RETRANS - REDE TRANSCULTURAL HOLISTA

Tecendo Redes de Transformações

Evandro Ouriques introduz no I Forum de Mídia Livre a questão da Mente Livre

Seiscentas pessoas já confirmaram sua participação no 1º Fórum de Mídia Livre (FML), que acontecerá no Rio de Janeiro neste fim de semana. As inscrições continuam chegando de todo o Brasil, e a expectativa da organização do evento é de que pelo menos 800 pessoas façam parte das questões que serão tratadas no Campus Praia Vermelha da UFRJ.

O Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ faz parte do Comitê Organizador do FML, através de seu coordenador, professor Dr. Evandro Vieira Ouriques, e teve a oportunidade de introduzir a questão da "Mente Livre" na programação do Fórum por entendê-la decisiva para o vigor de uma Mídia Livre.

O Prof. Evandro, cientista político, jornalista, terapeura de base analítica e consultor organizacional, fala aqui deste conceito, que desdobra a linha de pesquisa do NETCCON dedicada à proposição teórica e sustentação operacional de uma economia psico-política da Comunicação e da Cultura.

"O Forum de Mídia Livre é o lugar decisivo para tratarmos da questão da "Mente Livre", que proponho e sustento, pois a "Verba Livre", que o FML quer obter através de pressões legítimas na direção do Governo para que haja distribuição democrática das verbas publicitárias públicas, e o "Verbo Livre", que o FML também quer ajudar a ampliar através da cultura digital e das redes, somente alcançarão seu objetivo de transformação social se os ativistas estiverem livres das sequências mentais do regime de servidão tornando-se ele próprios exemplos vivos no mundo de comunicadores-cidadãos, de cidadãos-comunicadores. O que permite que hajam relações de confiança, sem as quais as redes e toda a esperança nelas depositada por muitos não pode se efetivar, pois a confiança é a base da construção horizontal de agregadores de transformação."

"Ou seja mídia livre só existe quando o midialivrista é de fato livre, fala com voz própria, conseguiu vencer em si mesmo a tendência generalizada de agir com base no interesse e no poder auto-referenciados, atitude que é naturalizada e que impede, como disse, as relações de confiança. Como criar uma rede de redes se não há confiança, se há apenas luta pelo poder? A referência para uma ação livre no mundo é outra, ela precisa ser a generosidade, este para mim o outro nome do “espírito público”, da democracia, dos direitos humanos, dos direitos ambientais, dos direitos das crianças de dos adolescentes, das políticas públicas, da responsabilidade socioambiental.”

"No livro História das Teorias da Comunicação, o belga Armand Mattelart, professor da Universidade de Paris e um dos mais eficientes críticos do monopólio mundial dos meios de comunicação, diz que, nos dias atuais, criados pela produção de estados mentais (e por isto criei em 2005 na Escola de Comunicação a disciplina Construção de Estados Mentais Não-violentos na Mídia) a liberdade política não pode se resumir ao direito de exercer a própria vontade. Ele insiste, e eu concordo plenamente, que a liberdade política hoje reside igualmente no direito de dominar o processo de formação dessa vontade, já que, na maior parte dos casos, ela [a vontade] é capturada por um rio de mídia que atravessa a pessoa ao longo do seu desenvolvimento emocional, educacional, social e histórico. Um fluxo que fala e sente por ela."

"Hoje, a pessoa sente e pensa por meio da mídia que, em nenhum momento, a ajuda a parar e refletir. A aceleração, por exemplo, que os apresentadores dos telejornais utilizam é incompatível com o ritmo respiratório, metabólico. A respiração fica suspensa. E suspensa, impede que as informações entrem e sejam metabolizadas. Impedem, inclusive, que a nossa mente (no sentido do conjunto de percepções, pensamentos e afetos) tenha tempo de excretar o que não serve."

“Não há cultura digital que dê conta de gerar relações de confiança. Para construirmos confiança precisamos de algo ainda mais difícil do que a verba livre e o verbo livre. Precisamos de uma Mente Livre, livre destes tempos de amor líquido, no qual os relacionamentos pouco se sustentam ou não se sustentam pois não há conversa na maioria das vezes, mas tentativas cruzadas, e em rede, de convencimento do outro. Se Zygmunt Bauman [sociólogo polonês] mostra que estamos na época do amor líquido, é porque vivemos uma era de relações líquidas. No entanto, o que garante o vigor da relação colaborativa nas redes, conseqüentemente, o vigor da cultura digital, é exatamente a estabilidade da confiança. Mas o que assistimos é a experiência do atropelamento, das decisões democráticas apenas nominais, quando a prática é a da imposição, da traição e da desconfiança. A grande mídia está, em geral, neste estado, e os midialivristas foram formados por ela, nela. Não nos tornamos livres apenas por uma vontade de ser livre. É um longo e complexo processo, como mostram por exemplo a psicanálise e a psicologia social."

"Baseados na luta política auto-referenciada, na vida como uma luta constante e implacável como única saída imaginada por oposição a um céu idealizado e inexequível, a organização social se mantém, atualmente, por uma estratégia de dessubjetivação, ou seja, de desespeciação: de perda do caráter de espécie, como provam os atos crescentes e sucessivos de horror com os quais convivemos e que estão presentes nas relações das equipes, das redes, das amizades, dos relacionamentos."

"Estamos diante, portanto, de sujeitos não-instalados. Portanto a verba livre e o verbo livre com sujeitos efetivamente não-instalados no qual o que nos fala é um vazamento do inconsciente temos é a expansão da história conhecida, seja ela pessoal e comunitária, racial, de gênero, de classe, etc., de traumas, abusos, discriminações."

"É decisivo portanto investirmos na construção de uma Mente Livre, para que as redes sejam efetivamente redes e não apenas clubes, nos quais o sentido de comunidade desaparece e o de política permanece como sendo apenas a tentativa de administrar grupos de pressão orientados por princípios vagos meta-organizados pela luta pelo poder, pela idéia vertical que alguém que sabe mais do que alguém. Mesmo que esta alguém seja de esquerda..."

"A História prova que os grupos que chegam ao poder tendem a repetir o mesmo padrão de comportamento dos grupos anteriores e prova também que quando as pessoas se juntam começam logo a se engalfinhar pelo poder. Ora precisamos de uma fonte de referência para a ação que não seja a própria ação e uma fonte de referência para a luta política que não seja a própria luta, porque senão colaboramos para o aprofundamento da barbárie. Como então conseguir agenciamentos possíveis de nossas singularidades em torno de objetivos/desejos comuns?"

"A Teoria Social, por exemplo, insiste em dizer que as práticas humanas são movidas pelo interesse e pelo poder. Ora, como é possível então explicar o desejo de democracia, de políticas públicas sociais, de responsabilidade socioambiental? O midiativista, o comunicador, o jornalista, o cidadão, o profissional precisa ser aquilo que ele gostaria de ver no mundo. Precisa dominar o processo de formação de sua vontade para não ser capturado pelos valores que mantêm a exclusão. Vida privada e vida pública são conceitos binários ultrapassados. Precisamos ser de fato o que gostaríamos de ver no mundo, como disse uma vez de maneira lúcida Mahatma Gandhi, aquele que derrubou o pai do Império que está aí, e à cuja mídia os midialivristas querem superar. É decisivo que se pense e se construa uma Mente Livre, pois só assim teremos de fato uma Mídia Livre".

O professor Evandro Vieira Ouriques, coordenador do NETCCON.ECO.UFRJ, pós-doutor em Cultura de Comunicação, Globalização de Mercados e Responsabilidade Ética, pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea-PACC, do Forum de Ciência e Cultura da UFRJ, tratará da questão da Mente Livre no Grupo de Trabalho Formação para uma Mídia Livre, no sábado à tarde, e na Oficina "Mente Livre, Mídia Livre", que ocorrerá no domingo à tarde.

Os cinco eixos temáticos

Na manhã de sábado (14) acontecerá a cerimônia de abertura do FML e, em seguida, terão início as mesas de discussão com cinco eixos temáticos: Políticas Públicas de Fortalecimento da Mídia Livre; Democratização das Verbas Publicitárias Públicas; Fazedores de Mídia; Formação para a Mídia Livre e Mídias Colaborativas, Novas Mídias.

O primeiro eixo de discussão, segundo os organizadores do FML, tratará temas como "regulamentações, Lei Geral da Comunicação, direito à comunicação, TV pública, telefonia e internet pública, convergência das mídias, pontões de cultura digital, etc". O segundo eixo pretende analisar "a questão das verbas públicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito à comunicação".

O terceiro eixo, sobre o tema "Fazedores de Mídia", pretende fazer um "mapeamento da rede de produtores de mídia livre, coletivos, sites, jornais, canais, empresas, agências e movimentos sociais que fazem mídia e propostas que tenham o ’público’ e o ’comum’ como referência". Nesse eixo, será discutida a possibilidade de formação de um Portal de Mídia Livre, que poderá servir para potencializar o alcance e a possibilidade de sustentação da "mídia contra-hegemônica".

No quarto eixo, serão analisadas as experiências de universidades, de educação não-formal, de escolas livres, empresas, ONGs, coletivos, etc, que "podem contribuir pela construção de uma ’mente livre’ para formar ’midiativistas’, jornalistas, radialistas, editores, publicitários, assessores, etc, que sejam criadores de atitudes agregadoras, conteúdos e pautas de fato novas, apontando e construindo assim novos e potentes cenários de expressão, trabalho e mudança".

O quinto eixo fará uma discussão sobre "os movimentos, projetos, ferramentas e tecnologias de criação livre (Software Livre, Creative Commons, Wiki, P2P, sites e portais colaborativos, etc) e as políticas de acesso e capacitação para o uso dessas ferramentas nos serviços públicos e mídias livres".

No domingo (15), acontecerá a plenária final do 1º FML, onde serão apresentados os resultados das discussões travadas nos cinco eixos temáticos. A plenária terá espaço para a intervenção de convidados, como representantes de movimentos sociais, centrais sindicais, e partidos: "A intenção é que, durante a plenária final, seja também aprovado o Manifesto da Mídia Livre, documento de princípios do movimento", afirma Gustavo Barreto. Além dos grupos de discussão, os dois dias de evento na UFRJ também abrigarão oficinas (já foram inscritas 16) sobre temas diversos ligados à comunicação.

Movimento começou em março

Jornalistas, acadêmicos e ativistas pela democratização da comunicação divulgaram no início de abril manifesto em defesa da diversidade informativa e da garantia de amplo direito à comunicação.

O manifesto, resultado de reunião promovida em São Paulo em março, lançou as bases para a organização do I Fórum de Mídia Livre.

Convidados

Entre os convidados e organizadores e estão lideranças como Joaquim Palhares, Ivana Bentes, Gustato Barbosa, Antonio Biondi (Intervozes), Marcos Dantas, PUC-RJ, Jorge Bittar, Caetano Ruas, Circo Digital/Pontão de Cultura Digital, Gustavo Gindre, Intervozes/Comitê Gestor da Internet Brasil, Renato Rovai, Revista Fórum, Dario Pignotti, Jornais Página 12, Argentina, e La Jornada –México, Giuseppe Cocco, Le Monde Diplomatique/Global, Emir Sader, CLACSO e UERJ, Mário Augusto Jakobskind, Brasil de Fato, Altamiro Borges, Vermelho, Bárbara Szaniecki, Revista Global, Paulo Lima, Viração SP, Augusto Gazir, Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC) da Maré RJ, Marcus Faustini, Escola Livre de Cinema - Nova Iguaçu RJ, Rosane Svartman, Nós do Morro, Hamilton Octavio de Souza, Curso de Jornalismo da PUC-SP, Zilda Ferreira, Educom, João Pedro Dias Vieira, UERJ, Oona Castro, Overmundo-RJ, Ermanno Allegri, ADITAL – Agência de Informação Frei Tito para a América Latina-RJ, Patricia Canetti, Canal Contemporâneo e Conselho de Arte Digital no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), Cláudia de Abreu, Comunicativistas-RJ e Márcia Corrêa, Bem TV.

