RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA

Tecendo Redes de Transformações

Evandro Ouriques introduz no I Forum de Mídia Livre a questão da Mente Livre

Seiscentas pessoas já confirmaram sua participação no 1º Fórum de Mídia Livre (FML), que acontecerá no Rio de Janeiro neste fim de semana. As inscrições continuam chegando de todo o Brasil, e a expectativa da organização do evento é de que pelo menos 800 pessoas façam parte das questões que serão tratadas no Campus Praia Vermelha da UFRJ.

O Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ faz parte do Comitê Organizador do FML, através de seu coordenador, professor Dr. Evandro Vieira Ouriques, e teve a oportunidade de introduzir a questão da "Mente Livre" na programação do Fórum por entendê-la decisiva para o vigor de uma Mídia Livre.

O Prof. Evandro, cientista político, jornalista, terapeura de base analítica e consultor organizacional, fala aqui deste conceito, que desdobra a linha de pesquisa do NETCCON dedicada à proposição teórica e sustentação operacional de uma economia psico-política da Comunicação e da Cultura.

"O Forum de Mídia Livre é o lugar decisivo para tratarmos da questão da "Mente Livre", que proponho e sustento, pois a "Verba Livre", que o FML quer obter através de pressões legítimas na direção do Governo para que haja distribuição democrática das verbas publicitárias públicas, e o "Verbo Livre", que o FML também quer ajudar a ampliar através da cultura digital e das redes, somente alcançarão seu objetivo de transformação social se os ativistas estiverem livres das sequências mentais do regime de servidão tornando-se ele próprios exemplos vivos no mundo de comunicadores-cidadãos, de cidadãos-comunicadores. O que permite que hajam relações de confiança, sem as quais as redes e toda a esperança nelas depositada por muitos não pode se efetivar, pois a confiança é a base da construção horizontal de agregadores de transformação."

"Ou seja mídia livre só existe quando o midialivrista é de fato livre, fala com voz própria, conseguiu vencer em si mesmo a tendência generalizada de agir com base no interesse e no poder auto-referenciados, atitude que é naturalizada e que impede, como disse, as relações de confiança. Como criar uma rede de redes se não há confiança, se há apenas luta pelo poder? A referência para uma ação livre no mundo é outra, ela precisa ser a generosidade, este para mim o outro nome do “espírito público”, da democracia, dos direitos humanos, dos direitos ambientais, dos direitos das crianças de dos adolescentes, das políticas públicas, da responsabilidade socioambiental.”

"No livro História das Teorias da Comunicação, o belga Armand Mattelart, professor da Universidade de Paris e um dos mais eficientes críticos do monopólio mundial dos meios de comunicação, diz que, nos dias atuais, criados pela produção de estados mentais (e por isto criei em 2005 na Escola de Comunicação a disciplina Construção de Estados Mentais Não-violentos na Mídia) a liberdade política não pode se resumir ao direito de exercer a própria vontade. Ele insiste, e eu concordo plenamente, que a liberdade política hoje reside igualmente no direito de dominar o processo de formação dessa vontade, já que, na maior parte dos casos, ela [a vontade] é capturada por um rio de mídia que atravessa a pessoa ao longo do seu desenvolvimento emocional, educacional, social e histórico. Um fluxo que fala e sente por ela."

"Hoje, a pessoa sente e pensa por meio da mídia que, em nenhum momento, a ajuda a parar e refletir. A aceleração, por exemplo, que os apresentadores dos telejornais utilizam é incompatível com o ritmo respiratório, metabólico. A respiração fica suspensa. E suspensa, impede que as informações entrem e sejam metabolizadas. Impedem, inclusive, que a nossa mente (no sentido do conjunto de percepções, pensamentos e afetos) tenha tempo de excretar o que não serve."

“Não há cultura digital que dê conta de gerar relações de confiança. Para construirmos confiança precisamos de algo ainda mais difícil do que a verba livre e o verbo livre. Precisamos de uma Mente Livre, livre destes tempos de amor líquido, no qual os relacionamentos pouco se sustentam ou não se sustentam pois não há conversa na maioria das vezes, mas tentativas cruzadas, e em rede, de convencimento do outro. Se Zygmunt Bauman [sociólogo polonês] mostra que estamos na época do amor líquido, é porque vivemos uma era de relações líquidas. No entanto, o que garante o vigor da relação colaborativa nas redes, conseqüentemente, o vigor da cultura digital, é exatamente a estabilidade da confiança. Mas o que assistimos é a experiência do atropelamento, das decisões democráticas apenas nominais, quando a prática é a da imposição, da traição e da desconfiança. A grande mídia está, em geral, neste estado, e os midialivristas foram formados por ela, nela. Não nos tornamos livres apenas por uma vontade de ser livre. É um longo e complexo processo, como mostram por exemplo a psicanálise e a psicologia social."

"Baseados na luta política auto-referenciada, na vida como uma luta constante e implacável como única saída imaginada por oposição a um céu idealizado e inexequível, a organização social se mantém, atualmente, por uma estratégia de dessubjetivação, ou seja, de desespeciação: de perda do caráter de espécie, como provam os atos crescentes e sucessivos de horror com os quais convivemos e que estão presentes nas relações das equipes, das redes, das amizades, dos relacionamentos."

"Estamos diante, portanto, de sujeitos não-instalados. Portanto a verba livre e o verbo livre com sujeitos efetivamente não-instalados no qual o que nos fala é um vazamento do inconsciente temos é a expansão da história conhecida, seja ela pessoal e comunitária, racial, de gênero, de classe, etc., de traumas, abusos, discriminações."

"É decisivo portanto investirmos na construção de uma Mente Livre, para que as redes sejam efetivamente redes e não apenas clubes, nos quais o sentido de comunidade desaparece e o de política permanece como sendo apenas a tentativa de administrar grupos de pressão orientados por princípios vagos meta-organizados pela luta pelo poder, pela idéia vertical que alguém que sabe mais do que alguém. Mesmo que esta alguém seja de esquerda..."

