos espíritos eternos de origem imemorial, tal o feto que não se lembra da vida no ventre e estamos sim presos a um aparelho,…Continuar
Iniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título 18 Maio. 0 Respostas 0 Curtiram isto
A matemáticada vida tem no princípio a formula primordialcujo resultado é a forma material.A causa é inteligência superiorque a ciência não pode provar, nem contestar,nem absurdamente atribuir ao aleatório acaso;apenas pode supor a causa das causasse amar a temática em cada átomo do micro universoe em cada astro do macro universo.O cético cientista não podeprovar Aquele que o coloca como ateu,em situação de ser provado.Muitos são astutos na exata matemática,no entanto deveriam antesde…Continuar
Iniciado por Striquer ~ Retransmitindo em Exemplo de título 19 Abr. 0 Respostas 1 Curtiu isto
O homem primitivo adorava o Sol como uma divindade porque se encontrava integrado á natureza por instinto animal e ao cosmos por intuição espiritual. A grandeza do sol e sua dinâmica impressionavam por sua beleza e funcionalidade quanto à sua luz que clareava o dia dos nativos que temiam a escuridão da noite sem Sol. Em toda a…Continuar
Iniciado por Eduardo Sejanes Cezimbra em Exemplo de título 18 Abr. 0 Respostas 0 Curtiram isto
Dra. Marcia Angell M.D. de Harvard, solta o verbo! O outro lado dos laboratórios farmacêuticos e novas perspectivas.Publicado em…Continuar
Tags: doença, medicina, saúde, medicamentos, remédios
Iniciado por Mirtzi Lima Ribeiro em Exemplo de título. Última resposta de Mirtzi Lima Ribeiro 30 Mar. 2 Respostas 0 Curtiram isto
OBS.: O Power Point se encontra abaixo, com o mesmo teor do texto a seguir.Século XXI: o salto das premissas do Séc. XVII para aquelas estabelecidas no Séc. XX ArgumentoMirtzi Lima Ribeiromirtzi@gmail.comJoão Pessoa – Paraíba – Nordeste – BrasilPremissas Científicas e CulturaisApesar de todo o avanço científico e tecnológico, as premissas da ciência formal contemporânea estão baseadas no modelo mecanicista consolidado no Século XVIII, cujos…Continuar
Iniciado por Elizabete Otelac em Exemplo de título 13 Mar. 0 Respostas 0 Curtiram isto
Queridos companheiros de jornada evolutiva,Divulgando com muita alegria! Vejam com carinho o vídeo, link abaixo (Divaldo Franco em Curitiba - 08/03/2013) e apreciem com plena atenção e gratidão o PPS (1ª, 2ª e 3ª Partes) elaborado pelo nosso querido confrade Jorge…Continuar
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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 4 Mar 2011 at 8:24. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 12 Ago, 2012.
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ContinuarCriado por Eduardo Sejanes Cezimbra 15 Mar 2011 at 14:21. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 15 Mar, 2011.
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