Programação & local do evento

O I Fórum de Mídia Livre acontecerá nos próximos dias 14 e 15 de junho de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho).

Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC.

Confira aqui os eixos temáticos e a programação completa do evento.

Inscrições podem ser feitas em http://forumdemidialivre.blogspot.com

SÁBADO, 14 DE JUNHO

9h às 12h - Mesa de abertura

ABERTURA DO FÓRUM com convidados e coordenadores do Fórum de Mídia Livre, com Apresentação/Distribuição de documento com questões, propostas, provocações iniciais do Fórum da Mídia Livre em torno dos eixos temáticos. Debate geral com os participantes. Dinâmica da Desconferência: 5 ou 6 convidados preparam uma fala/pauta/provocação de 5 a 10 minutos e depois abre-se a roda para todos que quiserem se inscrever e falar, com um limite de tempo. (TRANSMISSÃO ON-LINE)

12h às 14h - Almoço

14h às 18h - Grupos de Desconferências com cinco eixos temáticos

Reunião em paralelo dos Grupos de Trabalho, moderados por um Coordenador e com a participação de desconferencistas com objetivo de propor um documento enxuto com considerações, encaminhamentos, propostas, em torno das questões do eixo temático do grupo. (TRANSMISSÃO ON-LINE)

1) Democratização da Publicidade Pública e dos Espaços na Mídia Pública
A questão das verbas públicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito à comunicação e outras propostas concretas e pragmáticas. Trabalhar com o conceito de verbas livres.

Coordenador: Renato Rovai (Revista Fórum). Relator: Rodrigo Brandão (Comitê Rio do FML). Convidados: Antonio Mello (Blog do Mello); Claiton Mello (Gerência de Marketing da Fundação Banco do Brasil); Dario Pignotti (Ansa, Página 12 e Manifesto); Emir Sader (CLACSO e UERJ); Giuseppe Cocco (Le Monde Diplomatique e revista Global); Joaquim Palhares (Agência Carta Maior); Mário Augusto Jakobskind (Brasil de Fato); Robinson Almeida (secretário de Comunicação do Governo da Bahia).

2) Políticas Públicas de Fortalecimento da Mídia Livre
Regulamentações, Lei Geral da Comunicação, Direito à Comunicação, TV Pública, Telefonia e Internet Pública, Convergência das Mídias, Pontões de Cultura Digital, etc.

Coordenador: Antonio Biondi (Intervozes). Convidados: Caetano Ruas (Circo Digital/Pontão de Cultura Digital); Jorge Bittar (deputado federal PT-RJ); Lalo Leal (professor da USP); Marcos Dantas (professor PUC-RJ).

3) Fazedores de Mídia
Mapeamento/discussão da rede de produtores de mídia livre, coletivos, sites, jornais, canais, empresas, agências, movimentos sociais que fazem mídia, propostas que tenham o "público" e o "comum" como referência pensando na constituição de um Portal de Mídia Livre. A questão da mídia "contra-hegemônica" e a potencialização da difusão mundial de outras formas de sentir, pensar e agir.

Coordenador: Altamiro Borges (Vermelho). Relator: Leandro Uchoas. Confirmados: Bárbara Szaniecki (Revista Global); Beto Almeida (Telesur); Fátima Lacerda (Agência Petroleira de Notícias); Patricia Canetti (conselheira titular de Arte Digital do CNPC - Conselho Nacional de Política Cultural); Paulo Lima (Revista Viração).

4) Formação para uma Mídia Livre
Como as Universidades, experiências de educação não-formal, escolas livres, empresas, ongs, coletivos, etc., podem contribuir pela construção de uma "mente livre" para formar "midiativistas", jornalistas, radialistas, editores, publicitários, assessores, etc., que sejam criadores de atitudes agregadoras, conteúdos e pautas de fato novas, apontando e construindo assim novos e potentes cenários de expressão, trabalho e mudança.

Coordenadora: Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Universidade Rede Nômade); Confirmados: Augusto Gazir (Escola Popular de Comunicação Crítica - ESPOCC); Evandro Vieira Ouriques (Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência - NETCCON.ECO.UFRJ); Fábio Mallini (UFES); João Pedro Dias Vieira (professor da Uerj); Luciana Bezerra (Nós do Morro); Marcus Faustini (Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu); Zilda Ferreira (Educom).

5) Mídias Colaborativas, Novas Mídias
Apresentação/discussão dos movimentos, projetos, ferramentas e tecnologias de criação livre (Software Livre, Creative Commons, Wiki, P2P, sites e portais colaborativos, etc.) e políticas de acessos e capacitação para o uso dessas ferramentas, implantação de ferramentas livres/não-proprietárias nos serviços públicos e mídias livres.

Coordenador: Gustavo Barreto (Consciência.Net) e Anselmo Massad (Revista Fórum). Confirmados: Claudia de Abreu (Comunicativistas); Ermanno Allegri (ADITAL); Oona Castro (Overmundo/Intervozes); Rita Freire (Ciranda).


DOMINGO, 15 DE JUNHO

9h às 12h - Plenária de leitura e aprovação dos relatórios com espaço para intervenções dos convidados, representando movimentos sociais, centrais sindicais, governos, partidos políticos etc.
Apresentação dos resultados dos Grupos de Trabalho. Discussão ampla e geral e Apresentação/Esboço de documento/manifesto do I Fórum da Mídia Livre, sintetizando as proposições e apontando prioridades. Debate. (TRANSMISSÃO ON-LINE)

ALMOÇO - 12h às 14h

14h às 18h - Feira de projetos em espaço de sinergia
Oficinas, Encontros Regionais, iniciativas livres, encontros específicos, atividades propostas, apresentação de materiais produzidos durante o Fórum, nas Oficinas etc.

18h - Evento de encerramento
FESTA/Confraternização - Campus da Praia Vermelha e lugares em fase de proposição.

Haverá uma Sala de Imprensa para garantir a cobertura do evento pelos veículos de mídia livre.

(Esta notícia incorpora trechos de matéria publicada na Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_i... e trechos de material de divulgação do FML e do NETCCON.ECO.UFRJ

Tags: comunicação, consciência, liberdade, mídia, transdisciplinaridade

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Respostas a este tópico

Concordo com vocÊ Dhan e com o Ray, acho que há uma qualidade humana de comunicação -apesar das subidas de tons- que não existe ai fora nem entre os formadores de opinião.Acredito que em parte seja pela liberdade daqui que não existe lá, e nem adiante me querer convencer do contrário.OS comunicadores contratados obedecem ao dono que paga seus salários e os ditos alternativos ou menores, sofrem na procura de meios de sustento para continuar seu trabalho, então ocupar no mínimo a metade dos neurónios procurando formas de conseguir verbas...assim, sobre para nós ...e me incluo mesmo sem diploma, viu Dhan, porque acredito que além das cátedras existe muita gente que pensa e tem critério e muitos com diploma que não pensam e tem o critério da moda ou do dono....rsss....
amo todos voçês!

Responder esta

Amigos, tinha postado aqui meu comentário mas não sei porque foi apagado antes de ir para o foro, acho que toquei em algo errado....
Então sintetizo só que concordo com o comentário de Dhan y de Ray sobre a comunicação e o resto do que falei, alguém o colocou mais extenso e com informação concreta, então em lugar de repetir colo aqui o comentário...
Cris

