RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA

Tecendo Redes de Transformações

Entrevista com Paul Roberts

Em 2050, seremos todos vegetarianos.


Comer menos carne é o único meio de alimentar 10 bilhões de humanos, diz o autor de "O Fim da Comida"

Peter Moon

Data: 16/06/2008
Veículo: ÉPOCA
Editoria: ENTREVISTA
Jornalista(s): Peter Moon
Assunto principal: AMAZÔNIA
Comer menos carne é o único meio de alimentar 10 bilhões de humanos, diz o autor de "O Fim da Comida"

Peter Moon

No Ensaio Sobre O Princípio Da População, publicado em 1798, o inglês Thomas Malthus fez uma afirmação alarmante. Como a população humana crescia em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética, no longo prazo o saldo desse descompasso seriam a fome e o aumento da mortalidade, ajustando o tamanho da população à oferta de alimento. Em 1800, havia 1 bilhão de humanos. Hoje, somos 6,6 bilhões. A produção agrícola superou a explosão populacional. Malthus estava errado? Para o jornalista americano Paul Roberts, de 54 anos, talvez não. A hora de Malthus pode ter chegado. Em The End of Food (O Fim da Comida, editora Houghton Mifflin), Roberts prevê que, até 2050, a demanda por comida ultrapassará a oferta. Um primeiro alerta seria a atual explosão do preço dos alimentos.

ENTREVISTA - PAUL ROBERTS

QUEM É

Jornalista especializado em economia, tecnologia e meio ambiente. Tem 54 anos

O QUE FEZ

Colaborou com a revista Harper"s Magazine e com os jornais Los Angeles Times, The Washington Post e The Guardian (de Londres), entre outros

O QUE PUBLICOU

The End of Oil (O Fim do Petróleo, 2004);

The End of Food (O Fim da Comida, 2008)

A tonelada de arroz passou de US$ 400 para US$ 1.000 em cinco meses. No Brasil, o feijão subiu 168,44% em 12 meses. A culpa, para os analistas, é de chineses e indianos, que estão ganhando mais e comendo mais. Em 2030, a China importará 200 milhões de toneladas de grãos, ou seja, todo o excedente exportável mundial. O que sobrará para os países pobres? Se nada for feito, a fome.

ÉPOCA - Malthus estava certo?

Paul Roberts - Após 200 anos, é cada vez mais difícil dizer "não" a essa pergunta. Continuamos desenvolvendo novas tecnologias para produzir mais comida, mas enfrentamos novas restrições que os fazendeiros do passado não tinham. Historicamente, a forma de aumentar a produção era expandir a área plantada. Isso é cada vez mais difícil. A maioria das terras aráveis do planeta já é usada e a maior parte do que resta são as últimas florestas. É o caso do Brasil, onde as novas áreas de plantio são obtidas à custa da derrubada de florestas.

ÉPOCA - É hora de outra Revolução Verde?

Roberts - A Primeira Revolução Verde, que transformou a agricultura entre os anos 40 e 60, multiplicou a produção de alimentos graças ao uso de fertilizantes e ao desenvolvimento de novas sementes. Ainda é possível aumentar a produtividade usando os transgênicos. Mas essa tecnologia tem seus limites. Não podemos também esquecer que o preço da energia está subindo e que a agricultura moderna foi pensada no tempo em que o barril de petróleo custava US$ 20. Caso o preço se estabilize entre US$ 125 e US$ 200, o sistema atual não se sustenta.

ÉPOCA - O que fazer?

Roberts - Há três grandes desafios para criar uma Segunda Revolução Verde. O primeiro é o aumento do preço do gás natural, o principal insumo na produção de nitrogênio sintético, que por sua vez é o maior insumo dos fertilizantes. A maior parte do excedente agrícola atual se deve à disponibilidade de nitrogênio barato. Se o preço dos fertilizantes se mantiver elevado, alimentar daqui a 50 anos outros 4 bilhões de pessoas, além dos 6,6 bilhões atuais, será um tremendo desafio. É preciso alternativas para produzir novos fertilizantes.