"A História prova que os grupos que chegam ao poder tendem a repetir o mesmo padrão de comportamento dos grupos anteriores e prova também que quando as pessoas se juntam começam logo a se engalfinhar pelo poder. Ora precisamos de uma fonte de referência para a ação que não seja a própria ação e uma fonte de referência para a luta política que não seja a própria luta, porque senão colaboramos para o aprofundamento da barbárie. Como então conseguir agenciamentos possíveis de nossas singularidades em torno de objetivos/desejos comuns?"

"A Teoria Social, por exemplo, insiste em dizer que as práticas humanas são movidas pelo interesse e pelo poder. Ora, como é possível então explicar o desejo de democracia, de políticas públicas sociais, de responsabilidade socioambiental? O midiativista, o comunicador, o jornalista, o cidadão, o profissional precisa ser aquilo que ele gostaria de ver no mundo. Precisa dominar o processo de formação de sua vontade para não ser capturado pelos valores que mantêm a exclusão. Vida privada e vida pública são conceitos binários ultrapassados. Precisamos ser de fato o que gostaríamos de ver no mundo, como disse uma vez de maneira lúcida Mahatma Gandhi, aquele que derrubou o pai do Império que está aí, e à cuja mídia os midialivristas querem superar. É decisivo que se pense e se construa uma Mente Livre, pois só assim teremos de fato uma Mídia Livre".

O professor Evandro Vieira Ouriques, coordenador do NETCCON.ECO.UFRJ, pós-doutor em Cultura de Comunicação, Globalização de Mercados e Responsabilidade Ética, pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea-PACC, do Forum de Ciência e Cultura da UFRJ, tratará da questão da Mente Livre no Grupo de Trabalho Formação para uma Mídia Livre, no sábado à tarde, e na Oficina "Mente Livre, Mídia Livre", que ocorrerá no domingo à tarde.

Os cinco eixos temáticos

Na manhã de sábado (14) acontecerá a cerimônia de abertura do FML e, em seguida, terão início as mesas de discussão com cinco eixos temáticos: Políticas Públicas de Fortalecimento da Mídia Livre; Democratização das Verbas Publicitárias Públicas; Fazedores de Mídia; Formação para a Mídia Livre e Mídias Colaborativas, Novas Mídias.

O primeiro eixo de discussão, segundo os organizadores do FML, tratará temas como "regulamentações, Lei Geral da Comunicação, direito à comunicação, TV pública, telefonia e internet pública, convergência das mídias, pontões de cultura digital, etc". O segundo eixo pretende analisar "a questão das verbas públicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito à comunicação".

O terceiro eixo, sobre o tema "Fazedores de Mídia", pretende fazer um "mapeamento da rede de produtores de mídia livre, coletivos, sites, jornais, canais, empresas, agências e movimentos sociais que fazem mídia e propostas que tenham o ’público’ e o ’comum’ como referência". Nesse eixo, será discutida a possibilidade de formação de um Portal de Mídia Livre, que poderá servir para potencializar o alcance e a possibilidade de sustentação da "mídia contra-hegemônica".

No quarto eixo, serão analisadas as experiências de universidades, de educação não-formal, de escolas livres, empresas, ONGs, coletivos, etc, que "podem contribuir pela construção de uma ’mente livre’ para formar ’midiativistas’, jornalistas, radialistas, editores, publicitários, assessores, etc, que sejam criadores de atitudes agregadoras, conteúdos e pautas de fato novas, apontando e construindo assim novos e potentes cenários de expressão, trabalho e mudança".

O quinto eixo fará uma discussão sobre "os movimentos, projetos, ferramentas e tecnologias de criação livre (Software Livre, Creative Commons, Wiki, P2P, sites e portais colaborativos, etc) e as políticas de acesso e capacitação para o uso dessas ferramentas nos serviços públicos e mídias livres".

No domingo (15), acontecerá a plenária final do 1º FML, onde serão apresentados os resultados das discussões travadas nos cinco eixos temáticos. A plenária terá espaço para a intervenção de convidados, como representantes de movimentos sociais, centrais sindicais, e partidos: "A intenção é que, durante a plenária final, seja também aprovado o Manifesto da Mídia Livre, documento de princípios do movimento", afirma Gustavo Barreto. Além dos grupos de discussão, os dois dias de evento na UFRJ também abrigarão oficinas (já foram inscritas 16) sobre temas diversos ligados à comunicação.

Movimento começou em março

Jornalistas, acadêmicos e ativistas pela democratização da comunicação divulgaram no início de abril manifesto em defesa da diversidade informativa e da garantia de amplo direito à comunicação.

O manifesto, resultado de reunião promovida em São Paulo em março, lançou as bases para a organização do I Fórum de Mídia Livre.

Convidados

Entre os convidados e organizadores e estão lideranças como Joaquim Palhares, Ivana Bentes, Gustato Barbosa, Antonio Biondi (Intervozes), Marcos Dantas, PUC-RJ, Jorge Bittar, Caetano Ruas, Circo Digital/Pontão de Cultura Digital, Gustavo Gindre, Intervozes/Comitê Gestor da Internet Brasil, Renato Rovai, Revista Fórum, Dario Pignotti, Jornais Página 12, Argentina, e La Jornada –México, Giuseppe Cocco, Le Monde Diplomatique/Global, Emir Sader, CLACSO e UERJ, Mário Augusto Jakobskind, Brasil de Fato, Altamiro Borges, Vermelho, Bárbara Szaniecki, Revista Global, Paulo Lima, Viração SP, Augusto Gazir, Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC) da Maré RJ, Marcus Faustini, Escola Livre de Cinema - Nova Iguaçu RJ, Rosane Svartman, Nós do Morro, Hamilton Octavio de Souza, Curso de Jornalismo da PUC-SP, Zilda Ferreira, Educom, João Pedro Dias Vieira, UERJ, Oona Castro, Overmundo-RJ, Ermanno Allegri, ADITAL – Agência de Informação Frei Tito para a América Latina-RJ, Patricia Canetti, Canal Contemporâneo e Conselho de Arte Digital no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), Cláudia de Abreu, Comunicativistas-RJ e Márcia Corrêa, Bem TV.