http://www.proconfe rencia.com. br/artnot. cfm?noticia= 57

Iriny Lopes*

O acesso a informações e a oportunidade de produção de conteúdos, além da
garantia de difusão e distribuição são princípios fundamentais no debate
sobre a democratização da comunicação. O Brasil está longe de ter uma mídia
independente e democrática. O mercado de TV é controlado por seis grandes
grupos, que movimentam anualmente cerca de US$ 3 bilhões, sendo que quase
metade desse total (US$ 1,59 bilhão) está concentrada nas mãos da Rede
Globo. Segundo relatório da Article 19, que atua na promoção e proteção ao
direito à liberdade de expressão, são essas seis empresas que controlam a
informação "em conjunto com seus 138 grupos afiliados, um total de 668
veículos midiáticos (TVs, rádios e jornais) e 92% da audiência televisiva -
a Globo, sozinha, detém 54% da audiência da TV (em um país em que 81% da
população assiste TV todos os dias, numa média de 3,5 horas por dia)".
Esta concentração do mercado de informação dá a medida de quanto a sociedade
é excluída de todo o processo de elaboração da comunicação. A seleção de
conteúdos privilegia os interesses privados, sobretudo os que interessam às
grandes empresas nacionais e transnacionais, e segregam as demandas sociais.
Não é necessário ser especialista para constatar a pasteurização das
notícias. Raros são os veículos que conseguem fugir do noticiário
"consensual" das redes, numa cartelização dissimulada da comunicação.
A Article 19 considerou preocupante o monopólio da informação no país e
lembrou que o item 12 da Declaração Interamericana de Princípios sobre
Liberdade de Expressão, coloca a necessidade de um marco legal para a
efetiva democratização da comunicação:"Os monopólios ou oligopólios na
propriedade e no controle dos meios de comunicação devem estar sujeitos a
leis sobre concorrência desleal, pois conspiram contra a democracia ao
restringir a pluralidade e a diversidade que asseguram o pleno exercício do
direito à informação pelos cidadãos. Em nenhum caso estas leis devem
aplicar-se exclusivamente aos meios de comunicação. As concessões de rádio e
televisão devem observar critérios democráticos que garantam a igualdade de
oportunidades de acesso para todos os indivíduos".
O tema é de extrema importância para o País, sobretudo num momento em que
se discutem questões como a digitalização e a convergência de mídias. Temos
uma legislação frágil e antiga (basta lembrar que a regulação da TV aberta e
rádio foi definida pelo Código Brasileiro de Telecomunicaçõ es em 1962, que a
Lei Geral de Telecomunicaçõ es surgiu em 1997, e TVs pagas têm uma série de
decretos, leis, portarias e normas para sua regulamentação e, não raramente,
contraditórias entre si),
Mesmo com a previsão da proibição de monopólios e oligopólios de meios de
comunicação social; a regionalização da produção cultural, artística e
jornalística e a criação do Conselho de Comunicação Social, ligado ao
Congresso Nacional, com participação da sociedade civil, constantes na
Constituição de 1988, estamos muito longe de considerar que está sendo
cumprido o direito humano, o direito do cidadão à informação.
O conceito de comunicação como um direito foi expresso há mais de 26 anos,
quando um grupo de ativistas, intelectuais e técnicos se reuniu para
elaborar para a Unesco um documento, que foi chamado de Relatório McBride,
em referência ao coordenador desse estudo, o escocês Sean McBride.
O conteúdo deste relatório foi considerado explosivo e provocou uma reação
da Unesco por parte dos Estados Unidos e da Inglaterra, que resultou num
abandono das idéias contidas no documento. Em 2005, a Comissão de Direitos
Humanos e Minorias da Câmara recolocou o tema em pauta, em um seminário e
desde então têm atuado ativamente na promoção deste debate com a sociedade
civil.
Como é possível falar em democratização no Brasil, que tem o maior número de
veículos de comunicação da América Latina, está na primeira colocação em
receita publicitária, mas com tão poucos (cerca de nove famílias)
controlando as principais empresas do setor?
É difícil acreditar que tamanha concentração contemple a diversidade e as
premissas da comunicação como um direito do cidadão e a informação como um
bem público.
James Görgen, jornalista e pesquisador do Epcom, chama a atenção para o
"caos regulatório", causado principalmente pela concentração do controle dos
meios de comunicação, exercido por poucos grupos.
O professor Venício Lima, colunista do Observatório da Imprensa, acrescenta
ainda que essa "concentração de propriedade na mídia é conseqüência da
ausência de legislação que regule a propriedade cruzada". Segundo ele, "em
vários países não é permitido que um mesmo concessionário detenha o controle
de mais de um veículo de comunicação. Aparentemente, isso também não é
permitido no Brasil. Não é o que se vê na prática, graças ao uso dos
laranjas". Portanto, ao pensarmos em nova regulamentação para o setor, temos
que tratar dessa questão com a seriedade que exige, traçando mecanismos para
coibir a chamada "propriedade cruzada".
Para além da concentração de mercado, em si um atentado à liberdade de
expressão, a legislação de controle de concessões de rádios e TVs também se
transforma em outro entrave ao direito à comunicação. As concessões são
aprovadas pelo Poder Legislativo e são justamente os políticos que mais se
beneficiam das outorgas. Levantamentos dessa legislatura apontam que 30% dos
senadores e dezenas de deputados mantêm concessão de rádio e TV, usando para
tanto parentes ou laranjas. Interesses privados e políticos que servem a
grandes grupos econômicos, onde a população não tem vez nem voz.
A velocidade que parlamentares (muitos deles, inclusive, suspeitos de
irregularidades e processados por crimes) conseguem aprovar concessões para
seus pares contrasta com a lentidão que o Ministério das Comunicações mantém
nos processos de avaliação para rádios e TVs comunitárias. São anos de
espera e uma burocracia quase impeditiva, somada a uma criminalização desses
grupos da sociedade, vítimas constantes de operações da Polícia Federal e
Anatel, que agem também sob uma ótica privatista.
A desigualdade de tratamento na produção de notícias é um reflexo de uma
legislação que não atribui responsabilidades e nem toma para si a culpa pela
inércia na fiscalização de conteúdos discriminatórios (que não se restringe
àquelas ofensas evidentes aos grupos sociais menos favorecidos, mas à falta
do contraditório, ou ao desequilíbrio na cobertura dos fatos, disseminando
opiniões em forma de informações de forma, não rara, dissimulada) e no
cumprimento da função social que se espera de uma concessionária.
Os processos, tanto de novas concessões, como de renovação, são feitos de
forma automática, como se não fosse prerrogativa do Legislativo estudar caso
a caso e fiscalizar se as empresas beneficiadas cumpriram o exigido na
legislação.
Distribuição e mídia digital
A distribuição de mídias impressas, configurada como monopólio, já que 70%
do mercado atual está com a Dinap S/A Distribuidora Nacional de Publicações,
empresa do Grupo Abril, e outros 30% com a Fernando Chinaglia
Dsitribuidores, é outro ponto de preocupação. Em 2006, somente a Dinap
faturou R$ 608 milhões, com atendimento a 300 editoras e 32 mil pontos de
vendas no país. A Fernando Chinaglia atende a 250 editoras e conta com 27
mil pontos.
A notícia da compra da Fernando Chinaglia pela Dinap, que passaria a se
chamar Treelog, é inadimissível e deveria ter sido, antes mesmo da fusão,
objeto de análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade),
considerando que, mesmo sem a outra empresa, ela já controla 70% da
distribuição no país.
O cenário, configurada a fusão, é aterrador. Como ficariam, por exemplo, as
publicações alternativas, como Carta Capital, Fórum e outras que criticaram
a cobertura desleal da Revista Veja, um dos principais veículos da Abril que
desde o primeiro mandato jogou fora todas as normas técnicas do jornalismo
para atacar de maneira preconceituosa e intolerante o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores?
Embora seja positiva a aprovação do requerimento de audiência pública, em
novembro, para realização do debate sobre o tema nas Comissões de Defesa do
Consumidor e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados,
é preciso exigir do Cade, que tem a incumbência de questionar transações
comerciais que se configurem como monopólio e concorrência desleal, que
cumpra sua função e evite a concentração ainda maior de um mercado tão
fechado como o da distribuição, fundamental para que qualquer veículo
consiga sobreviver (sem circulação, não há como aumentar a verba
publicitária, o que causa a morte por inanição financeira das pequenas
empresas).
Assistimos ainda perplexos a forma como o ministro das Comunicações Hélio
Costa vem conduzindo a discussão sobre a implantação da TV e rádios
digitais. Há, nas decisões tomadas por ele (e sem considerar as
reivindicações da sociedade civil) claros indícios de que pretende
privilegiar novamente grandes grupos empresariais, inviabilizando, por
exemplo, na questão das freqüências de rádio, as transmissoras comunitárias.
Para nós que lutamos pelos direitos humanos e iniciamos esse debate sobre a
democratização da informação em 2005, na Comissão de Direitos Humanos e
Minorias da Câmara, interessa quebrar essa lógica econômica que existe na
sociedade brasileira, em que 20 mil famílias concentram 40% das riquezas
nacionais, e que se estende para o setor de comunicação.
Não é coerente com o princípio da diversidade que se admita que somente seis
empresas controlem a informação no País. A ausência de canais de expressão
da pluralidade afeta a sociedade como um todo, sobretudo mulheres, negros,
jovens, índios, quilombolas, GLBTs e comunidades populares. São eles que têm
sido frequentemente afetados pela cobertura distorcida e parcial da mídia,
defensora apenas do direito do grande capital, tratando a informação como
mercadoria privilegiada e onde somente a elite tem espaço.
A informação é um direito humano que deve ser respeitado como tal. A
necessidade da realização de uma Conferência Nacional de Comunicação em 2008
se insere nessa perspectiva e deve ser precedida por debates estaduais, que
levantem as especificidades das regiões. Aos jornalistas se juntam
movimentos sociais, protagonistas dos fatos, mas relegados a um papel de
consumidor e ignorados em seu direito à expressão.
Sem informação não conseguimos elaborar, nem analisar o universo ao nosso
redor. Ficamos à mercê do desconhecido. Por outro lado, noticiário
direcionado retrata apenas a visão, a opinião de grupos privados e atende a
interesses diversos que não o bem público, distorce a realidade, sufoca a
pluralidade e os direitos humanos, desrespeita os princípios fundamentais
previstos na Constituição brasileira.
A diminuição das desigualdades sociais não se dará sem que se considere a
comunicação como elemento de inclusão social. As elites sabem da importância
da informação. Por isso mesmo, relutam em abrir o mercado, de serem
fiscalizadas, de terem o controle externo que tanto pregam para o
Legislativo e o Executivo, usando o precário argumento de que estão sendo
cerceadas na liberdade de expressão. A democratização prevê a
universalização de vozes, pensamentos, culturas e respeito à diversidade,
algo que não cabe no restrito mercado atual controlado por grandes empresas
de comunicação.
Esta é uma notícia tão antiga e, paradoxalmente, tão atual, que precisa ser
sucedida por outra, pautada pela sociedade, em que a comunicação seja
direito garantido não só no verbo, mas na lei e de fato.

* É Deputada Federal pelo PT do Espírito Santo, titular da Comissão de
Direitos Humanos e Minorias da Câmara e autora do requerimento na CDHM, no
final de 2006, solicitando o envolvimento da comissão na construção da
Conferência Nacional de Comunicação.

E aproveito para complementar com outra nota sobre o tema da comunicação....

http://www.proconfe rencia.com. br/quemsomos. htm

O movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação foi criado oficialmente ao final do Encontro Nacional de Comunicação, que ocorreu em junho de 2007, por iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. Ele é composto por cerca de 30 entidades da sociedade civil de caráter nacional, além da CDHM e do Ministério Público Federal.

Embora o movimento tenha se organizado como tal somente há alguns meses, a demanda por uma Conferência Nacional de Comunicação já existe há anos, a partir da análise de que a comunicação precisa estabelecer mecanismos democráticos de formulação, monitoramento e acompanhamento das políticas públicas para o setor. Em um quadro de ausência de um marco regulatório consistente, atualmente a construção das poucas políticas de comunicação existentes se dá sem a efetiva participação da sociedade.

A iniciativa ganhou força a partir do final de 2006, quando foi aprovado um requerimento da deputada Iriny Lopes (PT-ES) na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados solicitando o envolvimento da comissão na construção da Conferência. A partir daí, a CDHM convocou diversas entidades para debater caminhos para construção da Conferência. A primeira iniciativa nesse sentido foi a realização do Encontro Nacional de Comunicação, que tinha por objetivo reunir contribuições para o temário e para a organização da conferência.

Ao final do encontro, publicou-se uma carta [veja aqui] apontando algumas diretrizes para o processo. Além disso, foi formado um comitê pró-conferência, que vem se reunindo quinzenalmente buscando dialogar com o Executivo e com o Legislativo para viabilizar a Conferência Democrática de Comunicação.

Articulação de Mulheres Brasileiras
Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCcom)
Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG)
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço)
Associação Brasileira do Ensino de Psicologia (ABEP)
Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub)
Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc)
Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES)
Campanha pela Ética na TV
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Centro Indigenista Missionário (CIMI)
Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM)
Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP)
Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Conselho Nacional da Umbanda do Brasil (CONUB)
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos)
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (FITERT)
Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)
Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH)
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo
Inesc - Instituto de Estudos Socioeconômicos
Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
Lapcom/UnB
Ministério Público Federal (MPF)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
Movimento Negro Unificado (MNU)
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
União Nacional dos Estudantes (UNE)

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Raimundo,

bom que você falou isso, porque eu nunca disse mas também já entrei nesses climas interiores de sentir que não estavam entendendo o que eu estava dizendo, etc. Diversas vezes aliás. Já vi acontecer com outras pessoas aqui também. Acho que deve fazer parte do processo de ir dominando esse novo meio, a internet, irmos descobrindo que isso acontece e poder observar com isenção quando acontecer de novo. Pois certamente vai acontecendo periodicamente. Acho até bom falar sobre isso porque aí a gente vai desenvolvendo possibilidades de metacomunicações quando necessário e pode corrigir as distorções evitáveis.

abraço,

Laerte

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Ray

Que nada, não se tolheu não, lançou a discussão, e bem lançada. Apenas de uma forma mais tranquila, aprazível, digerível.
Aquela TMP não foi tão permanente assim... Acho que o "chiste" ajudou, né ... ?

Ah, quanto às idéias, concordo plenamente com o que dizes e, principalmente, com a postura/perspectiva. Tá ? A alusão ao CMI foi perfeita, e por aí vai, tem muita coisa nas entrelinhas e pós-linhas ocultas. Fico com curiosidade a respeito do Observatório da Imprensa.