ÉPOCA - O segundo desafio é...

Roberts - A falta d"água. Para isso não existe alternativa. Não há continente onde não falte água. Cada país responde ao desafio de forma diferente. A China está substituindo a produção de grãos, que usa irrigação maciça, pela de frutas e verduras, que consome menos água. Em 2007, importou 30 milhões de toneladas de soja, boa parte oriunda do Brasil. Isso significa que a China está importando de vocês sua água. Está ocorrendo uma mudança no "mercado virtual" de água. Por algum tempo, isso deve contrabalançar a escassez. Mas, no fim das contas, não existe água suficiente no mundo para atender ao aumento projetado na demanda de alimentos.

ÉPOCA - E o terceiro?

Roberts - O último é o maior de todos: as mudanças climáticas. Elas vão dificultar o aumento na produção de comida e acentuar a escassez de água. A alteração do clima também será um desafio para que grandes exportadores, como os Estados Unidos e o Canadá, consigam elevar sua produção. Os desafios são complexos e as respostas para eles também. Será preciso reduzir o uso de energia e de água na agricultura, ao mesmo tempo que se elevam a eficiência e a produtividade. Porém, isso não será o bastante. Seremos obrigados a comer menos.

ÉPOCA - A Terra pode alimentar 2,5 bilhões de bocas com uma dieta ocidental, rica em carne, ou 20 bilhões de vegetarianos. Mas somos 6,6 bilhões...

Roberts - A pecuária e a avicultura consomem grande parte da produção de grãos. Tome o exemplo dos Estados Unidos, com um consumo anual per capita de 100 quilos de carne, comparado ao da Índia, com 15 quilos. É preciso elevar o consumo da Índia e desencorajar o consumo nos Estados Unidos e na Europa, para tentar atingir uma média global de consumo mais justa e sustentável.

ÉPOCA - Isso não é utopia?

Roberts - É preciso reduzir o consumo de carne. A questão é como fazê-lo. Nos Estados Unidos não se toca no assunto. Achamos que comer carne é um direito eterno. Seu consumo é considerado um índice de prosperidade - apesar dos problemas de saúde, como doenças cardíacas, que seu consumo acarreta.

ÉPOCA - No Brasil, é a mesma coisa.

Roberts - O Brasil está se desenvolvendo, e a lógica pressupõe que num país bem-sucedido come-se tanta carne quanto se deseja. Para inverter essa lógica, é preciso um líder corajoso e habilidoso. Essa não é uma prioridade dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Cedo ou tarde, essa discussão terá de ser atacada.

"Como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles devem comer menos

carne, se isso tem sido um objetivo humano por milhares de anos?"

ÉPOCA - Barack Obama e John McCain têm opinião a respeito?

Roberts - Não sei. Não é uma questão que eles levantariam na campanha. Não soaria como algo patriótico.

ÉPOCA - O aumento do preço da comida ameaça elevar em 100 milhões o total de 862 milhões de famintos no planeta. Mas há 1 bilhão de pessoas com sobrepeso. O problema da humanidade é a fome ou o diabetes?

Roberts - Ambos são problemas. Se fosse forçado a escolher, priorizaria a subnutrição, pois ela mata as pessoas muito mais cedo, e sua solução contribuiria para a estabilidade do clima. Dito isso, se fracassarmos em lidar com a questão da obesidade, no longo prazo pagaremos um enorme preço na forma de despesas médicas. Por 200 mil anos, a espécie humana teve sua dieta restrita pela disponibilidade ou não de alimento. A invenção da agricultura, há 10 mil anos, mudou esse padrão. A obesidade é conseqüência do acesso a uma alimentação farta e barata. Para manter uma dieta saudável, é preciso disciplina, e nós não fomos biologicamente projetados para controlar nossa gula.