Programação & local do evento

O I Fórum de Mídia Livre acontecerá nos próximos dias 14 e 15 de junho de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho).

Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC.

Confira aqui os eixos temáticos e a programação completa do evento.

Inscrições podem ser feitas em http://forumdemidialivre.blogspot.com

SÁBADO, 14 DE JUNHO

9h às 12h - Mesa de abertura

ABERTURA DO FÓRUM com convidados e coordenadores do Fórum de Mídia Livre, com Apresentação/Distribuição de documento com questões, propostas, provocações iniciais do Fórum da Mídia Livre em torno dos eixos temáticos. Debate geral com os participantes. Dinâmica da Desconferência: 5 ou 6 convidados preparam uma fala/pauta/provocação de 5 a 10 minutos e depois abre-se a roda para todos que quiserem se inscrever e falar, com um limite de tempo. (TRANSMISSÃO ON-LINE)

12h às 14h - Almoço

14h às 18h - Grupos de Desconferências com cinco eixos temáticos

Reunião em paralelo dos Grupos de Trabalho, moderados por um Coordenador e com a participação de desconferencistas com objetivo de propor um documento enxuto com considerações, encaminhamentos, propostas, em torno das questões do eixo temático do grupo. (TRANSMISSÃO ON-LINE)

1) Democratização da Publicidade Pública e dos Espaços na Mídia Pública
A questão das verbas públicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito à comunicação e outras propostas concretas e pragmáticas. Trabalhar com o conceito de verbas livres.

Coordenador: Renato Rovai (Revista Fórum). Relator: Rodrigo Brandão (Comitê Rio do FML). Convidados: Antonio Mello (Blog do Mello); Claiton Mello (Gerência de Marketing da Fundação Banco do Brasil); Dario Pignotti (Ansa, Página 12 e Manifesto); Emir Sader (CLACSO e UERJ); Giuseppe Cocco (Le Monde Diplomatique e revista Global); Joaquim Palhares (Agência Carta Maior); Mário Augusto Jakobskind (Brasil de Fato); Robinson Almeida (secretário de Comunicação do Governo da Bahia).

2) Políticas Públicas de Fortalecimento da Mídia Livre
Regulamentações, Lei Geral da Comunicação, Direito à Comunicação, TV Pública, Telefonia e Internet Pública, Convergência das Mídias, Pontões de Cultura Digital, etc.

Coordenador: Antonio Biondi (Intervozes). Convidados: Caetano Ruas (Circo Digital/Pontão de Cultura Digital); Jorge Bittar (deputado federal PT-RJ); Lalo Leal (professor da USP); Marcos Dantas (professor PUC-RJ).

3) Fazedores de Mídia
Mapeamento/discussão da rede de produtores de mídia livre, coletivos, sites, jornais, canais, empresas, agências, movimentos sociais que fazem mídia, propostas que tenham o "público" e o "comum" como referência pensando na constituição de um Portal de Mídia Livre. A questão da mídia "contra-hegemônica" e a potencialização da difusão mundial de outras formas de sentir, pensar e agir.

Coordenador: Altamiro Borges (Vermelho). Relator: Leandro Uchoas. Confirmados: Bárbara Szaniecki (Revista Global); Beto Almeida (Telesur); Fátima Lacerda (Agência Petroleira de Notícias); Patricia Canetti (conselheira titular de Arte Digital do CNPC - Conselho Nacional de Política Cultural); Paulo Lima (Revista Viração).

4) Formação para uma Mídia Livre
Como as Universidades, experiências de educação não-formal, escolas livres, empresas, ongs, coletivos, etc., podem contribuir pela construção de uma "mente livre" para formar "midiativistas", jornalistas, radialistas, editores, publicitários, assessores, etc., que sejam criadores de atitudes agregadoras, conteúdos e pautas de fato novas, apontando e construindo assim novos e potentes cenários de expressão, trabalho e mudança.

Coordenadora: Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Universidade Rede Nômade); Confirmados: Augusto Gazir (Escola Popular de Comunicação Crítica - ESPOCC); Evandro Vieira Ouriques (Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência - NETCCON.ECO.UFRJ); Fábio Mallini (UFES); João Pedro Dias Vieira (professor da Uerj); Luciana Bezerra (Nós do Morro); Marcus Faustini (Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu); Zilda Ferreira (Educom).

5) Mídias Colaborativas, Novas Mídias
Apresentação/discussão dos movimentos, projetos, ferramentas e tecnologias de criação livre (Software Livre, Creative Commons, Wiki, P2P, sites e portais colaborativos, etc.) e políticas de acessos e capacitação para o uso dessas ferramentas, implantação de ferramentas livres/não-proprietárias nos serviços públicos e mídias livres.

Coordenador: Gustavo Barreto (Consciência.Net) e Anselmo Massad (Revista Fórum). Confirmados: Claudia de Abreu (Comunicativistas); Ermanno Allegri (ADITAL); Oona Castro (Overmundo/Intervozes); Rita Freire (Ciranda).


DOMINGO, 15 DE JUNHO

9h às 12h - Plenária de leitura e aprovação dos relatórios com espaço para intervenções dos convidados, representando movimentos sociais, centrais sindicais, governos, partidos políticos etc.
Apresentação dos resultados dos Grupos de Trabalho. Discussão ampla e geral e Apresentação/Esboço de documento/manifesto do I Fórum da Mídia Livre, sintetizando as proposições e apontando prioridades. Debate. (TRANSMISSÃO ON-LINE)

ALMOÇO - 12h às 14h

14h às 18h - Feira de projetos em espaço de sinergia
Oficinas, Encontros Regionais, iniciativas livres, encontros específicos, atividades propostas, apresentação de materiais produzidos durante o Fórum, nas Oficinas etc.

18h - Evento de encerramento
FESTA/Confraternização - Campus da Praia Vermelha e lugares em fase de proposição.