Beijos a todos

Acauã
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Cobertura do Fórum Pela ECO-TV.URRJ( link ativo para a entrevista com nosso parceiro Evandro Ouriques sobre a Mente Livre)
I Fórum de Mídia Livre

O I Fórum de Mídia Livre foi realizado na Escola de Comunicação da UFRJ e no Fórum de Ciência e Cultura, no campus da Praia Vermelha, nos dias 14 e 15 de junho de 2008. O objetivo do encontro foi discutir perspectivas para a democratização dos meios e novas formas de produção de conteúdos para a mídia, com diversidade de temas e linguagens mais criativas. Participaram dos debates jornalistas, professores e representantes de diferentes grupos sociais.

A equipe do TJUFRJ - o telejornal online da Escola de Comunicação da UFRJ realizou a cobertura completa do evento, com transmissão ao vivo das palestras e reportagens em vídeo no portal do TJ. Confira a cobertura completa.

Abertura do Fórum de Mídia Livre- 14/06/2008

Mesa de Abertura do Fórum de Mídia Livre

Primeiro dia do Fórum de Mídia Livre

Programação do primeiro dia do evento

Eventos paralelos ao Fórum


Perspectivas para o Fórum de Mídia Livre



Quem faz o Fórum de Mídia Livre - 14/06/2008

Diversos grupos sociais participaram do Fórum

Matéria Comportamento

Novas formas de fazer mídia



Grupos de Trabalho - 14/06/2008
Um panorama dos GTs

GT Formação para uma Mídia Livre

GT Mídias Colaborativas, Novas Mídias

GT Fazedores de Mídia

GT Políticas Públicas e Formação para uma Mídia Livre

GT Fazedores de Mídia - Matéria Completa

GT Democratização da Publicidade - Matéria Completa



Encerramento do Fórum de Mídia Livre- 15/06/2008

Segundo dia do Fórum de Mídia Livre

Oficinas

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Mais uma entrevista com a Ivana Bentes, esta mais completa,feita pelo IHU On-LIne, trazendo novos informes sobre o pós-forum e trazendo importantes questões para nossa reflexão.
ABC!
1º Fórum de Mídia Livre: avaliação e efetivação de propostas. Entrevista especial com Ivana Bentes


Para quem está acompanhando os debates acerca da Mídia Livre, é clara a percepção do intuito desta discussão: democratizar os meios de comunicação, tanto em relação ao acesso quanto em relação à produção e, principalmente, lutar por sustentabilidade, autonomia e liberdade por parte das mídias. O 1º Fórum de Mídia Livre, que aconteceu no Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 de junho, evidenciou e registrou tais anseios, assim como uniu indivíduos e movimentos que trabalham com as novas possibilidades das mídias. Para a coordenadora deste evento, Ivana Bentes, o 1º Fórum de Mídia Livre foi bastante positivo, pois conseguiu agregar uma diversidade grande de pessoas, com diferentes históricos e de diferentes gerações, que desejam o mesmo em relação às mídias. “Precisamos de um novo marco regulatório, porque o que está aí não dá conta do funcionamento legal dessas mídias pós-internet. Todo o marco regulatório das comunicações no Brasil é caduco, da década de 1960 e não dá conta mais do contexto tecnológico, político, social atual”, destacou a professora, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line.

Ivana Bentes Oliveira é comunicadora social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também realizou seu mestrado e doutorado na área de comunicação. Atualmente, é professora e coordenadora dos cursos de comunicação da universidade. Ela já concedeu outras entrevistas exclusivas à IHU On-Line: uma em 24-03-08, intitulada “É restritivo demais pensar só no jornalismo como centro da discussão midiática”, e a outra, “Do profissional ao amador: a diversidade da Mídia Livre”, na IHU On-Line número 254, “Mídia Livre? A democratização da comunicação”.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Relembrando como este evento foi construído e as propostas e ações que foram planejadas a partir dele, como a senhora avalia o 1º Fórum de Mídia Livre?

Ivana Bentes – Eu avalio de uma forma muito positiva porque penso estar havendo um novo movimento de mídia no Brasil. É positivo já pela presença de uma grande diversidade de pessoas, desde ativistas históricos, que lutam pela democratização dos meios de comunicação no Brasil, até uma geração muito nova, que está trabalhando com as novas mídias, por exemplo, com a mídia colaborativa e pensa nessa questão da democratização a partir de outros conceitos e experiências. Por isso, esse evento foi importante, porque juntou essas gerações diferentes e acrescentou à demanda histórica outras demandas atuais, que têm relação com esse cenário de pós-internet e pós-convergência das mídias. Um cenário que, aliás, precisa ser repensado. Em termos de adesão, também foi muito positivo. Compareceram muitas pessoas ao debate inicial, assim como os grupos de trabalho, e também à plenária que encerrou o evento.

IHU On-Line – O que a organização do Fórum está fazendo para articular as propostas junto ao governo federal?

Ivana Bentes – Pensamos em várias ações, sendo algumas de curto e outras de longo prazo. A idéia inicial, refletindo sobre o calendário de ações, é construir alguns consensos básicos e mínimos para que, a partir daí, possamos pensar em ações políticas. Essas propostas estão sendo articuladas por representantes estaduais e regionais definidas no Fórum. Já a comissão organizadora está pronta para uma próxima reunião, que será de balanço, para encaminhar documentos a nível governamental e pensar a publicidade do Fórum de Mídia Livre. Então, os próximos passos são para a consolidação do próprio Fórum. Deste foi tirado um grupo de trabalho executivo ampliado, com maior representação. Pretendemos, então, atuar dentro dos movimentos já existentes, como a Conferência Nacional de Comunicação, para que possamos levar os documentos das reivindicações e propostas aos organizadores e representantes governamentais.

Há ainda outras questões que precisam ser amadurecidas. Por isso, os próximos passos têm relação com essas várias instâncias. Também foi feita a proposta de um segundo Fórum Nacional de Mídia Livre, que provavelmente ocorrerá na Universidade Federal de Vitória, no Espírito Santo. Ao mesmo tempo, pretendemos levar o Fórum de Mídia Livre para o pré-Fórum Social Mundial, que abre também um importante espaço para essa discussão. Além disso, temos muitas ações concretas, como, por exemplo, reivindicar ao governo a participação das pequenas mídias nas verbas publicitárias, ou seja, para abrir uma discussão sobre elas, que hoje só vão para três ou quatro jornais de grande circulação. Então, cada GT (foram cinco GTs) fez planos de ação muito concretos, visando universidades, governo e movimento social. Assim, nesse momento, estamos vivendo um pós-fórum, ou seja, analisando como podemos viabilizar e levar adiante essas ações, que são muitas, além de concentrar, agora, em algumas prioridades.

IHU On-Line - Hoje, muitos meios de comunicação subsistem pela boa-vontade dos jornalistas e coordenadores, que trabalham, muitas vezes, sem estrutura, com pouca sustentação econômica, e, ainda assim, conseguem oferecer à sociedade informações e reflexões de qualidade e que, se dependesse das grandes mídias, não existiriam. Quais são as perspectivas para a Mídia Livre a partir das resoluções deste fórum e do planejamento de novos fóruns?

Ivana Bentes – As principais discussões feitas durante o Fórum de Mídia Livre, que deram uma diretriz para o evento, foram em torno da autonomia, sustentabilidade e liberdade. A questão da autonomia e da sustentabilidade é, hoje, muito importante. A maioria dos “fazedores de mídia” trabalha num regime salarial muito ruim ou como autônomos voluntários. Não temos uma política de apoio, governamental ou privado, para o incremento dessa sustentabilidade, por isso essa questão foi muito discutida. Encontramos isso em todos os planos. Claro que se sabe que a questão da sustentabilidade dos meios de comunicação não se resolve com verba publicitária do governo, mas é um lugar importante de disputa política, pois um governo democrático precisa ter uma política democrática de encaminhamento, de distribuição, de partilha dessas verbas existentes, já que se refere a verbas públicas.

Já uma segunda questão diz respeito à distribuição das revistas, dos jornais. Fica muito difícil para os pequenos produtores de mídia negociar com os distribuidores a chegada do seu material nas bancas. Há também outras questões legais que dificultam o processo de produção de uma pequena mídia. A exigência do diploma do jornalista é dada como uma forma de proteger o produtor de mídia das empresas e que hoje se volta contra esse produtor. No GT de formação para a Mídia Livre, colocou-se essa questão do ponto de vista de quem faz mídia hoje. Essa exigência não funciona nas grandes mídias – que já burlaram tudo o que era possível em termos da exigência de diploma – e só prejudica o produtor de Mídia Livre que se sente patrulhado pelos sindicatos. Acreditamos que, hoje, escrever, analisar, interpretar, traduzir imagens é da ordem da cidadania, um direito de todos. Claro que eu sou diretora de uma escola de comunicação, temos um curso de comunicação, formamos jornalistas, publicitários, radialistas e, se acabar amanhã a exigência do diploma, o meu curso continua porque as pessoas querem uma formação de qualidade e o próprio mercado prefere um estudante que saia de uma escola de comunicação. Essas questões todas me parecem prioritárias. Não queremos criar uma Central Única da Mídia Livre. Sabemos que as soluções passam por soluções singulares, e o Fórum busca parcerias públicas que poderiam fortalecer politicamente e economicamente a Mídia Livre.

IHU On-Line – O que está no centro da discussão midiática hoje?

Ivana Bentes – Primeiro: é o monopólio por parte de poucas famílias que detêm os meios de comunicação. Também está a sustentabilidade, ou seja, o direcionamento da verba pública também é monopolista, porque é voltada a poucas empresas que detêm a maior parte da audiência. Precisamos de um novo marco regulatório, porque o que está aí não dá conta do funcionamento legal dessas mídias pós-internet. Todo o marco regulatório das comunicações no Brasil é caduco, da década de 1960 e não dá conta mais do contexto tecnológico, político, social atual. Isso é absolutamente urgente. O Fórum funcionou como um brainstorm, porque as pessoas saíram dele com idéias que podem ser concebidas de forma descentralizada. Isto não significa que o Fórum resolverá tudo.

IHU On-Line – Qual é a importância hoje de uma Conferência Nacional de Comunicação?

Ivana Bentes – A questão é o que hoje esperamos, mas o que impede de essa Conferência Nacional de Comunicação acontecer é o executivo federal, porque é preciso ter uma convocação do executivo a fim de que ela aconteça e surja esse novo marco regulatório, essa mudança das legislações. Está para acontecer uma conferência virtual como preparatória da Conferência Nacional da Comunicação, que é a base para uma mudança. Há um adiamento, ou seja, esse debate é muito postergado e chegou ao limite da sua realização, porque não é possível avançar em termos de discussões sobre o papel das empresas de telecomunicações, sobre a questão do funcionamento das televisões abertas, porque o que temos hoje é um conjunto de remendos na lei geral das comunicações que vão tentando remendar essa mudança de contexto.

IHU On-Line – Como a senhora vê a disseminação das propostas de Mídia Livre dentro das universidades?