ÉPOCA - O Brasil será o celeiro do mundo à custa da destruição da Amazônia?

Roberts - Apesar de conhecermos as conseqüências científicas e ambientais da rápida expansão da agricultura, somos incapazes de resistir à pressão política e econômica. Na imprensa econômica americana, o Brasil é retratado como uma história de sucesso. O país será uma superpotência na produção de alimentos. No entanto, quando olhamos as publicações científicas, o Brasil é retratado em termos muito negativos. A lógica gira em torno do fato de a população chinesa ganhar hoje o suficiente para comer carne, o que leva à destruição das florestas no Brasil. A questão fundamental é: como dizer a 1,3 bilhão de chineses que eles devem comer menos carne, se comer carne tem sido um objetivo humano por milhares de anos?

ÉPOCA - Seu livro anterior se chamava O Fim do Petróleo. O atual é O Fim da Comida. Qual será o próximo, o fim da água? O fim da natureza? O fim da esperança?

Roberts - (Risos.) Vou trabalhar num livro sobre as finanças globais, outro desastre. O mercado financeiro é a chave de tudo. Nada do que conversamos, como a conversão de florestas em área de cultivo no Brasil, pode acontecer sem a ajuda dos mercados financeiros. Eles estão em crise. São uma faca de dois gumes que é preciso entender melhor.

ÉPOCA - O senhor é otimista com o futuro?

Roberts - Acho que sou. Ao dissecar a questão da escassez de recursos, aprendi como as coisas podem se tornar ruins. Eu sei qual é o pior cenário possível se não alterarmos a rota na qual caminhamos. Com isso em mente, acredito que qualquer mudança será para melhor. É muito fácil ser pessimista, mas isso não faria o menor sentido. A humanidade sempre conviveu com a escassez. Essa é a condição humana.

Fonte: http://www.linearclipping.com.br/

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Respostas a este tópico

Obrigada, Edu!

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Edu, todavia, acho que não se tocou no tema de fundo que é o conjunto de valores que sustentam esta civilização. Nenhuma mudança real e positiva será possível se esse tema não entrar na discussão.... Mercado financeiro???? Acho que o melhor seria acabar com ele. Assim todo lucro teria que se transformar em fonte de novos trabalhos, em educação, em abrir possibilidades. Quem sabe não surgiriam propostas de cultivo diferentes, agricultura familiar ampliada, de bairros, de estados, mas não sob o controle das multi e sim dos conjuntos humanos, eles em certa forma se auto-regulariam e se for precisso mudar hábitos alimentares, eles o proporiam, porque haveria consciência de sua necessidade.
Mas, hoje ainda isso não é possível, ainda falta aos povos ganhar consciÊncia de suas possibilidades e de sua responsabilidade no andamento dos acontecimentos.

Mas, como sou otimista, acredito que no futuro isso irá acontecer por necessidade ....
Não há saídas parciais para problemas globais!
Não há saídas naturais para problemas estruturais e intencionais!
Cris

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Bem oportuno. Nestas últimas viagens conheci restaurantes vegetarianos em BH, Brasília, Natal, Rio e Porto Alegre. Tudo ótimo: paladar, opções do cardápio, capricho mesmo, tudo saboroso. No Rio, no Refeitório Orgânico, fiquei mesmo impressionada com a variedade criativa do cardápio e com a camiseta do garçom: "Amamos bichos, não os comemos"!
Tudo perfeito se não fosse a infeliz da proteína de soja em todas estas casas. Acho até que os proprietários também sentem-se constrangidos com isso: nunca se diz SOJA no cardápio e nas plaquinhas do buffet, apenas PROTEÍNA . Ora, se amo os animais, não lhes tomo a água, a floresta, a casa, substituindo tudo por milhas de soja louca. Não se acham mais bifes de seitam (carne de glútem) em casas naturebas. Tudo por causa da paúra da doença celíaca, aquela que, segundo espalharam, forma barriga e pneuzinhos, e por isso a paranóia se espalhou tão rápido o "XÔ, glútem! E entra no mercado a quinua.
É chocante também encontrar pessoas de boa fé e pouca informação sendo vítimas do marketing natural / light / diet / orgânico. Saem correndo pra tomar Addes, lambuzar-se de leite condensado de soja, pingar estévia com sacarina, passar margarina com azeite de oliva no pão integral industrializado repleto de gordura trans.
Me lembrei muito do Ray e suas colocações sobre ser o mesmo prejuízo pra saúde e para a vida ambiental comer carne ou verdes com agrotóxico. Concordo.
Abçs