Haverá uma Sala de Imprensa para garantir a cobertura do evento pelos veículos de mídia livre.

(Esta notícia incorpora trechos de matéria publicada na Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_i... e trechos de material de divulgação do FML e do NETCCON.ECO.UFRJ

Tags: comunicação, consciência, liberdade, mídia, transdisciplinaridade

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Respostas a este tópico

Eduardo,

fantástico. O texto do Evandro e o encontro (FML), que não vou porque estou em Rio das Ostras. Mas o texto adorei.

Muitas vezes tenho a sensação que o que eu sei intuitivamente de um certo assunto ultrapassa as teorias que vejo sobre ele. Mas como não faz parte do meu dharma, da minha tarefa profissional ou existencial mexer com essas coisas, afinal sou um terapeuta-dançarino, deixo pra lá e só lamento. Mas de vez em quando vem um texto desse... (como aquele outro que voce colocou no Fórum, do Kurt - é esse o nome dele?).

Então de repente vem o Evandro (trabalhei um tempo com ele no Viva-Rio e no Movimento Inter-Religioso do RJ) e diz aquilo que a gente sente que sabe mas não sabe expressar. Nada como a convivência com um assunto e as trocas em rede para dar precisão à linguagem... Aliás muito bom o que ele fala das redes também.

Agora, só pra dar um exemplo, que o texto todo é ótimo, escolho uma parte: "O midiativista, o comunicador, o jornalista, o cidadão, o profissional precisa ser aquilo que ele gostaria de ver no mundo." Isso é ótimo, é o ponto chave de toda a questão que lidamos hoje. Tava querendo ouvir alguém dizer isso. Isso vale pra todo mundo. Até o lixeiro precisa viver aquilo que acredita. Aliás, os antigos sabiam disso, pois preferiam ocupações bem simples se quisessem se desenvolver nesse sentido. Eram cozinheiros, jardineiros, poetas. Porque assim era mais fácil ser o que se acredita.

Porque acho inclusive que isso aparece aqui nessa nossa rede. Em textos mais políticos e sociais as coisas ficam muito bem definidas. Mas de vez em quando nos aventuramos por outras questões, mais "psicológicas", "extra-terrestres", seja lá o que for... E às vezes parecemos meio malucos. Mas acho que o risco precisa ser corrido porque esses assuntos exóticos estão tentando se aproximar, pela imprecisão das tentativas erráticas, daquele ponto central: "que é preciso ser aquilo que se gostaria de ver no mundo". E a linguagem do Ser é meio feita de imagens, de fantasia, de coisas imprecisas...

bem, é mais um agradecimento, não é um raciocínio, então não preciso concluir, ótimo...

abraço,

Laerte

Responder esta

Laerte,
Outra cousa que acho que ajuda bastante a mudar os padrões mentais de repetição do mesmo é a desconferência, como está pautado no Fórum Mídia livre.
O nosso Tecendo Redes em Porto Alegre demonstrou que é possível sim tecer de outra forma uma rede.
ABC

Responder esta

Amig@s, como contei antes, minha filha caçula, Nina, de 20 anos, estudante de Ciências Sociais da UFRJ, esteve no fórum. Pedi a ela que nos contasse como foi - segue o relato dela, no original, acho q expressa bem a visão dessa geração.

"Mãe, sobre o I Fórum de Mídia Livre, ainda não recebi o relatório final dos GTs por e-mail, mas dá pra contar alguma coisa, do meu jeito...
O Fórum aconteceu neste último final de semana, lá na ECO. O GT que assisti foi sobre "Democratização da Publicidade e dos Espaços na Mídia Pública - A questão das verbas públicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito à comunicção e outras propostas concretas e pragmáticas. Trabalhar com o conceito de verbas livres". Coordenardor: Renato Rovai (revista Fórum). Relator Rodrigo Brandão (Comitê Rio do FML).
Em meio a algumas discussões - como a da militante que disse: "Acho que somente no Socialismo que realmente vamos alcançar a total democratização das verbas, no atual sistema em que vivemos isso será impossível", (os militantes não mudam... ) sendo retrucada por um coroa, tb inconveniente: "Ah, e nós temos ótimos exemplos de governos socialistas, não é msm minha filha?" - surgiram, se não me engano, 42 propostas! Teve também um cara, o Theo que fui conhecer mais tarde, que propôs a divulgação das idéias do Fórum para a sociedade, mas com outra linguagem, mais simples, sem aquele ar intelectual, das Academias, que acabam por afastar as pessoas, achei isso legal!
Mas veio uma 'muiezinha' falar: "Vc está sugerindo então que nós escrevamos a la jornalzinho Meia Hora, cujas mensagens costumam ser sensacionalista, às vezes até engraçadas, mas sempre superficiais?"
Outra boa idéia dada foi a de um carinha, escondido no fundo da sala, assim como eu, ao perguntar como seriam produzidos e expostos os canais alternativos uma vez que eles já existem mas ficam escondidos dentro das próprias bancas...
Teve quem puxasse o assunto de uma junção das verbas pública e privada para o incentivo aos alternativos canais de publicidade dando a idéia de dar às essas empresas um selo, do tipo Responsabilidade Publicitária, sei lá! Eu, Nina, acho q isso seria o msm que dar às empresas que adotam a Modernização Ecológica, explorando terras, gado, empregados, o que for, o selo de "Responsabilidade Social/Ambiental", afinal, "isso não acontece...!!!". O assunto, claro, caiu na polêmica, a mulher, editora de uma revista, não lembro, não anotei qual, insistiu, "vale tudo, qual o problema?", o coordenador apoiou, mas foram vencidos pois a maioria concordou que isso traria incoerência a respeito dos objetivos do Gt, do próprio Fórum que procura atingir o monopólio das grandes corporações e blablablah.
De volta, seguindo a idéia do Theo, mais um cara levantou a questão de como iríamos fazer pressão para governo começar a dialogar sobre a democratização das verbas: passeatas? luta armada? até que propôs uma marcha até Brasília. Apareceu alguém que falasse em fazer uma campanha para divulgação da necessidade de uma democratização das verbas. Tem que ser divulgada a idéia de que todos os lugares, bairros, comunidades, tem conteúdo para produzir, através dos meios de comunicação, o que sabem, o que pensam o que querem; que existe verba para incentivar mas esta se concentra nas grandes corporações.
Foi decidido que uma comissão seria formada para dar seguimento ao GT, discutir como seria feita a pressão, a campanha e que as propostas deveriam ser estudadas - questão citada n vezes pelo Saldanha, um coroa lá , passando leis, para que não houvesse nenhuma repetição, diminuindo a força na argumentação, discussão com o congresso, a câmara, políticos/lobbistas em geral.
As 42 propostas enviarei assim que receber o e-mail, como tbm os eixos formados durante o GT. Tudo bem formal - aguarde!
Mãe, querendo passar de forma mais objetiva o que escrevi aqui, fique à vontade! Sou neném, leiga, leiga....!!!rsrsrs
Ah, sim! Os outros GTs foram sobre:
GT²: "Políticas Públicas de fortalecimento da Mídia Livre" - Coord. Antônio Biondi (Intervozes);
GT³: "Fazedores de Mídia" - Coord. Altamiro Borges (Vermelho). Relator: Leandro Uchos (Comitê rio do FML);
Gt4: "Formação para Mídia Livre" - Coord. Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Universidade Rede Nômade). Relatora: Angélica Basthi (Comitê Rio do FML) --- queria muito ter assistido essa, ela era a msm que a do GT¹ mas falava mais sobre a prática: como concretizar a ação da mídia livre em escolas, rádios, ongs, empresas, etc... Mas estava lotada...
GT5: "Mídias Colaborativas, Novas Mídias" - Coord. Gustavo Barreto (Consciência.Net) e Anselmo Massad (Revista Fórum).