Ivana Bentes – As universidades estão começando a se abrir, mas ainda são muito conservadoras nessa discussão. É possível notar que os movimentos sociais, por exemplo, têm metodologia hoje de produção de mídia, de audiovisual e está experimentando. Por isso, a universidade está na retaguarda dessa discussão, embora seja um espaço fundamental por ser um lugar de formação e, assim, a discussão em torno da Mídia Livre precisa estar dentro dela. Ela precisa dar apoio aos cursos multidisciplinares, aos “mídia-livristas”, aos movimentos que trabalham essa questão. Ou a universidade incorpora essas questões que estão sendo discutidas ou ela ficará na retaguarda da discussão. Por isso, nós propomos que o Fórum de Mídia Livre acontecesse dentro de uma universidade pública, gratuita e organizada pelo próprio curso de comunicação.

IHU On-Line – A senhora defende que o campo jornalístico é importante demais para ficar só com os jornalistas. Qual é o papel dos jornalistas, então?

Ivana Bentes – Isso não elimina em nada o papel dos jornalistas: pelo contrário, só o valoriza. A função de jornalista é apurar, investigar, analisar, interpretar. É uma função de analista simbólico, que hoje é uma das mais valorizadas da produção cultural contemporânea. Por isso ela precisa ser universalizada. O jornalista deve ser um mediador dentro de uma série de reivindicações, anseios, demandas, de exigências sociais em relação aos poderes instituídos, seja o próprio governo, seja as empresas privadas, seja as empresas de comunicação. A função social de jornalista cresce nesse novo contexto. Ele está hoje inserido num grupo chamado produtor de mídia e tem função fundamental como ator político nesta sociedade. O produtor de mídia precisa se reposicionar e se ver de outra maneira. Tal função traz uma exigência social, pois o jornalista, em seu altar de poder, é importante demais para se colocar numa localidade de neutralidade simplesmente. Ele é um mediador social, simbólico importantíssimo. A sociedade quer e precisa fazer mídia para radicalizar a democracia e, nesse sentido, o jornalista tem muito o que mediar, produzir e agir dentro da sociedade contemporânea.

Para ler mais:

“É restritivo demais pensar só no jornalismo como centro da discus...


Por uma mídia livre, mas de qualidade. Entrevista especial com Erm...


Mídia livre? A democratização da comunicação

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Mais da Ivana Bentes, uma mulher que merece as flores liiases do IPETRANS para mulheres que fazem possível um mundo melhor!
Grato
ABC

Conferência Nacional de Comunicação. Conquista e desafios. Entrevista especial com Ivana Bentes


Depois de muita luta, a Conferência Nacional de Comunicação foi finalmente anunciada. Embora ela traga esperanças para aqueles que se mobilizaram em prol de um novo marco regulatório da comunicação, ela é também um momento de os movimentos sociais e os empresários discutirem seus interesses, que são bastante distintos. É o que defende a professora Ivana Bentes. Nesta entrevista, realizada por telefone, ela reflete sobre as discussões que devem ser realizadas durante a conferência, pensa nos atores e nos temas que deverão ser centrais nesse encontro. Ela analisa, ainda, a mudança que a sociedade está vivendo nesse momento com as possibilidades apresentadas pelos novos meios de comunicação e como a mídia precisa pensar a crise e repensar seu papel dentro da situação delicada que a economia mundial vive. “A comunicação é importante demais para ficar sendo discutida apenas por profissionais da comunicação. Ela é estratégica hoje para prática da democracia no país. O campo da comunicação é tão importante quanto o campo da saúde”, comenta.

Ivana Bentes Oliveira é comunicadora social, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, onde também realizou seu mestrado e doutorado. Atualmente, é professora e coordenadora dos cursos de comunicação da universidade.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O ministro Luiz Dulci anunciou no Fórum Social Mundial, em Belém, que o governo Lula irá convocar a I Conferência Nacional de Comunicação. Por que o governo resistiu tanto em convocar a Conferência?

Ivana Bentes – Há pressões políticas de todos os lugares: das corporações, da radiodifusão etc. A comunicação, desde muito tempo, não tem uma relação de diálogo muito estreito com os movimentos sociais ligados à área. Ao mesmo tempo, essa demanda social se tornou um pouco incontornável. Para você ter uma ideia, no campo da saúde, já foram realizados mais de 20 conferências (ao longo de diferentes governos). E foi de uma dessas conferências nacionais do campo da saúde que saiu a proposta do SUS e outras políticas públicas. Nós esperamos que a Conferência de Comunicação vá pelo mesmo caminho, ou seja, uma Conferência de Comunicação não irá resolver todas as questões de assimetrias, de tecnologias, por exemplo, mas é um começo.

IHU On-Line – Que papel o Fórum da Mídia Livre teve em relação à convocação dessa Conferência?

"Há um contingente de criadores e produtores de mídia que extrapola a ideia dos profissionais de comunicação"
Ivana Bentes – Na verdade, há uma série de instituições que já estão há muito tempo batalhando pela conferência, como a Intervozes. Desde o ano passado, estamos tentando chamar a atenção para essa questão da mídia livre, que é essa nova configuração no campo da comunicação a partir do momento em que cada um de nós se torna uma unidade móvel produtora de informação. E não é só isso: há ainda a questão do direito à comunicação. O Fórum de Mídia Livre foi um espaço onde uma série de movimentos convergiu e que já estava exigindo a Conferência de Comunicação. O Fórum de Mídia Livre foi bacana porque mobilizou muita gente dentro das universidades (tanto pública quanto privadas) e pessoas que se importam e estão fazendo mídia e que não necessariamente estão dentro das corporações. Há um contingente de criadores e produtores de mídia que extrapola a ideia dos profissionais de comunicação.

O Fórum de Mídia Livre está dentro do espírito da conferência porque também quer mobilizar a sociedade como um todo. Eu sempre digo: a comunicação é importante demais para ficar sendo discutida apenas por profissionais da comunicação. Ela é estratégica hoje para prática da democracia no país. O campo da comunicação é tão importante quanto o campo da saúde. Há uma série de questões que se acumularam sem serem resolvidas. Chegamos a um momento em que não é só uma questão de exigência. O governo está respondendo a uma demanda dos movimentos sociais, mas, ao mesmo tempo, a uma demanda das próprias corporações, porque as empresas de telecomunicações estão em disputa com as empresas de radiodifusão. Há uma redefinição do próprio negócio. Essa dupla pressão da sociedade e dos próprios empresários – que talvez não tenham tanto interesse em pensar a mídia livre – fez com que chegasse o momento em que o governo se desse conta de que a lei sobre a comunicação no Brasil está defasada.

IHU On-Line – Quais são os grandes atores e os grandes temas que estarão no centro da Conferência?

Ivana Bentes – Eu acho que uma das principais questões é a reformulação da Lei Geral das "Estarão em jogo interesses muito distintos, o que irá gerar uma discussão pesada"
Comunicações, que é essa lei defasada da década de 1970, que precisa ter um novo marco regulatório. Há uma série de questões que não estão nem reguladas, como a questão da convergência das mídias. É claro que não queremos discutir isso do ponto de vista do empresário que quer regular o seu negócio. Queremos discutir isso do ponto de vista do comum, da sociedade que deve se apropriar dessa distribuição de comunicação. Então, eu penso que um marco regulatório será decisivo para poder, minimamente, dar conta dessas mudanças tecnológicas, como a televisão digital – que tem uma demanda dos movimentos por canais – e a criminalização da comunicação comunitária – a questão do rádio se tornou muito preocupante, por exemplo. Esse movimento para legalizar uma prática social, de legitimar essas práticas livres e da apropriação da sociedade desses meios de comunicação que sempre ficaram na mão de interesses privados, será algo também bastante forte. Temos muitos atores aí dentro da conferência: movimentos sociais, universidades, empresários do campo da comunicação. Estarão em jogo interesses muito distintos, o que irá gerar uma discussão pesada.

A comunicação hoje está ligada a muitos negócios estratégicos politicamente, mas a sociedade não quer mais aparecer na televisão, mas sim ter um canal de televisão. Isso é absolutamente legítimo e temos um governo que poderá dar conta – ou pelo menos colocar em “praça pública” – dessas disputas de interesses. Então, a conferência, antes de mais nada, não será apenas um momento de convergência, mas de disputa política muito grande. A sociedade e os movimentos sociais, assim como as pessoas que trabalham nesse meio, precisam estar muito cientes de todos os lobs e pressões que irão acontecer nesse momento. A questão, para resumir, mais importante é a mudança do marco regulatório, mas mais importante do que regular é legitimar as práticas sociais que já existem.

IHU On-Line – Quem faz a “cabeça do brasileiro” hoje? Ainda é a Rede Globo?

"A TV aberta está absolutamente privatizada, mas os novos meios nos dão a possibilidade de radicalizar a democratização desse campo da comunicação"
Ivana Bentes – Eu vejo que, a grande mídia está cada vez mais perdendo espaço para os novos meios. Então, pós-internet, a situação mudou muito. Há uma geração que vê muito menos televisão ou não vê TV, ou seja, há a possibilidade desse consumidor se tornar um produtor de informação – fora do que é classificado comunitário. Aumentou o potencial e o poder social se expandiu. Isso é preocupante para as corporações que monopolizavam o negócio da comunicação e da informação. A internet ganhou uma importância e um espaço muito grande, mas ainda não é o suficiente, ou seja, precisa se expandir mais. A TV aberta está absolutamente privatizada, mas os novos meios nos dão a possibilidade de radicalizar a democratização desse campo da comunicação. Essa é a questão hoje, embora os grandes atores ainda estejam fortes e ainda consigam pautar algumas discussões políticas – para o pior e para o melhor.

A Rede Globo ainda é um centro de produção de pautas e muitas vezes é extremamente comprometida com interesses políticos que talvez não sejam os mais interessantes. A gente vive nesses dois pólos, nessa oscilação. Passamos por uma mudança em que, pela primeira vez, temos essa possibilidade política e tecnológica da diluição desse poder e formar novas redes, ou seja, muitos se comunicando com muitos. As corporações estão se preparando para as mudanças, mas não tenho dúvida que esse momento é de ruptura com esse sistema de centralização. Isso não basta, claro, por isso precisamos tanto de um novo marco regulatório.

IHU On-Line – Diante dessa crise econômica, qual é a responsabilidade da mídia, em sua opinião?

Ivana Bentes – Primeiro: não fazer terrorismo com a crise. A crise não pode virar a justificativa para uma série de cortes e benefícios sociais. Eu penso que a crise deve ser politizada, não que o Brasil esteja blindado – porque ela já está aí –, mas a mídia precisa ser mais responsável em relação à analise do que vem a ser a crise. A mídia sempre exaltou o mercado como infalível. No entanto, esse mercado está produzindo sofrimento e a mídia colocou em dúvida o modelo de uma série de dogmas e crenças que ela mesma ajudou a construir. É muito interessante como a crise financeira coloca em xeque a própria mídia que ajudou a sustentar as crenças no mercado. A mídia precisa, antes de tudo, entender como foi parte de uma sustentação de um pensamento que, simplesmente, foi colocado em xeque. Ela é muito boa para nós repensarmos modelo de sociedade, de mercado financeiro e entender que não existe mercado sem política. Devemos discutir o mercado financeiro como discutimos outras questões políticas. Desse modo, a sociedade precisa aprender a discutir economia de novo. Isso porque a economia é importante demais para ficar na mão apenas de especialistas.