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OI amiga
Estamos pasando de carnívoros a antropofâgicos...destruindo a nós mesmos, a nosos próprios recursos...É muito imensa a nossa ignorância, nossa falta de consciência...
Nossa alienação nos mantêm cegos, surdos e mudos...
Vivemos no encantamento do sonho...
Acreditamos que tudo é como sempre foi, como nos contaram...
Urge revistar tudo, paso a paso...qué comer...quanto comer...outras formas de se alimentar...desfrutar...cantar e dançar mais...amar mais...
Caminhar em círculos é bom só nas danças circulares...Na vida é bom pular de oitava!
Falando nisso, te amo Dhanadinha!
Beijos e luzes!
Ro

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Interessantes as respostas abaixo, da Cris e da Dhan.

Eu também concordo que a resposta é uma mudança de postura do ser humano perante a Terra.

Senão, tudo pode ser considerado "moda". E nada se muda e as pessoas ficam com a "consciência tranquila", de "estou fazendo minha parte".

E continua a figura dos "três macacos": nada vejo, nada escuto, nada falo ...

Maria Thereza.

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'Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.'

Albert Schweitzer (Nobel da Paz de 1952)

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Más que pensar na escassez, opto por mentalizar a Abundância...
Considero que nossos alimentos vão além da comida...tradicional...
Nós recebemos alimento do Sol, (a través da pele e dos olhos) da Luz, do Ar (a través de uma boa respiração e dos aromas), da Água (que é inteligente e pode ativar nossas células com uma boa re-programação), dos sentimentos amorosos(que estimulam nossos ôrgãos e os fazem produzir sustãncias nutritivas), do Som(a través do canto, da vocalização, da música, dos acordes que nos curam e harmonizam), da Dança (movimentos criativos que desenvolvem nosso corpo e o preparam com intenções e improvizações), da terra (com seu contato a través dos pés, a través dos seus frutos) e certamente, de outras formas que escaparam agora, mas que estão presentes e não reparamos.
Temos muito trabalho a ser realizado, precisamos dedicar nosso tempo a ele.
Obrigada
Abraços e luzes
Rosa Groisman

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Contrapondo-se a Malthus, os neo-liberais inventaram a engenharia genética. Mas, e as consequências?

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Notícia relacionada:
De acordo com organizações internacionais, para responder ao desafio de alimentar a crescente população mundial e combater a fome torna-se necessário realizar uma grande redução no desperdício de alimentos pós-produção.

O Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI), a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) e o International Water Management Institute (IWMI) apresentaram na quinta-feira, 21/8, o estudo “Poupar Água: Do campo à mesa - Conter Desperdícios e Perdas na cadeia alimentar (Saving Water: From Field to Fork – Curbing Losses and Wastage in the Food Chain)”, que apela aos governos para reduzir pela metade, até 2025, a quantidade de comida desperdiçada depois da colheira e sugere como isto deve ser feito. Por Henrique Cortez *, do EcoDebate.

Enormes quantidades de alimentos são descartados no processamento, transporte, supermercados e nas cozinhas. Esse desperdício de alimentos também é desperdício de água. Nos EUA., por exemplo, estima-se que 30% dos alimentos, com valor calculado em US $ 48,3 bilhões, é jogado fora. Por analogia, isto significa uma “torneira aberta” desperdiçando 40 trilhões de litros de água, o suficiente para abastecer 500 milhões de pessoas.