No domingo pela manhã e início da tarde houve a Plenária de leitura e aprovação dos relatórios com espaço para intervenções dos convidados, representando movimentos sociais, centrais sindicais, governos, partidos políticos, etc. Representação dos resultados do GT. Discussão ampla e geral e Apresentação/Esboço de documento/manifesto do I Fórum de Mídia livre, sintetizando as proposições e apontando prioridades. Debate.
Perdi, quando cheguei na Eco tinha acabado de acabar. Soube que teve longa discussão, o debate rendeu, naturalmente... natural não, comum....
Depois do almoço teve 20 oficinas, relacionadas ao tema do fórum, mas todas ao msm tempo... só deu pra participar de uma, na qual foram exibidos dois filmes: um sobre Lula, Campanha espetacular, algo assim e outro longa, ótimo, muito bom, com Milton Santos.
Enquanto a oficina não começava comprei 3 livros, ainda não os li, esperam que valham a pena. Acredito que sim! Um sobre Criança, publicidade e mídia, aquele msm assunto que quero estudar!!! Foi um bom achado ali na Eco! Outro sobre desenvolvimento e meio ambiente, que pelo pouco que li, não faz o uso paradoxal de "desenvolvimento sustentável" e outro sobre histórias, cinema e quadrinhos na Índia!

Beijo, beijo!!! Assim que tiver mais informações te mando por e-mail!
Te Amo,
Nirdoshi"

Responder esta

Eita,Dhan!
Que beleza de relato, dê os parabéns para a Nina, nova correspondente RETRANS!rsrs
E diga para ela que a fruta não caiu longe do pé, né não?
ABC

Responder esta

Edu, vou transplantar a entrevsita da Ivana Bentes à Carta Capital sobre o evento e postada pela Cris Obredor no RetransAção. Acho a discussão muito oportuna.
bjs
******************************************
A explosão da mídia alternativa

20/06/2008 16:32:36

Milene Pacheco

CartaCapital acompanhou o I Fórum de Mídia Livre, no último fim de
semana, e entrevistou Ivana Bentes, integrante do comitê organizador e
diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), onde aconteceu o evento. No fórum, que reuniu cerca de
300 pessoas, foram discutidas medidas para a democratização da
comunicação e o fortalecimento dos veículos alternativos. As metas
aprovadas neste primeiro encontro ainda engatinham, mas criam uma base
para a realização de futuras discussões. Ivana Bentes, colunista do
site de CartaCapital, fala sobre a situação da mídia no Brasil e
avalia os resultados do Fórum.

CC: Qual era a situação da mídia há 14 anos, quando CartaCapital foi lançada?
IB: Nessa época, não havia a menor chance de se construir um outro
discurso, como aconteceu no segundo mandato de Lula. Na eleição de
Fernando Henrique, não havia a internet, o Youtube e os sistemas de
busca não hierarquizados, como o Google. Era um quadro bastante
desolador. A pauta era mais negativa e reativa.

CC: E hoje?
IB: Hoje os movimentos de mídia têm pautas positivas, propositivas,
para além dessa pauta clássica histórica em relação aos monopólios de
comunicação, a essa centralidade dos meios. Hoje discutimos democracia
participativa, ligada à emergência da possibilidade de se ter uma
democracia online, o voto online e uma descentralizaçã o. Estamos num
momento de transição de modelo. O modelo do monopólio e de
centralização estão em crise.

CC: Que tipo de crise?
IB: Uma crise de várias estruturas tradicionais de centralização das
mídias e dos monopólios. A pauta e o contexto mudaram. De 94 para cá,
temos mudanças no funcionamento do capitalismo, como a financeirizaçã o
e os fluxos de capitais. O capitalismo está globalizado e em rede, mas
os movimentos sociais também, as lutas hoje são globais e
potencializadas pelas redes colaborativas, uma mudança que empondera
os movimentos sociais, muda as formas de se fazer política, muda os
discursos e traz um novo uso para as novas tecnologias.