Para ler mais:

1º Fórum de Mídia Livre: avaliação e efetivação de propostas
É restritivo demais pensar só no jornalismo como centro da discussão midiática
Do profissional ao amador: a diversidade da Mídia Livre
Mídia Livre? A democratização da comunicação. Edição 254 da Revista IHU On-Line

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A propósito de Redes Livres, resgato este manifesto da Oficina sobre Redes do IPETRANS no III Forum Social Mundial de 2003,em Poa:

Oficinas Rede Trans no III FSM
05/05/2003 At 03:13

Este texto divulga as propostas elaboradas a partir das discussões travadas durante o III FSM, em Porto Alegre, nas oficinas organizadas pelo IPETRANS: Instituto de Pesquisas Transdisciplinares.


IPETRANS: instituto de pesquisas transdisciplinares


Proposições das Oficinas REDE TRANS: Entre, Através e Além das Organizações no III FSM, em Porto Alegre


Após a realização de nossas oficinas percebemos, ainda mais, a urgente necessidade de seguirmos unidos e reunidos, i.e., além da rede virtual é vital para a operacionalidade das redes a organização de encontros verdadeiros da mais variada periodicidade: semanal, quinzenal, mensal...
E, como forma de compartilhar e saber fazer o que tem que ser feito, que se abram as redes para todas as redes.
Criar espaços-tempo de encontros semanais em seus locais de atuação com caráter trandisciplinar, transetorial e transcultural , antes de mais nada, para tratar da sua REDE INTERNA, ou seja, trata-se de se conhecer melhor e ver o que vem antes da estrutura e dos recursos sociais de qualquer rede, e que tranca o processo: lideranças do tipo “eu tudo posso”, gerando grupos de “eu nada posso”; competição entre parceiros de rede: ciúmes e intrigas; tudo por que se tenta colocar novos modelos sociais ( vinho novo) em grupos sem nenhum ou insuficiente auto-conhecimento individual e grupal, causando todos os bloqueios emocionais ( odres velhos) acima apontados . Após a construção da Rede Interna, é necessário buscar estratégias de chegada, isto é, que a nossa escuta possa ser ampliada a outros setores populacionais que se integrem nessa Rede. Pensamos, que nesse momento é muito mais importante encontrar palavras de sentido que aproximem e não que marquem diferenças inconciliáveis ou então, carregadas de conteúdo ideológico que estabeleçam divisores. Portanto, acreditamos que é buscar o que faz sentido para as pessoas, independente de posturas ideológicas contrárias, como o que pode expressar aspectos da nossa própria humanidade. Outro ponto fundamental, é respeito à história de vida de cada um, como também dos espaços institucionais. E sempre manter uma atitude de humildade, de compartilhamento de conhecimento e de aprendizagem permanente. Nunca uma postura de arrogância, de dono da verdade, mas encontrar no outro, nas suas experiências, possibilidades de construção.
A REDE TRANS oferece-se para trabalhar estas questões junto à todas as REDES participantes deste processo emancipatório e planetário do Forum Social Mundial oferecendo seus esforços e intenções, bem como dispõe-se a ser um Nodo e Elo facilitador entre as várias pessoas, grupos, instituições e redes para superação através de encontros verdadeiros periódicos dos bloqueios emocionais e mentais acima referidos, e que são fatais para paralisar os verdadeiros propósitos das REDES, bem como integra-se a proposta da REDE SOCIAL MUNDIAL, gestionada neste III FSM.

“TIK,TIK,TIK” (Tradução: NÓS, NÓS,NÓS, sabedoria de povo autóctone de nosso continente ameríndio, de Chiapas, México, citado por Eduardo Galeano)

Coordenador da Oficina : Eduardo Cezimbra
E-mail: ecezimbra@gmail.com

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A importância das Rádios Comunitária Livres podem ser avaliadas nesta experiência argentina:
7/25/2008-- Entrevista Daniel Otal.


Negar este direito é amordaçar a nós e os nossos próprios companheiros.



Falar com quem se dispõe a mudar o mundo é sinônimo de aprender. Assim que conversamos com Daniel Otal, um latino americano que vive em El Bolson, Província de Rio Negro, na Patagônia Argentina. Este jornalista faz parte de uma bela experiência de comunicação popular que se chama “Alas para la Comunicacion Popular”. Esta rádio comunitária, também chamada de FM ALAS, faz parte de uma rede de rádios rurais e indígenas. A legislação argentina, com os resquícios da ditadura militar, deixou esta rádio por 18 anos na clandestinidade. Quando a polícia tentou fechar a rádio, a população foi mobilizada pela rede de rádios, e rapidamente tomou as ruas, garantindo a continuidade de sua liberdade de expressão pela FM Alas.



Na sabedoria de quem já tem os cabelos brancos, Daniel se indigna com a situação de exploração vivida pelos Índios Maputches, que são expulsos de suas terras devido aos muitos projetos de mineradoras e hidrelétricas que estão se instalando na região. Desenha o papel da comunicação popular que é de “contar ao povo o que não lhe é contado por outros meios”. Afirma que “nossa tarefa é semear rádios comunitárias na Patagônia, pois não é história de aventura, é um compromisso que se reforça”.



Em passagem pelo Brasil, durante o Curso Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo, promovido pelo Movimento dos Atingidos por Barragens na UFRJ, Daniel concedeu uma entrevista para a AGECON. Essa é a primeira dos vários contatos entre estas experiências de comunicação popular na América Latina. Confira a entrevista.



Por que vocês trabalham com Comunicação Comunitária e Popular?

Por que vemos que os Meios de Comunicação não respondem ao direito constitucional da livre expressão e ninguém fala de que a gente pode falar, e ninguém deixa a gente falar o que queremos. Outra coisa é que entendemos que o processo de libertação necessita sua própria voz, sua própria palavra e ali nos somos advogados do povo e técnicos do povo. Em terceiro lugar é que buscamos um método de rádio que permita falar termos complexos e profundos e debater estes assuntos por rádio. É a rádio Comunitária tem duas leis. Uma é que não tem dono pessoal, alguém pode dirigir a rádio se fazendo sócio. É uma Associação Civil sem fins lucrativos. E outro é que é comunitária para a comunidade. Você pode ir lá e falar.



Qual foi a origem da FM Alas?

A origem da FM Alas é a seguinte: tínhamos três jornalistas que trabalhavam na Rádio Nacional da Argentina (Estatal). Em 1987 nossa avaliação era de que teríamos um período de censura. Em 1989 terminava o governo Alfonsín e assumiu Menen. Vimos que queriam manipular nosso trabalho. Em 1989 o governo nos demitiu e daí já há dois anos tinha a FM Alas, que iniciou em 1987. Era uma Rádio Nacional com projeto popular.



Como é organizada a programação?

Há uma equipe editorial que recebem as propostas de programas da comunidade, organizações, sindicatos, grupos de mulheres, estudantes. Esta equipe diz sim e não, mais adiante, inverno; administram a programação. Não aceitamos programas de partidos políticos nenhum, de confissões religiosas nenhuma, mas sim de organizações populares.



Como é o funcionamento da Rádio?

Trabalham na Rádio 18 pessoas. Ao redor destes tem grupos de apoio que trabalham também com salões, fazem recitais de poesia, música, teatro, cinema, fotografia. Fazem CINE debate. Há também um bar no CINE, para arrecadarmos fundos e sustentar a rádio. Financiamos-nos com contribuições de agentes, que os chamamos de rádio participantes, pois não são passivos, são ativos. É um grupo de 100 pessoas. Eles mesmos definem a cota que são cinco pesos mensais. Fazemos um pouco de publicidade. Uma vez por mês fazemos festivais de musica, bailes, festas e o povo vai para ajudar a rádio.



Quais são os benefícios para a população?

A liberdade de expressão não é um direito sensível. Estamos acostumados a não ter. Os primeiros que sentem os benefícios da Rádio Comunitária são os mais pobres, os desempregados, os indígenas, estes nunca tiveram rádio. O sistema não os vê, os negam. Mas a Rádio Comunitária vai até eles ouvir o que está acontecendo. Nós colocamos os pés no barro por eles. Daí a vizinha escuta e se mobiliza, as autoridades lhe dão atenção. EM seguida os do poder vão atrás dos problemas e nos questionam. Então mostramos a Constituição Nacional, que o poder esquece. Protegemos e somos parceiros de quem denuncia os problemas. Sempre embasados no artigo 14 da Constituição Argentina. Daí os governos cortam suas verbas de publicidade, articulam o aparato comercial burguês para não anunciar na rádio, por isso é que buscamos nos auto financiar, para ter autonomia. É um processo. Até setores da burguesia ficam solidários e nos ajudam. Pois nem todos são contra os indígenas, pois há a cultura de não ver os indígenas. E nós os colocamos dentro de suas casas, com sua própria voz.



Você falou da Rede de Rádios que existe na Patagônia. Como é organizada essa rede?

Nossa rádio foi fundadora da FARCO (Fórum Argentino de Rádios Comunitárias), mas faz dois anos que saímos, pelo fato de avaliarmos que a FARCO foi cooptada por rádios próximas ao governo Kirchner. Em uma Assembléia um grupo de rádios saiu deste Fórum. E começamos outra rede, que ainda não tem nome. Juntamos-nos com a AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) que nos entendeu e hoje somos a representação da associação mundial na Argentina. Somos nós que incorporamos novas rádios argentinas na AMARC.



Que mensagem você quer deixar para quem luta com a comunicação popular no Brasil?
Que entendam que a comunicação massiva é um direito que temos. Para nós que resistimos ao sistema, negar este direito é amordaçar a nós e os nossos próprios companheiros.



PARA CONHECER MAIS:

O site www.fmalas.org é uma ótima dica para conhecer mais desta bela experiencia de Comunicação Popular.



Da Redação.



Foto: MARCOS SILVA/AGECON

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Que tipo de tecnologia queremos? Entrevista especial com Oona Castro


Depois de três anos, volta ao Brasil o Fórum Social Mundial, que em 2009 acontece em Belém, no Pará, a partir do dia 27 de janeiro. Dentro da programação, está previsto o I Fórum Mundial de Mídia Livre. O movimento, que começou no início do ano passado, pretende agora discutir novas formas de comunicação e fortalecer a luta por “uma outra comunicação”. Lá, serão discutidos temas como a relação da mídia e da crise, a ampliação do midialivrismo e a comunicação compartilhada.

A IHU On-Line entrevistou, por telefone, Oona Castro, líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ, que participou de diversos debates acerca da Mídia Livre. Conosco, ela conversou sobre as possibilidades que as novas tecnologias nos proporcionam, sobre mídia colaborativa, sobre a atuação do Google e os serviços que a empresa oferece e, ainda, sobre sua opinião em torno das políticas públicas que estão se desenvolvendo em relação à atuação da sociedade na rede. “As pessoas ainda têm uma relação muito passiva com os desenvolvimentos das tecnologias; ainda há uma postura pouco ativa no sentido de falar: ‘Que tipo de tecnologia eu quero?’. A discussão técnica e de tecnologia ainda é muito restrita a especialistas”, comentou ela.

Oona Castro é jornalista, pela Faculdade Cásper-Líbero, membro fundadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e também líder de Projetos do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ e coordenadora executiva do Instituto Overmundo. Junto com Ronaldo Lemos, escreveu Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música (Rio de Janeiro: Aeroplano, 2008).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são suas expectativas frente ao surgimento de novas tecnologias e formas de se produzir conteúdo a partir de ferramentas de criação livres e colaborativas?