Os alimentos produzidos são mais do que suficientes para alimentar uma população mundial saudável. A distribuição e acesso aos alimentos são os problemas mais graves, porque muitos estão famintos, ao mesmo tempo que muitos comem excesso. O relatório destaca um problema muitas vezes esquecido: nós estamos produzindo alimentos para cuidar não apenas para o nosso consumo necessário, mas também os nossos hábitos perdulários.

“Há muito que metade da água utilizada para alimentar o crescimento global é perdida ou desperdiçada”, diz o Dr. Charlotte de Fraiture, pesquisador da IWMI. “Limitar essas perdas e melhorar a produtividade da água fornece as oportunidades de ganho para os agricultores, as empresas, os ecossistemas e a fome global. Uma estratégia eficaz de poupança de água, exigindo que os alimentos minimizem o desperdício, deve ser colocada na agenda política. “

A produção alimentar é condicionada pela disponibilidade de água e de recursos terrestres. Estima-se que 1,2 bilhões de pessoas já vivem em áreas onde não há água suficiente para satisfazer a demanda. E com o aumento da demanda de água, pelo uso intensivo de produtos agrícolas, como carne e bioenergia, aumenta a pressão sobre os recursos hídricos. De acordo com a avaliação do relatório Recursos Hídricos na Agricultura de 2007 (Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture 2007), esta tendência levará a situações de crise em muitos lugares, especialmente na África Subsaariana e no Sul da Ásia. “Se não mudarmos as nossas práticas, a água será um dos principais limitadores para a produção alimentar no futuro”, disse o Dr. Pasquale Steduto, da FAO.

Poupança de água do ‘Campo até à mesa “
A água, virtualmente presente nos alimentos, é desperdiçada antes e depois de chegar ao consumidor. Nos países mais pobres, a maioria dos alimentos é descartada antes de terem a chance de ser consumidos. Dependendo da cultura, um número estimado de 15-35% dos alimentos podem ser perdidos no campo. Outros 10-15% são descartados durante o processamento, transporte e armazenagem.

Nos países mais ricos, a produção é mais eficiente, mas a geração de resíduos é maior: as pessoas desperdiçam os alimentos que compram e, com isto, também desperdiçam todos os recursos utilizados na sua produção (água, terra, energia, transporte, etc).

O relatório sublinha que a magnitude das atuais perdas de alimentos pode ser um desafio ou uma oportunidade. “Ao melhorar a produtividade da água e reduzir a quantidade de comida que é desperdiçada podemos permitir-nos prestar uma melhor dieta para os pobres e alimentos suficientes para crescente população mundial”, diz o professor Jan Lundqvist, da SIWI. “Alcançar a meta que propomos, uma redução de 50% das perdas e desperdícios na cadeia de produção e consumo, é necessário e viável.”

No caso brasileiro, em especial, relatório http://www.ecodebate.com.br/index.php/2008/08/04/desperdicio-de-ali... da FAO aponta que até 70 mil toneladas de alimentos plantados por ano no país são jogadas no lixo, o que equivale jogar fora 64% do que plantamos.

Para maior compreensão da questão do desperdício de alimentos, sugerimos consultar a nossa “tag” sobre o assunto. Para acessar clique aqui.

* com informações do SIWI, Stockholm International Water Institute

Nota do EcoDebate: sobre a relação entre desperdício de alimentos e seus impactos ambientais sugerimos que leiam nosso editorial “Desperdício de alimentos e as crises ambientais“, de 12/11/2007.

[EcoDebate, 25/08/2008]

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Aqui outro artigo para somar na reflexão...