CC: Quais as razões para a crise dos monopólios?
IB: A queda da venda dos jornais e revistas é um sintoma de crise das
mídias clássicas. Sem dúvida, a internet divide espaço com a mídia
impressa, que é cara e fordista. Ao mesmo tempo, as próprias mídias
corporativas incorporaram as novas mídias, como os blogs e o
eu-repórter. A própria audiência da televisão foi pulverizada. Hoje é
a metade da de 94. A TV perdeu audiência em seus principais programas,
como as novelas e os telejornais. Isso é uma constatação de que essa
multiplicidade de veículos de comunicação deslocaram o poder de fogo,
inclusive da mídia de massa. Esse deslocamento começa a se fazer
sentir. O horizonte de autonomia, liberdade, barateamento das novas
mídias produz essa crise.

CC: O que significa esse deslocamento?
IB: O telespectador vai encontrar na internet o seu veículo de
produção de mídia, onde ele não é só consumidor. Passa a ser o que
chamamos de "prossumidor" , ou seja, o consumidor que produz
informação. A possibilidade da sociedade se apropriar dos meios de
comunicação é uma mudança enorme. O conceito de público e a idéia de
comum não existiam no Brasil. Existia a idéia de TV Pública confundida
com estatal. Começamos, de maneira sistemática e reiterada, a discutir
o que é público. O acesso à rede se tornou condição de cidadania. As
pessoas começam a reivindicar um canal de televisão, pois o mais
importante para eles não é mais aparecer na tela, mas ter um canal,
uma rádio ou um provedor na internet grátis. Isso me parece uma
mudança muito importante.

CC: Por quê?
IB: O monopólio das telecomunicaçõ es passa a ser pensado numa vertente
radical. Produzir mídia passa a ser visto como uma questão de política
pública. Essa mentalidade não existia no Brasil. As pessoas discutiam
qual era a tarifa de telefone mais barata. Hoje a discussão está em
outro patamar. A questão hoje é: "não vai ter telefonia pública nesse
país?". Se as pessoas tiverem acesso à tecnologias, se tornam mais
autônomas, livres e produtivas, inclusive para o mercado.

CC: A mídia dita "alternativa" amadureceu de lá para cá?
IB: Ela explodiu. Houve uma mudança muito grande. Saiu desse discurso
alternativo e independente. Quando falamos em "livre", falamos da
liberdade de expressão e da autonomia de sustentabilidade. Sabemos que
a liberdade é um horizonte, mas ela amadureceu ao incorporar parcerias
com o mercado e com o público. A mídia livre vai depender, sim, de
investimento do Estado, organização social e empreendimento privado. O
sistema é híbrido, por isso não podemos demonizar o mercado ou uma
emissora. Trata-se de discutir princípios novos, que não a do dualismo
e das velhas oposições.

CC: O que achou do Fórum?
IB: Foi muito bom. Para um primeiro encontro, superou as expectativas.
O mais interessante foi a heterogeneidade dos participantes. Essa
diversidade aumenta as chances de se produzir algo novo. Eu ficaria
apreensiva se existisse no Fórum um tipo de discurso dominante. Apesar
das divergências, convergimos na idéia da necessidade de se criar
conceitos novos, com tecnologia nova. A garotada deu um banho no
sentido de aporte de experiência, colaboração, descentralizaçã o,
horizontalidade e autonomia para além da mera reivindicação do Estado
provedor e da demonização do mercado. É muito interessante ver a
garotada da música conversando com o militante da década de 60 que
enfrentou lutas históricas.

CC: Quais foram os resultados práticos do Fórum?
IB: Entre as metas estão fóruns regionais, um Fórum de Mídia Livre
dentro do pré-Fórum Social Mundial, em 2009, e um II Fórum Nacional de
Mídia Livre. No documento, que possui questões objetivas e de
princípio, há uma proposta de estrutura de funcionamento horizontal e
descentralizada com representantes estaduais.

Responder esta

Oi, Cris!

Postei no TransNing o relato desse evento feito por minha filha, Nina, de 20 anos e estudante da UFRJ. Colei o original da cartinha dela pq acho que o mais interessante é perceber o olhar dos jovens sobre esse fenômeno veloz da comunicação. Havia, no evento, diferentes gerações, diferentes interesses, muitos filósofos-observadores pois, afinal, o bonde está andando, aliás, correndo!

A Kadica tbm postou aqui na Retrans uma entrevista excelente com o Umberto Eco acerca da velocidade da informação e seus resultados sobre a memória, a história.

Tudo isso me leva a refletir sobre os efeitos da rapidez onipresente da mídia: ela pulveriza, relativiza, superficializa, enfastia mas pode não nutrir. Informação turbinada.ImPAZciente.

Tudo é tão tudo, tão muito, hj em dia, que não é só o tempo que vôa, os neurônios devem andar de patins no leva-e-trás de novos dados e na pressão de sua compreensão (nuclear e global) e arquivamento cerebral.
E, no meio disso tudo, uma baita indigestão psicodélica deixa-nos prostrados, passivos, desfocando aos poucos o propósito de tudo isso.

O conceito sobre VERDADE FACTUAL na comunicação tbm perde sua essência pois os fatos se desdobram numa velocidade impressionante, os seguintes já impregnados das repercussões dos anteriores na opinião dos observadores, ou seja, a cada seqüencia já temos uma nova realidade, uma nova "verdade" e estas atendendo ao seu público setorizado - verdades fragmentadas.

A Ivana Bentes, nesta entrevista, resume bem o impacto desta velocidade nos tradicionais veículos. Ela é diretora de uma escola de comunicação pública. Sabemos hj da expansão dos cursos particulares e do desequilíbrio entre oferta e procura desses profissionais. Qual o futuro do jornalismo enquanto ofício se todo internauta pode ser um repórter sem-fronteiras?
gde bj,
Dhan

Responder esta

Dhan,

Vale resposta maluca? Acho que toda essa discussão é maravilhosa. São tantas coisas ao mesmo tempo e tão rápidas, você mesmo disse:

"Tudo isso me leva a refletir sobre os efeitos da rapidez onipresente (...)Informação turbinada.ImPAZciente.Tudo é tão tudo, tão muito, hj em dia, que não é só o tempo que vôa, os neurônios devem andar de patins no leva-e-trás de novos dados e na pressão de sua compreensão (nuclear e global) e arquivamento cerebral". Adorei.