Oona Castro – Há uma tendência a investir cada vez mais em internet móvel. Parece-me, por exemplo, que as opções que garantem mais interatividade são as que têm crescido mais. A TV digital foi um fracasso, porque não trouxe inovação; simplesmente fizeram uma TV com qualidade melhor, de alta definição, mas a qual praticamente não se percebe a olho nu. Em contrapartida, o celular cresce absurdamente, tanto do ponto de vista de mercado de consumo quanto do ponto de vista de desenvolvimento ao apresentar novas ferramentas que possibilitam interatividade, além da ferramenta twitter [1] que possibilita a produção espontânea de conteúdo via celular com efeitos de relacionamento e miniblogs etc.

IHU On-Line – Você disse, certa vez, que hoje as mídias vêm prontas para nós. A sociedade está preparada para romper esse controle e passar a compreender a mídia de forma colaborativa? Que colaboração é essa?

Oona Castro – A sociedade está preparadíssima, sim. Quando digo isso, não quero fazer julgamento de valores de substituição do papel do jornalista pela população. Estou apenas afirmando que o outro tem a ânsia de colaborar, produzir conteúdo e compartilhar. O que não tínhamos até então era o canal, e, quando ele aparece, as pessoas ocupam esse espaço. Se há 20 anos pensássemos se teria demanda para isso, diríamos que não. Mas, no momento em que se cria um canal, gera-se a demanda por colaboração. Aí me parece que as pessoas produzem conteúdos ao seu jeito. No entanto, o mais interessante é a diversidade que isso cria na rede. Então, não há necessidade de avaliar a qualidade desse ou daquele produtor de conteúdo, pois existe um conjunto diverso de produção de conteúdo. Hoje, esse modelo de produção de conteúdo é bastante direcionado para distintos nichos; uma pessoa pode gostar de um assunto e outra não. Isso é positivo, porque existe mercado para todos, e a rede propicia essa diversidade.

Por outro lado, percebo que as pessoas ainda têm uma relação muito passiva com os desenvolvimentos das tecnologias; ainda há uma postura pouco ativa no sentido de falar: “Que tipo de tecnologia eu quero?”. A discussão técnica e de tecnologia ainda é muito restrita a especialistas. Então, essa intimidade com a tecnologia e a postura mais ativa na demanda do que se quer como tecnologia ainda pode aumentar muito.

IHU On-Line – Temos hoje o Google como uma empresa que oferece serviços na internet de forma gratuita e mais acessíveis que antes só podiam ser usados por quem podia pagar por um software e ainda compreendia a técnica e a linguagem daquele produto. Mas isso tem rendido à empresa críticas em relação ao monopólio que ela está criando na rede. Em casos como esse, para você, é o sujeito que manipula o meio ou as condições do meio é que manipulam o sujeito?

Oona Castro – Eu não faria nenhuma das duas afirmações de manipulação tão totalizante. Mas o Google criou e ao mesmo tempo “surfou na onda” de uma tendência atual. Não me parece que o eixo principal, hoje, da indústria de produção de conteúdo seja o direito autoral; ela precisa agregar serviços ao que ela faz, e não vendendo conteúdos propriamente. O Google soube “surfar muito bem essa onda” e conseguiu evidentemente a liderança e sem uma tendência de monopólio, mas talvez de oligopólio, nesse cenário.

Temos de criar novos espaços de pesquisa e desenvolvimento para desenvolver softwares livres no campo de serviço via web, gratuitos, e criar alternativas para o uso daquelas ferramentas. Não acredito, no entanto, que isso gere um combate direto de enfrentamento a nenhuma grande empresa. Pelo contrário, penso na capacidade das pessoas se recriarem e se desenvolverem de maneira colaborativa na web. É claro que a questão financeira conta muito. Por isso, as universidades, o governo e as instituições de interesse público precisam investir no desenvolvimento de software livre, de tecnologia. Esses investimentos não devem ser feitos para competir com outros grupos, mas para gerar conhecimento público, um acúmulo de tecnologias públicas, sem o desejo de fortalecer uma única empresa. O Google é um business que faz parte desse processo; mas questiono: “Queremos que o Google seja a nossa única alternativa?”. Não, não queremos.

IHU On-Line – Como você analisa as políticas que estão sendo criadas em torno do acesso ao que é oferecido pelas tecnologias digitais?

Oona Castro – No campo de políticas públicas, me parece que temos um crescimento forte políticas de acesso nos centros públicos de acesso. Ao mesmo tempo, temos um problema e um gargalo na questão da infraestrutura da banda larga. Hoje existiria a possibilidade de criar uma rede de infraestrutura muito maior. Em muitos municípios, não é possível acessar a internet banda larga, e isso cria uma desigualdade de acesso muito cruel. Também não há um projeto de barateamento radical da banda larga. Então, ela é ainda um gargalo para o desenvolvimento e para o acesso de todas as camadas da população. Paralelamente, temos projetos de lei que criam uma relação criminal antes de estabelecer direitos para o usuário da internet, ou seja, estabelecemos crimes e não os direitos.

Todos nós seremos potencialmente criminosos porque as práticas colocadas nesses projetos de lei, dependendo da maneira como forem interpretadas. São práticas muito comuns, estão em pleno acordo com o desenvolvimento e as possibilidades das tecnologias. No entanto, querem impedir o uso dessas tecnologias por meio de uma lei. Acontece que a tecnologia não é algo em si, ela é vai sempre estar a serviço de alguma coisa que, em geral, já é da população. Hoje, as lan houses são o principal local de acesso, ou seja, quem conseguiu gerar o acesso à internet em qualquer lugar da cidade, inclusive nas favelas, foram as lan houses e não apenas o Poder Público e as Ongs. Então, vemos que a iniciativa local de pequenos mercados têm sido fundamental para garantir esse acesso. Então, existem políticas de iniciativa ao acesso, mas não uma política de infraestrutura. Entendemos que para essa política de infraestrutura pouco importa se for uma casinha no meio da favela, desde que a pessoa tenha acesso de qualidade, através de uma conexão de banda larga.

IHU On-Line – Em sua opinião, que cultura digital está se originando no Brasil?

Oona Castro – Olha, o Brasil é um país engraçado, porque no campo da arte e da cultura é bastante criativo. Eu acho que as primeiras pessoas que ocuparam a rede foram essas pessoas, por isso a cultura digital foi baseada na diversão, na festa. Tanto é que o Orkut [2] foi lançado no início de 2004 e, em abril do mesmo ano, a rede estava lotada de brasileiros. Os estadunidenses diziam que os brasileiros estavam invadindo o Orkut, houve até uma rejeição por causa do aumento deles nessa rede de relacionamento. É impressionante como o brasileiro tem essa tendência a querer se relacionar, cultivar espaços de conversas, compartilhar produções artísticas e culturais. Parece-me que a cultura digital no Brasil é ainda pouco ativista. Fora do Brasil, há iniciativas muito mais interessantes de ativismo e articulação na rede. Acho que isso reflete uma falta de capacidade de mobilização, que já se manifestava fora da rede, e, ao mesmo tempo, uma vocação muito grande para diversão em ambientes sociais. A cultura digital é isso: a expressão da cultura brasileira na rede. Ela se manifesta mais ou menos pela vocação que existe fora da rede. Eu gostaria muito de conhecer outras experiências, como, por exemplo, sobre transparência. Parecem ser muito tímidos os movimentos na rede que exigem transparência de governos e organizações sem fins lucrativos, de ativismos que articulam movimentações entre poderes e sociedade na rede. Isso me parece ainda muito aquém e é uma deficiência que teremos que trabalhar culturalmente.

IHU On-Line - A Web 2.0 permite que a circulação de informações pela internet possa ser ampliada, assim como permite também que os sujeitos que antes apenas recebiam as mensagens possam ser também produtores de notícias. Como a senhora analisa a questão da identidade das minorias que também se apropriam da rede e de suas possibilidades?

Oona Castro – Não é só a rede; é também a rede. As pessoas usam justamente mais pela rede do que pela tecnologia disponível. Na cena do Tecnobrega, em Belém do Pará, é muito comum vermos artistas com estúdios caseiros que colocam suas músicas na internet, aos poucos, distribuem para os DJs e aparelhagens... essas músicas são “baixadas”, e, assim, distribuídas, pela rede de comércio informal (camelôs, por exemplo). Isso só foi possível porque em plena periferia de Belém havia o acesso à produção de conteúdo. Isso gerou, consequentemente, o acesso das pessoas à cultura produzida devido ao barateamento do custo de um cd, acesso gratuitamente na internet, liberdade para não depender de gravadoras. Milton Santos [3] falava que a mudança se daria quando as periferias conseguissem se apropriar das novas tecnologias e também dos elementos de participação no mundo globalizado. Para ele, essa diversidade e esse espaço produzido pela periferia que iria diminuir as desigualdades. Hoje, até moradores de rua, ligados a movimentos, têm blog. É importante que cada vez mais as pessoas, das mais diversas camadas sociais, se apropriem desses meios e participem desse processo direto e desintermediado de relação.

Notas:

[1] Twitter é uma rede social e servidor para microblogging que permite que os usuários enviem atualizações pessoais contendo apenas texto em menos de 140 caracteres via SMS, mensageiro instantâneo, e-mail, site oficial ou programa especializado. Foi fundado em março de 2006 pela Obvious Corp., em São Francisco, nos Estados Unidos.

[2] O Orkut é uma rede social filiada ao Google, criada em 19 de Janeiro de 2004 com o objetivo de ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos. Tais sistemas também são chamados de rede social. O alvo inicial do orkut era os Estados Unidos, mas a maioria dos usuários são do Brasil e da Índia. No Brasil é a rede social com maior participação de brasileiros, com mais de 23 milhões de usuários.

[3] Milton Almeida dos Santos foi advogado e um dos pensadores expoentes da geografia brasileira após a década de 1970.

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Convite ao FMML - Belém, 2009

Convite ao Fórum Mundial de Mídia Livre – Belém do Pará, Brasil, 26 e 27 de janeiro de 2009

Às vésperas do Fórum Social Mundial, midialivristas de todo planeta se reúnem para somar forças e discutir a criação de novas formas de comunicação.

Para aqueles(as) que praticam e lutam cotidianamente por uma outra comunicação, o momento presente combina a ampliação de oportunidades com o acirramento das desigualdades. Ao mesmo tempo em que se multiplicam iniciativas cidadãs e contra-hegemônicas de comunicação, acentua-se a concentração das grandes corporações de mídia e explicita-se o papel desses grupos como suporte do discurso hegemônico.

1. Os 30 anos de hegemonia neoliberal que antecederam a atual crise econômica modificaram o mundo, a subjetividade, o imaginário humano e o papel da informação na sociedade. Já as últimas décadas de mudanças tecnológicas, de mutações no capitalismo, de invenção de outras formas de compartilhar, viver, trabalhar, apontam para a crise dos modelos neoliberais e para a emergência de novos paradigmas e outros imaginários.

2. Um consenso social tem sido modelado pelos sistemas de comunicação interligados por interesses e tecnologias avassaladores. Ao mesmo tempo, novas formas de resistência e contra-discursos surgem e se disseminam buscando quebrar os "consensos". Apesar das limitações, as novas tecnologias servem à democracia participativa e surgem com impacto global e capacidade de articular redes, que funcionam sob novos modelos.