Água pode ser o motivo de uma próxima crise mundial

25/8/2008

Paula Scheidt

http://www.portaldo meioambiente. org.br/noticias/ 2008/agosto/ 25/1.asp


Se hoje os altos preços do barril de petróleo e dos alimentos andam dando dor de cabeça para muita gente, em breve a preocupação deverá ser com o custo da água. Com o crescimento populacional e a falta de condições sanitárias adequadas principalmente nos países em desenvolvimento, uma Crise Mundial da Água pode estar eminente, segundo alguns especialistas e, um mercado mundial de água potável já é visto como um caminho para minimizar as perdas.

"Por trás da crise alimentar está uma crise global por água potável, com expectativas de se tornar ainda pior com a intensificação dos impactos das mudanças climáticas", disse o diretor geral da WWF, James Leape, que falará nesta terça-feira (19) na Semana Mundial da Água, evento que reúne, em Estocolmo, 2,5 mil especialistas em água de todo o mundo.

Cerca de 1,4 bilhões de pessoas vivem hoje em áreas que dependem de bacias hidrográficas que estão secando e outros um bilhão de indivíduos já sofrem com a falta de água potável para beber, o que diminui a expectativa de vida ou causa problemas de desenvolvimento imprevisíveis.

O evento foi aberto oficialmente nesta segunda-feira (18), com o pronunciamento do professor britânico Anthony John Allan, que recebeu o Prêmio da Água de Estocolmo 2008.

Durante estudos sobre a falta de água no Oriente Médio, o professor Allan, da Universidade King's College de Londres (UK), desenvolveu o conceito "água virtual", que seria o volume de água potável usada para produzir um produto, medida no lugar onde o produto foi realmente fabricado. Através desta concepção, o problema da água passa para o campo político e pode cair no comércio internacional.

Allan sugere a utilização da importação virtual da água, através dos produtos e alimentos, como uma alternativa de "fonte" de água potável para reduzir a pressão sobre bacias hidrográficas disponíveis em países que já lidam com a escassez.

Na palestra "Conhecendo a água e entendendo porque nós a usamos e consumimos deste modo" , proferida ontem, o professor Allan alertou para os padrões de consumo de água dos países do hemisfério norte, que desperdiçam água através do consumo de alimentos e poluição, e das nações do sul, onde é preciso melhorar a eficiência no uso da irrigação do solo.

"A água virtual é, evidentemente, uma questão muito política", afirmou, destacando que, ambos, a água virtual e sua migração, são invisíveis e a sociedade precisa ter consciência deste processo para que sejam obtidos avanços com relação ao modo como a água é consumida.

Países como Estados Unidos, Argentina e Brasil "exportam" bilhões de litros de água por ano, segundo Allan; enquanto outros como Japão, Egito e Itália importam bilhões. Allan sugere que os produtos que necessitam uma maior quantidade de água sejam importados de países que possuem mais disponibilidade hídrica.

Comércio de água

Assim como para o clima, o mercado já desenvolveu também ferramentas para lidar com a questão da poluição da água, como nos Estados Unidos, onde em 2003 foi criado um comércio voluntário de créditos de redução de poluição.

Neste sistema, uma indústria ou empresa que tem um alto custo para controlar a poluição que produz pode comprar créditos de redução de poluição de outras que tenham um custo mais baixo para reduzi-la, diminuindo assim os custos para cumprir as obrigações ambientais.

A China também já experimenta a criação de um mercado de água para aliviar as diferenças de disponibilidade dentro do seu território. Em fevereiro deste ano, o país criou um esquema de alocação de direitos sobre a água de províncias, regiões autônomas e municípios que estejam diretamente sob a jurisdição do governo central.

"Enquanto a demanda por água se mantém alta, os resíduos líquidos se mantém perversos devido ao 'livre acesso' a recursos hídricos atualmente na China", ressalta o gerente do programa chinês da ong Worldwatch Institute, Yingling Liu.