Tenho um amigo que uma vez falou do propósito de tudo isso. Uma vez botei uma poesia dele lá no blog. Reproduzo um pedaço, primeiro sobre a aceleração, depois sobre de onde vem e em terceiro sobre o propósito.

Aceleração:

tempo denso concentrante
sonho antigo atualizante
aqui presente nesse tempo
cada vêz mais simultâneo
nesse agora cada vez mais próximo apertante
esmagando as diferenças
anulando os partidos fronteiras nações
deste agora imenso e veloz
vibrância exponencial implacável avança
pro nascimento mais pra lá
momento tendendo pro infinito sem apelação
passo veloz aumentante
momento maduro infinitante


de onde vem:

sementes brilhantes cyclando perpétuas
coreografias luminosas
motores eternos dos sonhos
dos originaes dragões elementaes
tecedores longínquos centraes
deste agora imenso e veloz

vibrância exponencial implacável avança
pro nascimento mais pra lá
momento tendendo pro infinito sem apelação

então vem dos atigos sonhos dos dragões que teceram tudo isso...

E o propósito : implacável avança
pro nascimento
, mais pra lá
momento tendendo pro infinito

Indo pro nosso nascimento, no infinito.

sonho antigo atualizante

Mas porque poesia? Lembro de McLuhan, só o pensamento mágico é capaz de sintetizar em escalas mega. Não dá pra falar mais de tudo que está acontecendo. Falar é só aos pedaços e o que está acontecendo é simultâneo e global. Tempo exponencial, o espaço acabou...

desculpe sair do assunto, mas minha intenção era entrar no assunto...

bjs,

Laerte

Responder esta

Liberdade nem se mendiga nem se conquista,
liberdade é preciso assumir e depois garantir.
Todo dia.

Responder esta

Nada louco, Laerte, tudo lúcido.
Vou destacar um trecho do Evandro, superpertinente à experiência Trans que vivemos aqui (e nas outras duas formas Retrans e-ventos e RetransAção, estas vivendo mudanças e turbulências). Mente Livre (a começar dela mesma, rs) vai nos levar à confiança, ao afeto e, aí, sim, a experiência Trans começa a se sentir em terreno fértil para germinar.
Cao: a liberdade só morre qdo desistimos dela, ou qdo ficamos presos à luta por ela.
bjs procês

"... cultura digital e das redes, somente alcançarão seu objetivo de transformação social se os ativistas estiverem livres das sequências mentais do regime de servidão tornando-se ele próprios exemplos vivos no mundo de comunicadores-cidadãos, de cidadãos-comunicadores. O que permite que hajam relações de confiança, sem as quais as redes e toda a esperança nelas depositada por muitos não pode se efetivar, pois a confiança é a base da construção horizontal de agregadores de transformação."

"Ou seja mídia livre só existe quando o midialivrista é de fato livre, fala com voz própria, conseguiu vencer em si mesmo a tendência generalizada de agir com base no interesse e no poder auto-referenciados, atitude que é naturalizada e que impede, como disse, as relações de confiança."

Responder esta

Raimundo,

acho que ser do contra por aqui não destoa... Somos todos "do contra", mas relendo as mensagens podemos ver que cada um se manifestou sobre aspectos completamente diferentes que lhe chamaram atenção. Você vem trazer mais outros aspectos e assim temos uma pluralidade de abordagens e perspectivas que longe de causar espanto, mostra como podemos ver mais e mais dimensões novas quando operamos em rede. É fantástico que uma mesma coisa possa gerar tantas opiniões diversas, tão fantástico que podemos até chegar a imaginar que nem mesmo essa "coisa" existia. Era pretexto para a intercomunicação. Eu pelo menos não liguei muito para o fórum em si, apenas aproveitei o assunto para produzir minhas próprias notícias...

abraço,

Laerte

Responder esta

Podes crer, Laerte! Por isso trouxe a visão da Ninoca tbm...
Sim, concordo legal contigo, Ray mas o que me interessa mesmo - o espírito de rede na rede -, creio que não foi bem discutido por lá, sem certeza. Pelo que ouvi da Nina a coisa ficou bem naquela angústia de muitas propostas, correntes disputando a sardinha, todos de olho na divisão do bolo das verbas públicas de publicidade. A transformação que essa pluralidade instantânea provoca nos membros da rede e suas repercussões, esta é a parte, para mim, que merece nossos olhares mais atentos - o novo está aí! A linguagem é diferente, escrevemos num tom tão coloquial que, sempre me vejo usando o verbo falar em vez de digitar, escrever...rs. A informalidade é garantida, inicialmente, pelo nome/perfil do grupo, mas é muito interessante observar a construção da confiança, do afeto e os pontos de mutação na história dos grupos. Às vezes sinto como se formássemos uma bolha para digestão coletiva dentro da pista de alta velocidade de informações da internet. Somos enzimas, rs. (vou pensar mais sobre isso...)
bjs

Responder esta

Oi Amigos, acabo de ler os posts sobre o tema... Acredito que o conceito "Mente livre" é algo a ser atingido, mas o fato de falar nisso já nos coloca no caminho... Alias, é mais uma disposição do que algo atingível como objeto... Permite ficarmos atentos e reconhecer que a liberdade é dinâmica, não se prende a termos nem fatos específicos, é um ir andando , aprendendo, melhorando, compartilhando e no possível aceitando as diferenças que nos põem em situação de buscar novos "saltos de oitava" que permitam integrar as diferenças anteriores, assim podemos favorecer a ampliação da consciência ou a liberdade da mente....

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Livros recomendados pelo IPETRANS

A vida secreta dos ingredientes - Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)
Entrevista com o AUTOR

Apocalipse Motorizado

Ned Ludd (org.)