3. Uma engrenagem dioturna, formada por grandes conglomerados da comunicação, reproduz e vocaliza a mesma narrativa hegemônica que condiciona impulsos, vontades, expectativas. Por outro lado, a possibilidade da construção de outras narrativas e da apropriação de novas mídias por novos sujeitos do discurso (coletivos, periferias, minorias, etc.) é uma criação experimentada local, nacional e globalmente, a despeito de novas formas de alienação. Nunca os processos culturais, a economia criativa, a valoração da informação e do conhecimento foram tão cruciais para se pensar a sociedade.

4. Esteja explícito ou não, muitas pessoas, redes, grupos estão condicionados a forças descomunais cujo poder destrutivo evidencia-se na incerteza desses dias, marcados por um modelo de sociedade cada vez mais socialmente injusto, economicamente insustentável, ambientalmente destrutivo, moralmente aético, acrítico e permissivo. A crise do capitalismo, da mídia de massa e do pensamento único cria, no entanto, uma oportunidade de reconfiguração das discussões sobre o papel da comunicação e da informação no mundo contemporâneo.

5. Desvelou-se, neste crash financeiro, o papel da mídia oligopólica com influência crescente sobre os destinos da sociedade, inclusive omitindo e isolando vozes e fatos dissonantes. As intersecções entre a mídia e o poder dos mercados desregulados estreitaram-se nesses 30 anos. A financeirização da economia gerou uma contrapartida de financeirização do noticiário, adicionando-se um novo instrumento à manipulação da economia. Nada mais ilustrativo desse comprometimento do que o persistente malabarismo de ocultação de um sistema especulativo só reconhecido quando sua explosão ganhou evidência incontornável.

6. Estados, governos, democracias e processos de desenvolvimento foram colocados à mercê dos desígnios e chantagens impulsionados por essa lógica auto-destrutiva. A crise financeira expõe a crise do neoliberalismo. As grandes estruturas de comunicação avalizaram esse processo, emprestando-lhe legitimidade, sedução e argumentação coercitivos. Sobretudo, revestindo-o de múltiplas estratégias de desqualificação das vozes dissonantes ecoadas por governantes, partidos, lideranças sociais ou mesmo pela resistência de uma subjetividade atemorizada e constrangida.

7. Não é mais possível lutar pela democratização econômica e social do mundo ou de uma aldeia, sem erigir muitas vozes dos mais diversos alcances, com influência internacional capaz de se contrapor à usina forjadora de supostos consensos sociais. Da mesma forma que o capitalismo é global, as lutas e a resistência são globais. Não queremos produzir um novo consenso, mas defender a possibilidade das diferenças e dos dissensos.

8. Essas vozes não serão um uníssono de sinal inverso ao que se combate, mas justamente a combinação harmônica das distintas e variadas vozes que hoje se levantam a partir da afirmação do direito à comunicação dos diversos grupos e indivíduos comprometidos com a luta por justiça social, e que tem nessa diversidade a sua fortaleza.

9. Neste momento, é ainda mais importante que os veículos não alinhados ao pensamento hegemônico, os produtores independentes de mídia e todos aqueles(as) que se pautam diariamente contra as injustiças e opressões decorrentes do neoliberalismo se reconheçam na semelhança e na pluralidade de suas inquietudes. A responsabilidade que nos une deve se materializar em fóruns e ações de abrangência que se contraponham à crise que se alastra por todo o globo.

10. Convidamos assim os veículos de informação democrática, as comunidades, os coletivos, as entidades, os movimentos sociais, os blogueiros e cada individuo – que é em si um comunicador -, a participar do I Fórum Mundial de Mídia Livre, que acontece no Brasil (em Belém do Pará), nos dias 26 e 27 de janeiro de 2009. As conclusões do FMML terão importante incidência política nas deliberações do Fórum Social Mundial, que acontece nessa mesma cidade, a partir do dia 27 de janeiro de 2009.

11. Certos de que compartilhamos as mesmas preocupações e sentimento de urgência na construção de uma mídia livre e democrática, aguardamos a confirmação de sua presença.

Fórum de Mídia Livre, Brasil, novembro de 2008

Clique aqui para ver a programação e para se inscrever
Demais informações: forumdemidialivre@gmail.com

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“A comunicação é importante demais para ficar sendo discutida apenas por profissionais da comunicação. Ela é estratégica hoje para prática da democracia no país. O campo da comunicação é tão importante quanto o campo da saúde”. Destaco a colocação pois é o "resumo da ópera". A comunicação não é patrimônio da mídia, nem técnica de marketing. Ela é, antes de tudo, a base dos relacionamentos interpessoais, sociais e até mesmo da pessoa para consigo mesma - entre seu consciente e inconsciente, entre seu ego e eu superior... é também a via de interação com todos os reinos existentes na Natureza. A comunicação não está limitada à expressão da palavra - está também nas vibrações e nos interditos e se assenta na TOLERÂNCIA a qual nos ajuda a aceitar o outro para podermos ver, ouvir, sentir e cooperar nas diferenças. Esta é a filigrana da sintonia, da capacidade de viver social e libertamente.
gde abraço, Edu!

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A vida secreta dos ingredientes - Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)
Entrevista com o AUTOR

Apocalipse Motorizado

Ned Ludd (org.)

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas...Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

OS AUTORES
Ivan Illich (1926-2000) foi um dos pensadores mais surpreendentes dos anos 70 e 80. Com precisão e força atacou cada um dos falsos consensos da sociedade ocidental. O texto de Illich neste livro teve imenso impacto no pensamento libertário de hoje.

André Gorz nasceu em Viena, em 1924, é autor de ´Crítica da Divisão de Trabalho´ (Martins Fontes, 1989)

Aufheben é o nome de um grupo autonomista marxista da Inglaterra surgido nos anos 90.

Car Buster é a principal organização ativista internacional do movimento anticarro.

Reclaim The Streets é um dos principais movimentos ativistas de Londres que surgiu em 1991 com o intuito de tornar as ruas um local de convívio entre pessoas e não somente um espaço de passagem.

Ned Ludd é organizador do livro Urgência nas Ruas ­ Coleção Baderna - Conrad, 2002


Ciência precisa de metáforas melhores, diz pesquisador
Livro critica estágio atual da biologia e sugere caminhos para o futuro dessa disciplina

Se a poesia emprega metáforas para despertar o encanto, também a ciência usa esse recurso, para uma melhor compreensão de conceitos abstratos ou complexos. Por isso os cientistas falam, por exemplo, da movimentação do som por meio de "ondas". Porém, se na poesia o mau uso de metáforas resulta apenas em uma obra duvidosa, na ciência a compreensão literal das metáforas leva a perigosos mal-entendidos.

Esse é o eixo central das idéias discutidas por Richard Lewontin, pesquisador da Universidade de Harvard (EUA), em conferências realizadas em Milão que, com o acréscimo de mais um capítulo, tornaram-se o livro A tripla hélice. Lewontin debate a idéia de que somos pré-determinados pelos genes, aponta incorreções na teoria da evolução de Darwin, discute a visão cartesiana de que o corpo é uma máquina e sugere caminhos para o estudo da biologia.

O autor critica o uso do termo desenvolvimento para sintetizar as alterações por que passamos do nascimento à morte. Lewontin afirma que o "termo traz a idéia de algo que se desenrola a partir de algo já presente". Segundo esse conceito, as características dos seres vivos seriam a mera expressão do seu material genético e nunca dependeriam da influência do ambiente (como se verifica, nos humanos, no caso da língua que cada indivíduo fala).

Lewontin também discute a atualidade da teoria da evolução. O termo criticado dessa vez é a adaptação -- "o processo pelo qual um objeto se torna apto a satisfazer uma existência preexistente". Segundo esse conceito, a diversidade das espécies resultaria da existência de "diferentes tipos de ambientes aos quais os seres vivos se compatibilizaram mediante a seleção natural". O autor condena a separação entre ambiente e organismo. As formigas, por exemplo, fazem ninhos, as plantas consomem gás carbônico do ambiente e produzem o oxigênio a ser usado pelos animais. Organismos e ambiente agem um sobre o outro em um processo constante de transformação.

Mais uma metáfora combatida é a comparação de seres vivos a máquinas. Para estudar um organismo, a biologia divide-o em partes, como se fosse possível separá-lo em funções e em seguida "determinar um todo claro e de anatomia óbvia". É impossível estudar como alguém segura um objeto analisando apenas os movimentos da mão. Ele precisa dos olhos para ver, os músculos se contraem a partir do encurtamento das fibras musculares, que por sua vez depende da química das proteínas actisina e miosina.

Embora admita que as técnicas de que a ciência dispõe já bastam para que avanços sejam feitos, Lewontin esclarece que as respostas que a biologia elabora dependem das perguntas que faz. Se o estudo dos seres vivos está permeado de noções equivocadas, as perguntas serão mal-formuladas e as respostas não esclarecerão o que realmente interessa.

A tripla hélice é um livro atual e envolvente. Em uma linguagem simples, porém de raciocínios complexos, permite uma leitura surpreendente a quem quer que tenha domínio razoável de biologia e genética.


A tripla hélice - gene, organismo e ambiente
Richard Lewontin (trad.: José Viegas Filho)
São Paulo, 2002, Companhia das Letras
138 páginas - R$ 25

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
03/09/02

Notas

Porque NÃO!

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago 2009 at 13:13. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 29 Ago.

Hora do Planeta


" Veja o seu mundo sob uma Luz totalmente diferente "

28/março : 20:30h horário local - desligar a eletricidade por 1 hora em sintonia com vários países - cada vez mais pessoas aderem a esta causa !
Participe e divulgue !!!

Em 2007 - esta idéia começa e toma conta da Austrália

Em 2008 - 35 países se unem, mais de 50 milhões de pessoas cadastradas que fizeram a diferença apagando
a Luz por uma hora e deixando a Mãe Terra respirar ...

Participem

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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar 2009 at 11:00. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 31 Mar.

Fotos dos membros da RETRANS

O slideshow da RETRANS, na página principal, comporta o nº máximo de 100 fotos.
As demais fotos (mais de mil fotos!) publicadas pelos membros seguem arquivadas em suas páginas pessoais ou nas páginas de FOTOS.Portanto, para quem quiser ver ou rever mais fotos basta clicar no link Fotos( parte superior da página principal) ou nas páginas pessoais de cada membro.
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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 21 Jun 2008 at 10:44. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 23 Mar.

Objeções de consciência

Reservista israelense se nega a invadir Gaza

Um reservista escalado para invadir a faixa de Gaza se recusou a entrar no território como protesto contra a morte de centenas de palestinos, muitos deles civis, na Faixa de Gaza.

O militar, de 35 anos, integrante de uma unidade de engenheiros, foi condenado a 14 dias de prisão por insubordinação, informou em um comunicado a organização Ometz Lesarev, que apóia soldados que não concordam co… Continuar

Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar 2009 at 10:50. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 18 Mar.

Homenagem a Pierre Weil na Feira do Livro de Poa/RS


Encontro de autores da RETRANS na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre

Em Busca da Paz

© Antônio Dayrell

(À memória de Pierre Weil*)

Pela paz soltaram as pombas do cativeiro,
um ano foi especialmente dedicado.

Pela paz construíram as armas,
homens perderam suas vidas,
famílias se viram destruídas.
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Criado por Eduardo Sejanes Cezimbra 25 Nov 2008 at 16:06. Atualizado pela última vez por Eduardo Sejanes Cezimbra 5 Mar.

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