Ele explica que, de acordo com as estatísticas, o coeficiente de utilização do país para irrigação agrícola era de apenas 0,4 a 0,5 em 2003, comparado a 0,7 a 0,8 dos países industriais. O uso de água por unidade do produto interno bruto estava em 413 metros cúbicos , quatro vezes a média mundial, enquanto que o uso de água por valor adicionado pela indústria era de 218 metros cúbicos , 5 a 10 vezes o nível de países industriais.

Em 2000, o país teve uma primeira experiência de comércio de água, quando a cidade de Dongyang comprou 50 milhões de metros cúbicos de água anualmente de Yiwu, por US$ 0,57 por metro cúbico. Até 2005, ambos os lados foram beneficiados, até que uma forte seca atingiu Yiwu. A cidade evitou os custos significativos de ter que construir um reservatório próprio porque Dongyang passou a receber fundo para manter um reservatório existente.

Desde então o país lançou diversos testes em iniciativas locais para aliviar crises de água ou esforços do governo para promover economia. Segundo Liu, isto deu confiança para que os politicos exploraressem um esquema nacional, resultando nas regulamentações recentes.

"Se tornar-se efetivamente lei, poderá ser tão significativa quanto a reforma de terra largamente adotada nos anos 50, que liberou os trabalhadores rurais e tornou possível alimentar a nação de 1,3 bilhões de pessoas. Apesar de muito trabalho ainda ser necessário, uma regulamentação é um grande passo em direção ao gerenciamento hídrico na China", disse.

Fonte: Envolverde / Carbono Brasil / Liz - Agente da Paz

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A vida secreta dos ingredientes - Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)
Entrevista com o AUTOR

Apocalipse Motorizado

Ned Ludd (org.)

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

OS AUTORES
Ivan Illich (1926-2000) foi um dos pensadores mais surpreendentes dos anos 70 e 80. Com precisão e força atacou cada um dos falsos consensos da sociedade ocidental. O texto de Illich neste livro teve imenso impacto no pensamento libertário de hoje.

André Gorz nasceu em Viena, em 1924, é autor de ´Crítica da Divisão de Trabalho´ (Martins Fontes, 1989)

Aufheben é o nome de um grupo autonomista marxista da Inglaterra surgido nos anos 90.

Car Buster é a principal organização ativista internacional do movimento anticarro.

Reclaim The Streets é um dos principais movimentos ativistas de Londres que surgiu em 1991 com o intuito de tornar as ruas um local de convívio entre pessoas e não somente um espaço de passagem.

Ned Ludd é organizador do livro Urgência nas Ruas ­ Coleção Baderna - Conrad, 2002


Ciência precisa de metáforas melhores, diz pesquisador
Livro critica estágio atual da biologia e sugere caminhos para o futuro dessa disciplina

Se a poesia emprega metáforas para despertar o encanto, também a ciência usa esse recurso, para uma melhor compreensão de conceitos abstratos ou complexos. Por isso os cientistas falam, por exemplo, da movimentação do som por meio de "ondas". Porém, se na poesia o mau uso de metáforas resulta apenas em uma obra duvidosa, na ciência a compreensão literal das metáforas leva a perigosos mal-entendidos.

Esse é o eixo central das idéias discutidas por Richard Lewontin, pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), em conferências realizadas em Milão que, com o acréscimo de mais um capítulo, tornaram-se o livro A tripla hélice. Lewontin debate a idéia de que somos pré-determinados pelos genes, aponta incorreções na teoria da evolução de Darwin, discute a visão cartesiana de que o corpo é uma máquina e sugere caminhos para o estudo da biologia.

O autor critica o uso do termo desenvolvimento para sintetizar as alterações por que passamos do nascimento à morte. Lewontin afirma que o "termo traz a idéia de algo que se desenrola a partir de algo já presente". Segundo esse conceito, as características dos seres vivos seriam a mera expressão do seu material genético e nunca dependeriam da influência do ambiente (como se verifica, nos humanos, no caso da língua que cada indivíduo fala).