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

OS AUTORES
Ivan Illich (1926-2000) foi um dos pensadores mais surpreendentes dos anos 70 e 80. Com precisão e força atacou cada um dos falsos consensos da sociedade ocidental. O texto de Illich neste livro teve imenso impacto no pensamento libertário de hoje.

André Gorz nasceu em Viena, em 1924, é autor de ´Crítica da Divisão de Trabalho´ (Martins Fontes, 1989)

Aufheben é o nome de um grupo autonomista marxista da Inglaterra surgido nos anos 90.

Car Buster é a principal organização ativista internacional do movimento anticarro.

Reclaim The Streets é um dos principais movimentos ativistas de Londres que surgiu em 1991 com o intuito de tornar as ruas um local de convívio entre pessoas e não somente um espaço de passagem.

Ned Ludd é organizador do livro Urgência nas Ruas ­ Coleção Baderna - Conrad, 2002


Ciência precisa de metáforas melhores, diz pesquisador
Livro critica estágio atual da biologia e sugere caminhos para o futuro dessa disciplina

Se a poesia emprega metáforas para despertar o encanto, também a ciência usa esse recurso, para uma melhor compreensão de conceitos abstratos ou complexos. Por isso os cientistas falam, por exemplo, da movimentação do som por meio de "ondas". Porém, se na poesia o mau uso de metáforas resulta apenas em uma obra duvidosa, na ciência a compreensão literal das metáforas leva a perigosos mal-entendidos.

Esse é o eixo central das idéias discutidas por Richard Lewontin, pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), em conferências realizadas em Milão que, com o acréscimo de mais um capítulo, tornaram-se o livro A tripla hélice. Lewontin debate a idéia de que somos pré-determinados pelos genes, aponta incorreções na teoria da evolução de Darwin, discute a visão cartesiana de que o corpo é uma máquina e sugere caminhos para o estudo da biologia.

O autor critica o uso do termo desenvolvimento para sintetizar as alterações por que passamos do nascimento à morte. Lewontin afirma que o "termo traz a idéia de algo que se desenrola a partir de algo já presente". Segundo esse conceito, as características dos seres vivos seriam a mera expressão do seu material genético e nunca dependeriam da influência do ambiente (como se verifica, nos humanos, no caso da língua que cada indivíduo fala).

Lewontin também discute a atualidade da teoria da evolução. O termo criticado dessa vez é a adaptação -- "o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma existência preexistente". Segundo esse conceito, a diversidade das espécies resultaria da existência de "diferentes tipos de ambientes aos quais os seres vivos se compatibilizaram mediante a seleção natural". O autor condena a separação entre ambiente e organismo. As formigas, por exemplo, fazem ninhos, as plantas consomem gás carbônico do ambiente e produzem o oxigênio a ser usado pelos animais. Organismos e ambiente agem um sobre o outro em um processo constante de transformação.

Mais uma metáfora combatida é a comparação de seres vivos a máquinas. Para estudar um organismo, a biologia divide-o em partes, como se fosse possível separá-lo em funções e em seguida "determinar um todo claro e de anatomia óbvia". É impossível estudar como alguém segura um objeto analisando apenas os movimentos da mão. Ele precisa dos olhos para ver, os músculos se contraem a partir do encurtamento das fibras musculares, que por sua vez depende da química das proteínas actisina e miosina.

Embora admita que as técnicas de que a ciência dispõe já bastam para que avanços sejam feitos, Lewontin esclarece que as respostas que a biologia elabora dependem das perguntas que faz. Se o estudo dos seres vivos está permeado de noções equivocadas, as perguntas serão mal-formuladas e as respostas não esclarecerão o que realmente interessa.

A tripla hélice é um livro atual e envolvente. Em uma linguagem simples, porém de raciocínios complexos, permite uma leitura surpreendente a quem quer que tenha domínio razoável de biologia e genética.


A tripla hélice - gene, organismo e ambiente
Richard Lewontin (trad.: José Viegas Filho)
São Paulo, 2002, Companhia das Letras
138 páginas - R$ 25

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
03/09/02

Notas

Porque NÃO!

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago 2009 at 13:13. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago.

Hora do Planeta


" Veja o seu mundo sob uma Luz totalmente diferente "

28/março : 20:30h horário local - desligar a eletricidade por 1 hora em sintonia com vários países - cada vez mais pessoas aderem a esta causa !
Participe e divulgue !!!

Em 2007 - esta idéia começa e toma conta da Austrália

Em 2008 - 35 países se unem, mais de 50 milhões de pessoas cadastradas que fizeram a diferença apagando
a Luz por uma hora e deixando a Mãe Terra respirar ...

Participem

Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar 2009 at 11:00. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar.

Fotos dos membros da RETRANS

O slideshow da RETRANS, na página principal, comporta o nº máximo de 100 fotos.
As demais fotos (mais de mil fotos!) publicadas pelos membros seguem arquivadas em suas páginas pessoais ou nas páginas de FOTOS.Portanto, para quem quiser ver ou rever mais fotos basta clicar no link Fotos( parte superior da página principal) ou nas páginas pessoais de cada membro.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 21 Jun 2008 at 10:44. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 23 Mar.

Objeções de consciência

Reservista israelense se nega a invadir Gaza

Um reservista escalado para invadir a faixa de Gaza se recusou a entrar no território como protesto contra a morte de centenas de palestinos, muitos deles civis, na Faixa de Gaza.

O militar, de 35 anos, integrante de uma unidade de engenheiros, foi condenado a 14 dias de prisão por insubordinação, informou em um comunicado a organização Ometz Lesarev, que apóia soldados que não concordam co… Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar 2009 at 10:50. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar.

Homenagem a Pierre Weil na Feira do Livro de Poa/RS


Encontro de autores da RETRANS na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Em Busca da Paz

© Antônio Dayrell

(À memória de Pierre Weil*)

Pela paz soltaram as pombas do cativeiro,
um ano foi especialmente dedicado.

Pela paz construíram as armas,
homens perderam suas vidas,
famílias se viram destruídas.
Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 25 Nov 2008 at 16:06. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 5 Mar.

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