Lewontin também discute a atualidade da teoria da evolução. O termo criticado dessa vez é a adaptação -- "o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma existência preexistente". Segundo esse conceito, a diversidade das espécies resultaria da existência de "diferentes tipos de ambientes aos quais os seres vivos se compatibilizaram mediante a seleção natural". O autor condena a separação entre ambiente e organismo. As formigas, por exemplo, fazem ninhos, as plantas consomem gás carbônico do ambiente e produzem o oxigênio a ser usado pelos animais. Organismos e ambiente agem um sobre o outro em um processo constante de transformação.

Mais uma metáfora combatida é a comparação de seres vivos a máquinas. Para estudar um organismo, a biologia divide-o em partes, como se fosse possível separá-lo em funções e em seguida "determinar um todo claro e de anatomia óbvia". É impossível estudar como alguém segura um objeto analisando apenas os movimentos da mão. Ele precisa dos olhos para ver, os músculos se contraem a partir do encurtamento das fibras musculares, que por sua vez depende da química das proteínas actisina e miosina.

Embora admita que as técnicas de que a ciência dispõe já bastam para que avanços sejam feitos, Lewontin esclarece que as respostas que a biologia elabora dependem das perguntas que faz. Se o estudo dos seres vivos está permeado de noções equivocadas, as perguntas serão mal-formuladas e as respostas não esclarecerão o que realmente interessa.

A tripla hélice é um livro atual e envolvente. Em uma linguagem simples, porém de raciocínios complexos, permite uma leitura surpreendente a quem quer que tenha domínio razoável de biologia e genética.


A tripla hélice - gene, organismo e ambiente
Richard Lewontin (trad.: José Viegas Filho)
São Paulo, 2002, Companhia das Letras
138 páginas - R$ 25

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
03/09/02

Notas

Porque NÃO!

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago 2009 at 13:13. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago.

Hora do Planeta


" Veja o seu mundo sob uma Luz totalmente diferente "

28/março : 20:30h horário local - desligar a eletricidade por 1 hora em sintonia com vários países - cada vez mais pessoas aderem a esta causa !
Participe e divulgue !!!

Em 2007 - esta idéia começa e toma conta da Austrália

Em 2008 - 35 países se unem, mais de 50 milhões de pessoas cadastradas que fizeram a diferença apagando
a Luz por uma hora e deixando a Mãe Terra respirar ...

Participem

Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar 2009 at 11:00. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar.

Fotos dos membros da RETRANS

O slideshow da RETRANS, na página principal, comporta o nº máximo de 100 fotos.
As demais fotos (mais de mil fotos!) publicadas pelos membros seguem arquivadas em suas páginas pessoais ou nas páginas de FOTOS.Portanto, para quem quiser ver ou rever mais fotos basta clicar no link Fotos( parte superior da página principal) ou nas páginas pessoais de cada membro.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 21 Jun 2008 at 10:44. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 23 Mar.

Objeções de consciência

Reservista israelense se nega a invadir Gaza

Um reservista escalado para invadir a faixa de Gaza se recusou a entrar no território como protesto contra a morte de centenas de palestinos, muitos deles civis, na Faixa de Gaza.

O militar, de 35 anos, integrante de uma unidade de engenheiros, foi condenado a 14 dias de prisão por insubordinação, informou em um comunicado a organização Ometz Lesarev, que apóia soldados que não concordam co… Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar 2009 at 10:50. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar.

Homenagem a Pierre Weil na Feira do Livro de Poa/RS


Encontro de autores da RETRANS na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Em Busca da Paz

© Antônio Dayrell

(À memória de Pierre Weil*)

Pela paz soltaram as pombas do cativeiro,
um ano foi especialmente dedicado.

Pela paz construíram as armas,
homens perderam suas vidas,
famílias se viram destruídas.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 25 Nov 2008 at 16:06. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 5 Mar.

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